Amor Cigano
Penny Jordan

Ttulo: Amor cigano
Autor: Penny Jordan
Ttulo original: The perfect match?
Dados da Edio: Editora Nova Cultural 1998
Publicao original: 1997
Gnero: Romance contemporneo
Digitalizao: Nina
Reviso: Denise Barros
Estado da Obra: Corrigida

Vidas brilhantes ocultando sofrimentos e insondveis revelaes.
Guy Cooke era um homem perfeito. O olhar misterioso e a sensualidade envolvente deixavam as mulheres apaixonadas. Chrissie, de natureza romntica, viu-se atrada perdidamente por Guy, mesmo sem nunca ter acreditado na existncia do homem de seus sonhos... Ao perder-se nos braos dele, realizou suas mais ousadas fantasias. Ela precisava dele para viver. Mas a natureza cigana de Guy exigia mais que fantasias e sonhos femininos...


CAPITULO I

	Voc tem certeza de que vai mesmo a Haslewich para resolver tudo?
  Vou sim, mame  Chrissie assegurou  sua me, com tranquilidade, e fitou o pai.
	Os trs conversavam na sala de estar, aps o jantar. A morte de Charles os aliviara mais do que consternara. Eles formavam uma famlia pequena e unida, mas o comportamento irresponsvel e o hbito de beber do irmo mais novo da me de Chrissie sempre foram fatos que constrangeram e aborreceram muito os Oldham.
No comeo do casamento, ela tentou dar o melhor de si para ajudar Charles, acreditando ingenuamente que poderia mud-lo. Oito anos atrs, ele fora condenado por furtar objetos na casa de um conhecido. Desde aquela ocasio, a me de Chrissie decidira no intervir mais.
	Moravam em uma pequena cidade situada na fronteira com a Esccia, onde o pai de Chrissie era um renomado cirurgio cardaco. A me era membro do conselho local da cidade, liderando vrias obras de caridade, e seu carter era totalmente diverso da reputao desagradvel e do comportamento desonesto do irmo.
Charles morrera, e algum da famlia deveria ir a Cheshire para abrir o inventrio e vender a pequena propriedade que ele deixara no centro de Haslewich. Fora tudo o que restara de uma fazenda que ele e a me de Chrissie haviam herdado dos pais.
	Os pais de Chrissie tinham compromissos de trabalho, e ela se oferecera para aquela tarefa.
  Deus sabe em que condio estar a casa.  A me de Chrissie estremeceu.  A ltima vez em que estive l, o lugar estava imundo e por todos os cantos s se viam garrafas vazias. Quando criana, Charles sempre fora inoportuno, auto-destrutivo e problemtico. Era muito diferente de nosso pai, sempre gentil e bondoso, que por sua vez, se parecia muito com o meu av. Nunca fomos muito prximos, talvez devido  grande diferena de idade entre ns. Chrissie, na verdade eu no gostaria que voc fosse  Haslewich, mas teremos de comparecer  reunio no Mxico aps as conferncias de seu pai.
  No se preocupe, mame  Chrissie afirmou.  Farei o que for necessrio. Tenho tempo para isso.
O departamento de ingls da escola onde Chrissie trabalhava como professora fora reestruturado, e haveria cortes de pessoal.
  Mas no entendo por que voc insiste em ficar na casa de Charles  a me comentou.
  Mas  por isso que estou indo para l. A casa precisa ser vendida para pagar as dvidas de tio Charles. E voc mesma disse que para vend-la, seria preciso antes, coloc-la em ordem.
  Tem razo. Preciso entrar em contato com o banco e o advogado, para fazer uma procurao em seu nome, a fim de que possa assinar todos os documentos necessrios.
	Chrissie e seu pai se entreolharam, mais uma vez.
	Charles Platt deixara como herana uma casa imunda, uma reputao condenvel e muitas dvidas.
	Para ser sincera, ela no estava muito ansiosa para resolver as encrencas deixadas por seu tio, mas algum teria de fazer aquilo. Ela no queria aborrecer sua me, deixando-a perceber a sua pouca vontade em ir  casa dele.
	A ltima vez que estivera em Haslewich, tinha sido aps a morte de sua av, e ainda se lembrava do desgosto de sua me.
	O seu tio Charles morava com a me na velha casa da fazenda, em Cheshire. Vrias geraes de sua famlia moraram naquela casa. Seu av, desgostoso com o filho, e consciente de sua fraqueza, vendera as terras para outro fazendeiro. Aps a morte da mulher, vendera a casa. 
Ainda se lembrava da vergonha quando vira seu tio cambaleando pelas ruas. Um grupo de crianas o desafiara e caoara dele. Sua me ficara muito plida e com um profundo suspiro, pegou-a pelo brao para sarem do local.
Fora ento que compreendera todo o amargor e sofrimento de sua me, sempre que se referia ao irmo.
Charles, um fraco, intil e desajustado desde a adolescncia, no seguira a tradio familiar de trabalhar na fazenda.
 Ele acabou com o corao de meu pai  a me de Chrissie lhe dissera, triste.  Papai vendeu as terras, deixando a parte de Charles. Ele tentou compreender e ajud-lo, quando pretendeu ser ator. Mas foi apenas uma desculpa para gastar o dinheiro em jogos e bebidas. Seus avs sofreram muito, Chrissie. Seu tio esqueceu todos os valores morais da famlia. Foi uma vergonha para todos ns. Nunca consegui entender a falta de carter e o puro egosmo que nortearam a sua vida.
	Agora estava morto, e com ele morrera uma parte da histria de Haslewich. Os Platt cultivaram terras ao redor de Haslewich por mais de trs sculos, como testemunhavam as lpides de suas sepulturas no cemitrio local.
 No sofra mais.  Chrissie tentou consolar a me com abraos e beijos. 
     	Elas tinham traos semelhantes. Olhos grandes e amendoados, ossos altos nas faces delicadamente femininas. A me era mais baixa e um tanto gorda, enquanto Chrissie era alta e esguia como o pai. Os pais tinham cabelos negros, e Chrissie tinha cabelos ruivo-escuros, grossos, lisos e muito sedosos.
	Chrissie estava com vinte e oito anos e se considerava uma mulher madura. No se iludia mais com as intenes dos homens que encontrava, que admiravam seu rosto e corpo, sem se preocuparem com seu carter e qualidades. Ela queria ser amada pelo que era na realidade, e no pelo que representava. Em sua opinio, a atrao fsica no era fundamental em um relacionamento. No entanto, como uma romntica incurvel, achava que entre duas pessoas que nascessem uma para a outra, o desejo seria muito poderoso para ser ignorado. Seria sobretudo um poder que, emanando do interior do indivduo, captasse os sinais de um ser semelhante.
	Voc no d valor  beleza que tem  uma amiga lhe dissera no vero passado.  Se fosse voc, usufruiria do poder que ela lhe confere.
	A verdadeira beleza est em nossos coraes e  eterna  comentou ela.  Todo o resto se apaga ou se extingue com o tempo.
	Quando ainda frequentava a Universidade, havia sido procurada por uma famosa agncia de modelos, mas se recusara a posar para fotografias. No tinha a menor inteno de exibir seus atributos fsicos e nem de ganhar dinheiro com aquilo.
Sempre estudara com afinco e, atualmente era uma tima professora. Tinha um senso de humor refinado, e seus alunos a adoravam.
	No estou nada contente com essa histria de voc ficar na casa de Charles  sua me repetiu.
	Mame, j conversamos sobre isso. Estou indo para Haslewich com o propsito de tornar a casa vendvel. E o mais lgico nesse caso,  morar nela.
	Nesse ponto voc tem razo. Mas, tambm sei em que condio Charles vivia...
A me era uma tima dona-de-casa, excelente cozinheira e muito organizada. Dona de um carter inatacvel, e uma bondade sem limites. Uma verdadeira representante dos antepassados que limpavam estbulos e pavimentavam os arredores das casas. Esfregavam e lavavam, travando uma batalha obstinada contra todo tipo de sujeira.
	Levarei minha roupa de cama, toalhas e meus utenslios  Chrissie acrescentou.
	No  certo voc ir  Rose Oldham protestou mais uma vez.  Charles era meu irmo.
	E meu tio. Voc tem compromissos inadiveis e no poderia ir agora. O mais lgico  eu ir em seu lugar.
	Chrissie no dissera que a viagem  Haslewich servira de pretexto para recusar o convite de um colega para passarem frias de vero na Provena, junto com um grupo de amigos.
	Ela adoraria ir para Provena, mas no com o colega. Chrissie reprimia a sua inclinao em relao a homens fanfarres e de natureza impetuosa, mais parecidos com heris de romances histricos.
	Esse colega nunca a aborrecera, e poderia at ser um bom marido e pai. Mas no satisfazia o seu desejo secreto de encontrar um homem que a fizesse estremecer, que a atrasse e ao mesmo tempo, a compreendesse totalmente.
Com certeza, no o encontraria em Haslewich, uma pequena e pacata cidade comercial, um remanso tranquilo de poucos acontecimentos.

CAPITULO II

	A porta do pequeno antiqurio se abriu, e Jenny Crighton entrou. Ela e Guy Cooke eram scios nessa loja de antiguidades.
	Machucaram algum em Queensmead?  Guy Cooke perguntou a Jenny, sobre o assalto na casa do sogro dela.
	Felizmente no  Jenny respondeu.
	Jenny, como mulher, no poderia permanecer imune aos encantos de Guy. Se no fosse to bem casada e feliz com o marido, com certeza faria parte da longa lista de mulheres que suspiravam por Guy, um homem muito bonito, com trinta e nove anos. Ele emanava um poder viril e tinha um fsico belo e musculoso. Seu olhar, enigmtico e irresistvel, derretia coraes. Herdara o poder de atrao e a reputao de seus antepassados ciganos. Guy era extremamente atraente, e sexy era o adjetivo que melhor se aplicava a ele. Ela o considerava um grande amigo.
	Ainda bem que nada aconteceu a Ben. Jon e eu j tentamos persuadi-lo a deixar algum morando l, mas ele  muito teimoso.
	Eu imagino  Guy concordou.  Estive l para fazer a avaliao das antiguidades para a companhia de seguros, e ele quase me bateu quando sugeri que instalasse um sistema de alarme.
	O prejuzo foi grande?
	No levaram muita coisa. A polcia tem a impresso de que os ladres foram interrompidos pela campainha do telefone ou por algum chegando.
	 difcil acreditar que em plena luz do dia, algum possa forar a entrada de uma casa e roubar calmamente, sem que algum perceba  Guy comentou, preocupado.
	A polcia nos preveniu que as chances de recuperar os objetos so muito pequenas. O nmero de roubos aumentou muito. So quadrilhas de outras cidades que vendem o produto para comprar drogas.
	Ser que agora ele se convenceu de que precisa da companhia de algum?  Guy perguntou, enquanto verificava as mercadorias de uma caixa grande, que tinham vindo de uma avaliao.
	Infelizmente no  Jenny respondeu.  Mas Maddy deve chegar no prximo final de semana. Ela sempre vem nos visitar por algumas semanas durante o vero. Pelo menos, ele gosta dela.
	Max vir junto?  Guy perguntou pelo marido de Maddy, e filho mais velho de Jon e Jenny.
	No, acho que no poder vir.  Jenny mordeu o lbio.  Est trabalhando em um processo e ter de viajar para a Espanha a servio de uma cliente.
	Max era advogado em um grande e famoso escritrio de Londres. Era especializado em causas de divrcio, e a maioria de seus clientes era mulheres Max admirava as mulheres e ficava envaidecido sempre que as conquistava. Nem sempre agia de maneira criteriosa e pautada por bons princpios.
	Guy tambm gostava muito das mulheres, principalmente das calorosas, gentis, femininas, serenas e com beleza interior. Os atributos fsicos que chamavam a ateno, no tinham muito valor para Guy. Ele era um homem muito bem-apessoado, e acreditava que os atrativos exteriores de uma pessoa eram passageiros. Amor, carinho, bondade e solicitude eram qualidades que no se perdiam com o tempo e, portanto, dignas de respeito e admirao.
	Fora o choque natural pelo roubo em si, o que mais aborreceu Ben, foi terem levado a sua pequena mesa de pau-amarelo. O pai dele fez uma cpia do original Frances, que pertencia  sua av. Era uma pea muito bonita, mas sem grande valor.
	Mas tinha valor sentimental  Guy sugeriu.  Certamente isso o aborreceu.
	Sem dvida  Jenny concordou.  Luke me disse que a famlia Chester possua o par original. Foi um presente trazido da Frana para as filhas gmeas dos Crighton. Uma das mesas est com o pai de Luke e outra com seu tio.
	Hum... Talvez o ladro ou ladres, no soubessem que a mesa de Ben fosse uma cpia.
	Talvez no. A polcia acredita que s a levaram pois encontraram facilidade para carreg-la.
	Eu e sua irm Ruth passamos o dia inspecionando a casa e fazendo uma lista dos objetos que faltavam. Ben,  claro, no se encontrava em condies de ajudar.
	Ela j voltou dos Estados Unidos?
	Ela e Grant chegaram sbado.  Jenny sorriu.
	E linda a maneira como se amam e entendem. O que aconteceu entre eles mais parece fico.
	Um amor de verdade, que nada conseguiu diminuir ou destruir  Jenny acrescentou, com suavidade.  Durante o tempo em que estiveram separados, nenhum dos dois pensou em se casar com outra pessoa. Agora esto juntos e novamente apaixonados. Bobbie reclama que, a despeito de terem se casado na mesma poca, Ruth e Grant formam um par muito mais romntico de que ela e Luke.
	Bom, mas Bobbie e Luke tm uma linda filha e so timos profissionais em suas reas  Guy comentou.  E os avs dela esto aposentados e livres para se dedicarem um ao outro.
	Eles podem estar aposentados, mas Ruth pertence a muitos comits locais e se desdobra com as entidades de mes solteiras  Jenny lembrou.  Grant tem participao em muitos negcios, o que o mantm ocupado. s vezes fico exausta s em ouvi-los contar as suas atividades. A energia e a alegria de viver de Ruth e Grant so o oposto da crescente falta de interesse em tudo, por parte de Ben. Ele nem parece irmo de Ruth.
	Jenny se preocupava muito com o sogro.
	Ele ainda concorda em fazer a operao para substituir a articulao entre o fmur e o osso ilaco?
	Espero que sim.  Jenny suspirou.  Est marcada para o fim do vero. Maddy vai estar aqui e cuidar de Ben, quando ele sair do hospital. Ben gosta muito dela, talvez por ser esposa de Max a quem ele admira tanto.
	Voc se preocupa muito com seu filho, no  mesmo?  Indagou Guy.
	E verdade. Ele  dono de uma ambio sem limites. Ben sempre o mimou bastante, e Max acredita que  merecedor desse tratamento diferenciado.
Pensei que, ao se casar com Maddy...  Jenny parou de falar e fez um gesto de desnimo, encerrando o assunto pessoal.  H alguma coisa interessante nessa caixa?
Guy respeitou a tristeza presente nas palavras de Jenny e tambm mudou de assunto.
	Pelo jeito no. S encontrei muitos objetos sem valor. Ah, Jenny... recebi um chamado esta manh, para fazer outra avaliao. Duvido de que haja alguma coisa que possa interessar. Charles Platt.
	Charles Platt? Entendo o que voc quer dizer.
	Sem medo de errar, afirmo que ele cavou sua prpria sepultura.
	Pobre homem  Jenny se condoeu pela sorte do falecido.
	Nada disso  Guy comentou.  Era o homem mais trapaceiro da cidade. Seus pais o repudiavam publicamente. Morreu endividado.
	Jenny pensou, ao notar o tom de voz de Guy, se ele tambm no era um dos credores de Charles. Se assim fosse, ela duvidava de que Guy tirara algum proveito com aquele emprstimo.
	Guy, de modo geral, era um homem complacente, piedoso, sempre disposto a fazer julgamentos honrosos das pessoas. Mas tambm tinha um orgulho feroz, proveniente talvez dos caracteres hereditrios de sua estirpe. Os Cooke eram descendentes de ciganos e faziam parte de uma grande famlia espalhada pela cidade. 
	Segundo a histria local, uma ingnua filha de um diretor de escola cedera aos encantos de um cigano pertencente a um bando de origem romana. Eles eram, em geral, alvos tanto de admirao quanto de desprezo pelos membros da comunidade.
	A jovem fora obrigada a casar-se s pressas com um vivo encarregado de uma taverna, para dar um nome  criana que iria nascer.
	Havia uma tendncia de encarar as atividades profissionais e privadas do cl dos Cooke como suspeitas ou invejveis, dependendo da situao de cada um na hierarquia da cidade.
	Havia geraes que o sobrenome Cooke era sinnimo no apenas de tabernas e hospedarias, mas de invaso de propriedades, jogatinas e outros mtodos menos lcitos de negcios. Os devotos da comunidade atribuam aqueles costumes aos genes provenientes dos antepassados errantes e desocupados.
	Entretanto, nenhum membro da famlia mantinha qualquer uma dessas atividades escusas. Segundo Guy contara  Jenny, aquelas prticas no ocorriam mais desde a gerao de seu av e da maioria dos parentes masculinos. Muitos deles se engajaram no Regimento de Cheshire, durante a Primeira Guerra Mundial.
	E difcil livrar-se desse estigma  Guy dissera a Jenny.  Um Cooke  sempre um Cooke!
	E esse ar de bandido moreno e bem-apessoado tambm no ajuda muito  Jenny caoou com ele.
	No mesmo  concordou ele, seco. J perdera a conta de quantas moas foram proibidas de namorar com ele, quando jovem. Imaginava que devia ser o nico adolescente da localidade com fama de selvagem e perigoso, enquanto ainda conservava a virgindade. Aquele era um dia de meio expediente. Depois que Jenny foi embora, Guy trancou a loja e foi para casa fazer o balano de seus outros negcios. Tinha uma sociedade com a irm e o cunhado em um restaurante muito concorrido da cidade e tambm tinha uma pequena participao em uma construtora de um outro parente.
	Ultimamente pensava em investir em pequenas propriedades para reformar e alugar por prazos curtos, para empregados de uma grande multinacional que havia se instalado no local.
	Mas sua grande paixo era a loja de antiguidades, principalmente o mobilirio, e se ocupava disso quase em tempo integral.
	Ele e Jenny tinham sido os principais incentivadores da feira de antiguidades, que teria lugar em Fitzburgh Place no ms seguinte. Guy examinava a lista de expositores e a lista dos convites enviados. Era um evento que visava promover a valorizao das antiguidades e tambm levantar fundos para as casas das mes solteiras, obra de caridade preferida de Ruth e Jenny.
	Lembrou-se de Charles Platt.
	Guy entrara no colgio quando Charles j estava se formando.
	Atualmente, homem forte e musculoso, nem de longe lembrava o menino magro, plido e de aparncia vulnervel que sofria de bronquite asmtica. Guy, o caula dos irmos, era quieto, estudioso e mimado pelas mulheres da famlia. Charles Platt vira nele a vtima ideal para extorquir dinheiro.
	Guy tentara resistir. No pelo valor em si, j que os seus primos mais velhos e mais violentos lhe tomavam tudo.
	Charles descobrira o seu medo de gua e logo se aproveitara do fato. Guy nunca esqueceu o dia em que Charles quase o afogou, mantendo-o sob a superfcie do rio, at que apareceu um de seus primos mais velhos. Vendo o que se passava, tratou de fazer justia, deu alguns socos em Charles e acabou com o tormento do menino.
	Naquele vero, Guy aprendeu a nadar. Depois que Charles saiu do colgio, ambos somente se encontraram quando j eram adultos, e Charles, um alcolatra.
	Charles estava morto. Guy no ficara surpreso e nem sentira pena. Aquelas recordaes quase o fizeram ignorar o pedido de avaliao dos mveis que escutara em sua secretria eletrnica feito em nome de Chrissie Oldham sobre os bens de Charles.
	Quem seria ela? Pela voz ntida e equilibrada, no parecia ser uma das namoradas de Charles. Deveria ser a encarregada de vender a propriedade.
	A morte de Charles o fizera refletir sobre a vida. Estava com quase quarenta anos, um belo saldo bancrio e um pequeno grupo de amigos.
	Por ocasio do Natal, Avril, sua irm mais velha, vendo-o brincar com os sobrinhos, lamentara o fato de Guy ainda no ter se casado e constitudo famlia. Ele argumentara que Avril era quinze anos mais velha que ele.
	Ele s se casaria com algum que amasse muito. E essa pessoa especial ainda no aparecera. Ou melhor, aparecera uma vez. Mas ela j era casada...
	Guy se levantou, foi at a janela, parou e ficou pensando.
	Ele se mudara para aquela casa havia seis meses. Situada em um bairro nobre da cidade, pertencia a uma vila de casa iguais, construdas para moradias dos membros do clero. Ruth, tia de Jenny, tambm morava naquele local. Entre seus vizinhos estavam alguns alto-executivos da Aarlstoon-Beker.
	No faltaram comentrios de ser muita pretenso para um Cooke ter uma casa to boa. Mesmo um Cooke com diploma universitrio, que viajara por todas as capitais europeias antes de voltar  cidade natal e ali se estabelecer.
	Consultou o relgio. Faltava apenas uma hora para ir  casa de Charles Platt. Ainda tinha muito trabalho para revisar e muitos documentos para arquivar sobre a escrivaninha.
	Chrissie gemeu ao se espreguiar e sentir os msculos doloridos. Desde que chegara a Haslewich, passara o tempo limpando a pequena casa de seu tio. Uma tarefa quase herclea. Encontrara o quarto que planejava ocupar na sua breve estada por ali, atulhado de papis inteis e contas no pagas. Ela fora ao supermercado comprar sacos para embalar lixo, e sorriu ao ver o olhar espantado do caixa, pela quantidade que levou.
	Pensou em fazer uma fogueira no jardim com aquela enorme quantidade de papis. Mas teria de pedir permisso s autoridades locais, pois seria uma fogueira imensa.
	Contratou um caminho aberto, e naquela manh dois homens haviam recolhido todos os sacos cheios de entulho que ela embalara.
	A casa era semelhante a uma srie de outras construdas na sada da cidade, atrs dos muros de um castelo destrudo durante a Guerra Civil.
	Chrissie admitiu que, com um pouco de imaginao e muito trabalho, a casa poderia se tornar uma moradia charmosa para uma pessoa solteira ou um casal sem filhos.
	Vrias casas da rua, reformadas e pintadas, deixavam ainda mais evidente o miservel abandono da casa de seu tio.
	Esvaziara o pequeno quarto de hspedes para ter onde dormir. Sua me certamente teria aprovado a maneira como ela esfregou e desinfetou o banheiro e a cozinha. No quis usar o velho refrigerador, depsito de comidas azedas e emboloradas.
	As roupas do tio, devidamente ensacadas, iriam para uma instituio de caridade. J havia agendado para o dia seguinte uma reunio com o advogado de Charles.
Como ela e seus pais suspeitavam, a casa no tinha objetos disponveis para pagamento das dvidas, exceto a pequena mesa de pau-amarelo.
	Ela contou  me sobre aquele objeto, e Rose lhe disse ter pertencido  bisav de Chrissie.
	No venda  Rose disse  filha.  Mandaremos avaliar e o compraremos do esplio. Ainda bem que Charles no o vendeu. Ser que esto a as gravuras de Nan Staffordshire?
	Sinto muito, mame, mas no achei.
	Ela prometeu mandar avaliar a pea em separado pelo comerciante que faria a anlise das bugigangas que encontrara na casa.
	Ela limpou e lustrou a delicada mesa. Era sem dvida uma pea muito atraente. Era muito resistente, e ao mesmo tempo delicada.
	Chrissie olhou o relgio. O antiqurio recomendado pelo advogado deveria estar chegando. Juntou toda a moblia que gostaria que fosse avaliada, com exceo da mesinha. Um agente estadual tambm fora chamado para determinar o valor de venda da casa. Estava cansada, mas pelo menos a casa estava limpa. Limpou um resto de teia de aranha e sujeira de sua camiseta branca.

CAPTULO III

	Guy bateu  porta da casa de Charles. Prevendo a sujeira que iria encontrar, vestiu jeans desbotado e surrado, e camiseta velha e justa.
	Chrissie abriu a porta. Ao ver Guy, espantou-se. J ouvira falar em amor  primeira vista, mas jamais acreditara nele.
	Em menos de um minuto chegou  concluso que achara o homem de sua vida. Achou absurdo aquele pensamento. Entretanto, no conseguia desviar da intensidade do olhar magntico de Guy. Era como se ambos estivessem num mundo  parte, onde nada mais importasse.
	Chrissie sentiu o corao disparar e faltar o flego, enquanto Guy a fitava de forma irresistvel.
	Ao abrir a porta, notara de imediato o porte musculoso e harmnico do homem muito bem-apessoado que estava  sua frente. Mas o que sentiu, foi muito alm da beleza fsica. Era uma atrao profunda.
	S podia ser devido a uma forte ligao psquica, do fundo da alma, pensou Chrissie, enquanto se voltava para dentro da casa e sentia a respirao dele s suas costas.
	Guy no podia acreditar no que acontecia. Lembrava-se das histrias de premonio de seus antepassados ciganos, e de alguns Cooke que herdaram aqueles dotes espirituais. Quase no sculo XXI, ele se considerava um homem moderno e no acreditava nessas coisas. Mas naquele momento, teve conscincia do momento mgico de discernimento que experimentara quando a vira. Sentia como se j houvesse acariciado aquela maravilhosa cascata de cabelos ruivo-escuros, sentido o cheiro e o sabor de seu corpo, ouvidos os sussurros, gemidos e o grito no momento em que compartilhavam do prazer maior. Ele reconheceu...
	Estava ali a nica mulher que poderia completar a sua vida e faz-lo feliz. O corao de Guy estava aos saltos, e a cabea latejava. Se estendesse a mo, acreditava que ela lhe daria a sua, e o seguiria em silncio, como uma pessoa ingnua e submissa. No entanto, j no primeiro olhar, soube que era uma mulher instruda e consciente de seu poder feminino.
	Ele entrou e fechou a porta atrs de si. Instintivamente estendeu a mo para acariciar-lhe o rosto. No mesmo instante, Chrissie virou a cabea e lhe beijou a palma da mo.
	Guy gemeu e a puxou de encontro a ele. Um se encostou firmemente no outro.
Ele passou os dedos na boca macia e a beijou. No saberia dizer quem tremia mais. O pequeno sussurro de prazer que ouviu, tornou-se mil vezes maior dentro de seu prprio corpo.
	Chrissie tremia violentamente pela emoo do beijo e da surpresa que o destino reservara para ela. Jamais poderia imaginar que estaria abrindo a porta, no para um avaliador, mas para o seu futuro.
	Nunca fora uma mulher de rpidas intimidades ou de amores inconsequentes. Muito pelo contrrio. No entanto, compartilhava da intimidade com um desconhecido e de uma grande emoo sem palavras. 
	Quem era aquele desconhecido?
	Nunca imaginou que poderia reagir daquela forma a um toque, a um beijo, a ponto de desejar algum imediata e irresistivelmente. Teve plena conscincia do violento poder de atrao dele. Ele teve vontade de eliminar a barreira das roupas, para conhecer cada centmetro de sua pele, encostar-se nela, sobre ela, para repartirem a nsia incontrolvel.
	Chrissie lhe ouvia os sussurros, dizendo que a amava, e como havia esperado tanto tempo pela mulher de sua vida. Palavras desconexas e sensuais.
	Ela no tinha a menor ideia de quanto tempo ficaram se beijando, tocando, querendo... Quando ele finalmente a soltou, ela tremia a ponto de no conseguir permanecer em p, os lbios inchados e machucados.
	Chrissie engoliu em seco, fitou-o, e ele lhe apertou as mos. Ela ansiava por estar novamente em seus braos, sentir-lhe o corpo msculo e ao mesmo tempo inebriar-se com a sua alma. Angstia e sofrimento misturavam-se  vontade de amar aquele homem.
	Guy a desejava tanto, que no sabia como conseguira se afastar dela. No era um homem que s pensava em sexo. Mas naquele momento...
	Jamais senti uma coisa dessas antes  Chrissie confessou.
	E eu acho que mataria qualquer outro homem que...  a voz de Guy soou spera.
	Ela entendeu o significado daquelas palavras pois tambm sentiria um cime violento de qualquer mulher que o provocasse.
	Ela inspirou fundo, mas no recuperou sua respirao normal.
	Eu o amo muito  Chrissie confessou.
	Guy tornou a abra-la, as mos deslizando em suas costas.
	Por alguns minutos, s houve o som dos beijos apaixonados, cada vez mais intensos, e da respirao forte, entrecortada. Quando Guy acariciou-lhe os seios. Ela se contraiu em movimentos espasmdicos, numa sensao semelhante a uma descarga eltrica que ia dos mamilos intumescidos s entranhas. Sentiu uma convulso motivada pela intensidade da excitao.
	No, por favor  ela sussurrou, mas se contorceu para trs e manteve a mo de Guy em seus seios.Com a ponta do polegar, ele roou o mamilo coberto ainda pelo tecido, at ela implorar que o saboreasse.
	Naquele momento, tudo tornou-se inexplicvel e inebriante para Chrissie. Toda a sua sensatez e conduta exemplar nada mais significavam. Os seus parmetros passavam a ser as prprias sensaes e necessidades.
	Pensou que fosse desfalecer quando Guy levantou-lhe a camiseta e prendeu os bicos duros e intumescidos com os lbios quentes. Ouviu-lhe os murmrios enquanto a acariciava e sentiu-lhe a fora do desejo.
	Chrissie tambm ansiava por tocar, examinar e conhecer aquele corpo musculoso. J no se satisfazia com a boca sorvendo os mamilos. Queria mais, muito mais. Ergueu-lhe o rosto com delicadeza, fitou-o intensamente e, devagar, pegou-lhe a mo e o conduziu at a escada.
	Voc no precisa fazer isso  Guy sussurrou.
	Eu preciso, mas se voc no quer...
	A sinceridade de Chrissie o comoveu e fez crescer ainda mais a excitao. Ela era to confiante, entregava-se sem reservas... Era perfeita.
	Voc sabe quanto a desejo!  Ele afirmou, e com um sorriso desairoso abaixou o olhar para o prprio corpo.  Tenho receio de que a resposta seja muito evidente.
	Chrissie lutou para dissimular a vontade de explorar a rgida manifestao da masculinidade ardendo por ela. Mas Guy j percebera a linguagem de seu corpo delgado enquanto a devorava com o olhar.
	Pela primeira vez em sua vida, Chrissie orgulhou-se de suas formas e entendeu que no teria vergonha de sua nudez na frente dele. Ficaria vaidosa de ser mulher, de sua feminilidade, e o trataria com admirao e reverncia. Do mesmo modo, a nudez de Guy seria normal para ela.
	Chrissie abriu a porta do pequeno quarto de hspedes e percebeu-lhe o ligeiro tremor da mo.
	Lamentou, apenas por um instante, a pobreza do cho e das paredes limpas, a simplicidade do colcho inflvel e dos lenis brancos de linho que trouxera de casa. Para que lhes serviriam os ornamentos, cetins, camas de dossel, brocados e grossos tapetes? Ambos j possuam toda a riqueza, luxria, sensualidade que se poderia esperar de uma paixo.
	Guy examinou o quarto despojado em silncio. Tinha um cheiro de frescor e limpeza, um leve odor agradvel. Marcava o perfume e a presena de Chrissie.
	Voc est mesmo aqui?  Guy perguntou. Haslewich era considerado um lugar seguro para se morar. Porm a casa de Charles situava-se em uma das partes mais pobres da cidade, e naquelas ruas noticiavam-se vrios incidentes como brigas de jovens, e at pontos de venda de drogas.
	Pareceu-me a coisa mais sensata a fazer Chrissie respondeu.
Talvez ele quisesse ir embora, chocado com a rudeza do quarto ou com a atitude atrevida dela. Guy no poderia adivinhar como aquela situao toda era inusitada e inexplicvel tambm para Chrissie.
	Se voc prefere...  Chrissie hesitou. Guy no a deixou terminar e a pegou nos braos.
	No... tudo  perfeito. Voc  perfeita. Assim  que entendo o amor. Espontneo, descontrado, e vivel apenas por si mesmo. Simplesmente instintivo, natural, completo e claro. O verdadeiro amor no precisa dos artifcios da seduo. Nada que seja artificialmente imposto poder se comparar  sua beleza ou  grandeza do que vamos compartilhar ou criar.
	Chrissie se emocionou com as palavras de Guy. Era exatamente o que pensava sobre o amor. Os dois estavam em total harmonia, como se fossem uma s pessoa. 
	Lgrimas de emoo lhe turvaram a viso.
	Ela tocou-lhe a boca com a ponta dos dedos trmulos, e sentiu a maciez dos lbios em contraste com a ligeira aspereza da pele escanhoada.
	Chrissie.
	Ele sugou-lhe os dedos, um por um, sem tirar os olhos da amada. Chrissie o fitava e emitia sons guturais ao sentir a sensualidade das carcias. Ela se comovia  vista de tanto desejo.
	Nas poucas experincias sexuais de Chrissie, ela fora passiva. Nem pde acreditar na sofreguido com que comeou a tirar a roupa, ansiando pelos carinhos na pele nua. Guy ajudou-a a despir-se. Os gemidos se transformaram em suspiros de prazer.
	Chrissie se desnudou diante de Guy e temeu que o odor de seu corpo, de sua excitao e desejo no o agradassem.
	Ele se aconchegou entre os macios seios dela.
	Hum... Voc tem um cheiro to bom... Um cheiro de mulher.
	Aqui h um chuveiro. Eu...
	Nem pense. Nem pode imaginar como voc  sensual, com essa fragrncia. Tenho vontade de toc-la, sentir seu sabor, explorar e conhecer cada pedacinho de seu corpo.
	Chrissie ficou confusa e insegura, pela primeira vez desde que o encontrara.
	No quero voc limpa e perfumada. Me agrada como voc est agora. Uma mulher calorosa, excitada, com o perfume do desejo. E espero que sinta o mesmo por mim.
	Claro.  Ela queria aspirar o cheiro de Guy e saborear o gosto de sua pele.
	Ela estremecia ao v-lo tirar as roupas. Tinha um fsico atltico, firme e musculoso. Perfeito! O corpo era coberto de minsculos caracis de plos pretos e sedosos. Ela sentiu a tenso daquele momento.
	De maneira muito diferente das vezes anteriores, Chrissie queria olhar para aquele corpo e matar a sua curiosidade de mulher vibrante pela sensualidade do homem.
	Ela no se deu conta de quanto tempo estivera s observando, at que ele a acordou do transe.
	Passei no teste?  Ele brincou.
	Chrissie abaixou a cabea, desarmada. Guy sorriu e a abraou.
	No se preocupe, voc tem todo o direito de olhar e julgar. Entre ns no deve haver barreiras, inibies, nem lugares que no meream serem tocados. Afinal de contas, olhar um para o outro com aprovao, s estimula e aumenta o desejo!
	Antes que ela pudesse falar algo, ele curvou a cabea e a beijou. Chrissie pressionou seu corpo contra o de Guy, e teve espasmos incontrolveis  medida que as lnguas se procuravam e se acariciavam com volpia. Guy lhe explorava o corpo com leve toque de dedos. Parou as mos sobre os quadris e a puxou mais ainda contra ele, enquanto murmurava, que a amava e desejava muito.
	Ela sussurrou as mesmas palavras no ouvido de Guy, ao mesmo tempo em que ele a erguia e deitava na cama. Ela fechou os olhos e estremeceu quando sentiu a boca tpida acariciando a pele macia de seu corpo. Uma sensao delicada e ao mesmo tempo poderosa, como se milhares de minsculas flechas de prazer explodissem nela qual flores que desabrocham ao sol.
	Voc gosta?  ele perguntou, com voz rouca.
	Ela s conseguia gemer em aprovao. Guy continuou a passar os lbios sobre o corpo de Chrissie com tanta leveza que mal o tocava. A impresso de delicadeza no se desfez, nem mesmo quando ele cobriu-lhe o sexo com a mo protetora.
	Chrissie abriu os olhos. Guy estava ajoelhado entre as suas pernas, venerando o corao de sua feminilidade. Ele resvalou as mos por debaixo dela e a ergueu. Ela no ficou inibida nem envergonhada. Ao contrrio, amou a perfeio da intimidade ao sentir-lhe a lngua provando o orvalho misterioso de seu corpo. 
	Guy, agindo sensualmente, achou o que procurava, e Chrissie se contorceu sem controle, sob a possesso dos lbios dele. Ela no sabia se pedia para continuar ou acabar com aquela doce tortura. Entretanto, o seu corpo queria, necessitava e implorava por mais e mais prazer. O gemido surdo de pura excitao deu a Guy a certeza da mulher maravilhosa que ela era.
	Guy comandava-lhe o corpo e as reaes. 
Chrissie tremia pelo prazer intenso e receio da perda inevitvel do auto controle.
	Pare...  ela implorou.  Tenho medo...
	De qu?  Ele indagou, em voz baixa.  Isto? Guy a tocou, fitando-a, e Chrissie estremeceu.
	Tudo o que est acontecendo  to irresistvel... Nunca... senti tanto... Eu... no sei.
	Antes, voc s experimentou o prazer fsico  Guy adivinhou.  Agora voc, assim como eu, entregou-se por completo, fsica, emocional e mentalmente. E eu tambm tenho medo. De no corresponder s suas expectativas e de perder o que acabamos de encontrar.
	Sei que isso no vai acontecer. Eu preciso de voc e o quero muito.
	Sem nenhum embarao, ela afagou-lhe os plos sedosos do peito, e descendo, encontrou a manifestao do mais puro desejo por ela. Continuou roando levemente os dedos, e ento foi a vez de Guy gemer, com os olhos fechados.
 Oh, Deus, como  bom! Muito bom.
	Guy ficou tenso, gemeu novamente, abaixou a cabea e tomou os seios com as mos e lbios. Sorveu os bicos duros com sofreguido, queria sentir aquele suave calor em sua boca, antecipar a tepidez do interior do corpo de Chrissie.
Chrissie murmurou palavras ardentes entre os beijos frenticos.
	Por favor, agora... no suporto mais...  ela implorou.
Ela esquecera todos os receios ante a grandiosidade do que acontecia. Gemeu alto de satisfao quando sentiu Guy invadindo sua intimidade, sofregamente.
	Que sensao divina! Ns combinamos perfeitamente...  ele a encarava transfigurado, com devoo.
	Os movimentos rtmicos de Guy se tornavam cada vez mais fortes. Chrissie no conseguiu responder com palavras, mas seu corpo o fazia por ela.
	Ela no poderia supor jamais tal intimidade e perfeito entrosamento. Compartilhar anseios, emoes, delrios e vibrar na mesma sintonia fazendo ambos se tornarem um ser nico e harmonioso.
	As ondulaes de desejo se tornavam mais e mais urgentes, o corpo de Guy se movia dentro de Chrissie, que se contraa com o firme pulsar dele.
	E um grito surdo de ambos ecoou, quando sentiram o momento mgico da fuso. Um completara o outro.
	Oh, Guy!  Chrissie chorava de emoo, nos braos de Guy.
	Eu sei, eu sei.
	Guy a consolava com ternura, enxugando-lhe as lgrimas e beijando seus lbios. Ele a aconchegou na proteo de seu corpo, at que ela se acalmou.
	Ainda no consigo acreditar no que aconteceu  Chrissie confessou, um pouco envergonhada.  Eu no sei...
	No sabe o qu?  Guy a interrompeu, beijou-lhe a palma da mo.  Ns trilhamos um caminho muito alm da vergonha e do fingimento. O que ns temos... e o que poderemos ter...
	Os olhos de Guy ficaram marejados de lgrimas. Chrissie o confortou e beijou sua boca com todo o amor que nutria por ele.
	Ns precisamos conversar, mas no aqui Guy confessou. - Se eu ficar aqui...
	Chrissie sentiu o olhar quente sobre o seu corpo despido. Ela admitiu que era verdade. Mesmo agora, tranquila e descontrada, se ele... Guy estava certo. Havia muito para conversar, saber e descobrir.
	Vamos jantar juntos  continuou Guy.  Nem me ofereo para vir busc-la seno... Minha irm e meu cunhado tm um pequeno restaurante. Podemos nos encontrar l. Que ironia, t-la encontrado na casa que pertenceu a Charles Platt.
Ele percebeu a estranheza no rosto de Chrissie.
	Ns nunca nos demos bem  ele explicou.
	Voc no gostava dele  ela comentou e desviou o rosto.
	 verdade  Guy concordou.  De fato... Bem, no vamos falar de Charles Platt. Ele no significa nada para ns.
	Guy...  Chrissie tentou explicar, mas desistiu.
	Gosto da maneira que pronuncia o meu nome  Guy afirmou, em tom apaixonado.  Voc reacende minha vontade de beij-la...
	Voc ainda no viu a moblia  Chrissie o lembrou, arquejante, dez minutos depois.
	Farei isso na prxima vez...  Guy mudou de expresso, os olhos se tornaram mais escuros e pensativos.  Pois, minha Chrissie, haver outras vezes, no  mesmo?
	Ele a beijou novamente, e ela lhe assegurou que eles ficariam juntos para alm da eternidade.
	Decorreu mais de uma hora at que finalmente, tomaram um banho, vestiram-se e decidiram se despedir.
	Chrissie anotou o endereo do restaurante, e ele foi embora. Ela ficou apenas sentada, esperando, contando os minutos e segundos que faltavam para estarem novamente juntos.
	Ainda imersa em seus sonhos, flutuando em uma nuvem dourada de beatitude, ouviu o telefone tocar.
	Chrissie sorriu para si mesma e atendeu.
	Voc parece feliz, minha filha.
	E estou, mame.
	Chrissie contou para a me o que acontecera naquela tarde, emitindo os detalhes mais ntimos.
	Chrissie conversava muito com os pais e no guardava segredos. Mas sabia que certos detalhes eram muito preciosos e sagrados, e no poderiam ser compartilhados com ningum, a no ser com a pessoa envolvida.
	Sei que parece incrvel  ela afirmou para a me.  Se algum me dissesse que ns iramos nos apaixonar  primeira vista,  muito provvel que eu no acreditaria.
	Chrissie, voc tem certeza? Eu no sei...  A voz de sua me parecia insegura.  Sem dvida querida,  surpreendente, mas receio por voc.
	Ele  maravilhoso... Muito mais que isso  ela assegurou.  Mame, ele conheceu tio Charles e tive a impresso de que no gostava muito dele.
 Voc lhe disse que Charles era seu tio?
 No tive chance  Chrissie respondeu.  Tentarei lhe dizer  noite, pois iremos jantar juntos hoje.
 Minha querida, acha mesmo conveniente?  Rose questionou, aps uma pausa.  Detesto ser desmancha-prazeres, mas voc afirmou que ele no apreciava seu tio. Talvez no seja muito sensato contar-lhe a verdade, at que vocs se conheam um pouco mais.
 Voc insinua que devo mentir para Guy?
 No, claro que no... mas acredito que deva esperar para comentar sobre esse assunto  respondeu a me.  Detesto pensar que a m reputao de seu tio possa macular a sua felicidade. As pessoas tendem a fazer julgamentos. Deixe Guy conhec-la um pouco melhor, ento...
 Acha que ele me rejeitaria devido... ao tio Charles?  Chrissie indagou.
 No sei, minha querida. Fao votos que no, mas... seu tio...
No precisou dizer mais nada. Chrissie sabia de tudo. Seu tio fora um mentiroso, trapaceiro e ladro.
 Eu a aborreci, minha filha  Rose lastimou.  E creia, seria a ltima coisa no mundo que gostaria de ter feito.
 No  isso, mame  Chrissie assegurou.  Mas no gosto de ser desonesta com ningum, muito menos com ele.
	Chrissie ficou angustiada pela simples ideia de que alguma coisa pudesse lanar uma sombra na sua felicidade. Sentiu um medo terrvel pela vulnerabilidade de seu amor recm-descoberto. Iria proteg-lo de tudo e todos que representassem uma ameaa.
	Voc j pediu uma avaliao da mesinha para Guy?  a me perguntou.
Chrissie ficou vermelha ao lembrar que no houvera tempo.
	E... ainda no  ela admitiu.  Acho melhor procurar outro avaliador. No quero que ele, nem ningum, pense que estou querendo uma avaliao de favor. Voc entende, no ?
	Claro, claro  sua me concordou.  Voc est certa. O valor sentimental da pea  que a faz valiosa para seu pai e para mim. Ns concordamos em pagar um valor acima de mercado ao esplio, mesmo que por lei eu tenha direito  metade dos bens. Claro, vai ser difcil comprovar. Quando eu penso nas pessoas que seu tio ludibriou...
	Chrissie no fez nenhum comentrio. Ela j conhecia a deciso de seus pais no sentido de obter, por intermdio do advogado, uma lista dos credores de seu falecido tio, no sentido de reembols-los. Por conta deles, se fosse necessrio. Chrissie duvidava de que mesmo aps a venda da casa e o pagamento da hipoteca, sobraria dinheiro para pagar as dvidas.
 Bem, filha  a me quis brincar com ela.  Quando vamos conhecer o heri?
 Vamos aguardar um pouco mais  Chrissie afirmou.  Podem viajar sossegados e pensaremos nisso na sua volta.
Ela deu graas a Deus por sua me no t-la visto corar, lembrando-se de seus sentimentos em relao a Guy. Era tudo muito novo na sua vida, e tinha receio de compartilhar as emoes com outras pessoas.
 Uma mesa para dois... 
 O que aconteceria se eu dissesse que no tem?  Frances Sorter caoou com o irmo.
	Guy ajudara o marido de Frances a montar o restaurante. Eles se davam muito bem, apesar do temperamento forte de ambos. Guy dera um formidvel impulso ao negcio, investindo muito dinheiro e sugerindo inovaes. Quando eles titubearam em assumir um compromisso financeiro extra, Guy os encorajara a aumentar a sala de refeies, e dera a necessria ajuda financeira. Guy acertara. Seu marido Roy, fizera um curso de especializao em comida regional. A fama do restaurante se espalhou rapidamente entre as regies vizinhas, e a casa vivia lotada. Roy usava somente ingredientes de qualidade, vegetais orgnicos e carnes provenientes de animais criados pelos mtodos tradicionais, em vez de serem alimentados com substncias qumicas e hormonais. Os pratos da casa faziam a alegria dos frequentadores masculinos e a tristeza das esposas, cansadas de verem a comida caseira ser comparada  de Roy.
	Paul sempre diz que as massas de Roy so melhores que a de sua me  uma freguesa confidenciou a Frances.
	Os dois filhos do casal faziam o curso de engenharia de alimentos e acabariam ajudando no negcio da famlia. Miranda, sua filha, trabalhava por conta prpria, organizando festas e jantares. Mantinha a tradio de servir comida regional.
	 um jantar de negcios?  Frances perguntou, com delicadeza.
	No.  Guy respondeu.
	Ento  uma mulher...  Frances calculou.
	Acertou  Guy concordou, pensando em confessar que era uma mulher muito especial para ele.
	Mas Guy conhecia a irm. Se falasse alguma coisa, na manh seguinte, todos os membros da famlia Cooke saberiam da novidade. Por enquanto, ele a queria s para si, sem reparti-la com ningum. Ainda no se sentia em condies de enfrentar a sua famlia bastante socivel, porm inquisidora e gregria.
	Ah, quase esqueci de lhe contar!  Frances exclamou.  Houve outro assalto. Dessa vez foi no The Limes. A polcia suspeita ter sido uma quadrilha. Guy sabia que um primo de Roy era inspetor de polcia de Chester, por isso Frances sempre sabia da histria cheia de detalhes.
	Ainda segundo os policiais,  uma gangue que circula bastante. Sempre sabem exatamente o que procuram e evitam coisas muito valiosas que sempre esto bem guardadas e protegidas com alarmes. Chester, com seus antiqurios e visitantes  um lugar ideal para se desfazer do material roubado, vendendo aos comerciantes antes da polcia fazer a listagem do que foi perdido.
	Hum...  o pesadelo dos comerciantes  Guy acrescentou.  Realmente  frustrante descobrir que os produtos adquiridos de falsos colecionadores eram na realidade eram roubados.
	Como vai indo a organizao da feira de antiguidades?  Frances perguntou, mudando de assunto.
	Muita coisa j est resolvida. O maior problema tem sido achar espao suficiente para todos os expositores participantes. Talvez precise vetar a participao de alguns.
	Bem diferente da primeira vez, h trs anos  Frances lembrou.  Na ocasio, voc implorava para as pessoas participarem.
	Nem quero me lembrar!
	Mesmo assim, a feira foi um sucesso. E houve lucro, alm da boa quantia que foi destinada s obras de caridade. Voc pretende fazer uma doao neste ano?
	Claro. Nem Jenny, nem Ruth me perdoariam, se eu no contribusse com as obras delas.
	E com razo. As casas de mes solteiras de Ruth Crighton valem o que se investe nelas. Acho que as pessoas tm prazer em contribuir, por se tratar de uma instituio local e pequena. Quando esteve aqui pela ltima vez, Ruth me contou que est treinando uma equipe de conselheiros para planejar um atendimento ps-parto para as mes e peditrico para os bebs.
	Tenho a impresso de que essa obra assistencial est sobrecarregando Jenny. Talvez, em breve, ela venda sua parte na sociedade.
	Frances sabia que Guy e Jenny eram scios havia muito tempo, e que, se no fosse por Guy, a loja de antiguidades ainda seria um investimento modesto. Muitas vezes, durante aqueles anos todos, ela pensara na natureza do relacionamento entre eles. Jenny era muito devotada ao marido, Jon Crighton, scio majoritrio do escritrio jurdico da famlia. 
	Por outro lado, Frances achava que seu irmo era extremamente carinhoso e protetor com sua scia. Naquele momento, no entanto, havia uma nova mulher na vida de Guy. Frances no era nenhuma tola. Tinha conhecimento de que seu irmo no era exatamente um monge. Por volta dos vinte anos, ele namorara com muitas jovens belssimas. Mas at ento, j perto dos quarenta, ele ainda no havia demonstrado interesse especial por algum. Quem seria essa mulher e onde Guy a conhecera?
	Muito curiosa, sabia que teria de fazer algumas pesquisas, e sorriu com inocncia para o irmo.

CAPITULO IV

	Mal havia sado do banho, Chrissie ouviu as batidas  porta. Vestiu o roupo, desceu rapidamente e com cuidado, destravou o trinco da porta. O seu receio se transformou num largo sorriso. Guy estava parado, com um enorme ramo de flores.
	Eu ia encontr-lo no restaurante  ela lembrou, convidou-o a entrar e repreendeu-o pelo exagero do ramalhete.
	Eu sei... No consegui esperar. Guy a fitou, deixando-a arrepiada e com calor.
	Voc disse que ns no deveramos... por que...
Chrissie levou as flores para a pequena cozinha, que ficou parecendo um jardim.
	Lembro exatamente do que eu disse  Guy assegurou e a pegou nos braos.  E estava certo. Mas j estava com saudade.
	Passaram-se apenas algumas horas e...  Chrissie achou graa.
	Poucas horas, poucos minutos, no importa  ele retrucou, com paixo.  O menor intervalo de tempo longe de voc, parece uma eternidade.
	Chegaremos tarde para o jantar  ela preveniu, quando Guy comeou a beij-la.
	Ele abriu o robe, e acariciou-lhe o corpo mido e desnudo.
	Ela imaginou que depois da primeira vez, as emoes no seriam to fortes e mgicas. Porm enganara-se. Ambos estavam ainda mais ardentes, o desejo era irresistvel, os corpos se moviam em total e perfeita harmonia.
	Nunca poderia imaginar um amor to completo como esse  Guy comentou, com Chrissie nos braos, aps terem feito amor.
	Nem eu  ela concordou.  E isso me assusta um pouco.  quase... perfeito demais...
	 "a perfeio", sem dvida  ele proferiu.
	Chrissie sorriu, e novamente sentiu-se envolvida pelas ondas da paixo quando Guy, abaixando a cabea, beijou e acariciou-lhe os botes rseos dos seios. Ela gemeu quando ele sugou com os lbios os mamilos. E, ento, o desejo tomou conta de ambos, fazendo com que ansiassem em desespero um pelo outro, at que o xtase os saciou.
	No quero perd-la nunca  Guy falou, aps terem feito amor novamente.
	Nem posso pensar em ficar sem voc  Chrissie admitiu, chorando e rindo, tomada pela comoo.  Quase no posso crer no que est acontecendo conosco. Vim para Haslewich apenas para... resolver algumas coisas.
	Foi o destino que a trouxe  ele corrigiu.
	Jamais teria vindo se no fosse... Sua voz falhou. A despeito do aviso de sua me, ela teria de contar a verdade e explicar seu parentesco com Charles.
Mas Guy tinha outras intenes, e Chrissie esqueceu o que iria dizer. Amaram-se mais uma vez.
	Voc est atrasado, mas mantivemos a reserva de sua mesa  Frances falou sria, quando eles chegaram ao restaurante duas horas mais tarde.
	Chrissie corou ao imaginar que bastava olh-los para que todos soubessem o que estavam fazendo at ento.
	A maquiagem no conseguira disfarar o brilho vermelho da pele, o cansao do olhar ou o intumescimento dos lbios. Ela percebeu a inspeo discreta, mas insistente, feita pela irm de Guy.
	Frances era bonita e tinha cabelos negros. Chrissie comentara com ele, em tom de aprovao feminina, sobre a sua aparncia vigorosa e o calor da pele moreno-dourado. Guy lhe respondera, lisonjeado, que o aspecto fsico era devido aos genes de seus antepassados ciganos.
	Ainda sofremos muita discriminao. Os moradores das pequenas cidades no esquecem que, no passado, cigano era sinnimo de ladro  ele explicou. - Digo isso, pois quero que saiba exatamente quem eu sou. No deve haver enganos, pois
pretendo ser parte integrante de sua vida, daqui para a frente.
	Chrissie emocionada, no tivera coragem de contar sobre a sua famlia.
	Guy est apaixonado por ela  Frances afirmou para o marido, depois que os deixou na mesa e voltou para a cozinha.  Basta ver seu olhar de admirao.
	S voc mesmo, Fran! Guy tem quase quarenta anos, e pelo que eu saiba, h um squito de mulheres interessadas nele. Ele j deixou algumas bem apaixonadas e...
	Essa  diferente  Frances interrompeu-o, desprezando o raciocnio de seu marido. Olhou o relgio e pensou se ainda teria tempo para fazer alguns telefonemas. A famlia ficaria muito interessada no que teria para dizer.
	Se continuar me olhando desse jeito, teremos de sair  Guy advertiu.
Ela se sentia leve e atordoada, no conseguia desviar o olhar de Guy, de sua boca, de seu corpo, de...
	Por favor...  Ela implorou, pois ele tambm a fitava com tal intensidade que a pele chegava a queimar.  Ns estamos muito sensveis.
	Sensibilidade no seria bem o termo... Chrissie, ns nos apaixonamos. Eu no consigo ficar longe de voc e ainda nem sei por quanto tempo voc ficar por aqui.
	Eu tambm no sei. Amanh tenho um encontro com Jon Crighton. Preciso conversar com ele sobre o inventrio.
	Jon  marido de Jenny! Ela  minha scia na loja de antiguidades.
	Chrissie estranhou a maneira calorosa como ele se referiu  mulher de Jon.
	Voc deve estar trabalhando para a famlia Platt. No  de admirar que eles no queiram tratar do assunto pessoalmente. 
	A famlia no pode ser acusada pelo comportamento condenvel de Charles  ela protestou.
	Minha famlia sabe, mais de que ningum, que nas cidades pequenas as pessoas tem memrias longas e mentes estreitas. Charles prejudicou muita gente e, certamente, no faltar algum que ache que toda famlia deva ser colocada sob suspeita.
	E isso que voc pensa?  Chrissie perguntou, tensa.
	O que importa isso?  Guy pegou na mo dela, e estremeceu.  Para ser honesto, no estaria muito inclinado a ter simpatia por algum membro da famlia Platt, mas nem ele nem qualquer um deles me interessam. A nica pessoa que me interessa, e sobre a qual desejo conversar,  voc. Ento, conte-me...
	Bem, estou representando a famlia Platt  Chrissie no se sentia  vontade por estar mentindo.  Vou me encontrar com seu advogado e colocar a casa dele  venda.
O que mais poderia ela dizer, depois de tudo o que ouvira?
	Jon a ajudar em tudo. Os Crighton so os advogados mais tradicionais da cidade. A ligao dos Crighton com o Direito  muito antiga, e data da chegada dos antepassados de Jon a Chester.
	No sabia disso.
	H membros da famlia que ainda exercem advocacia em Chester. Entretanto Max, filho mais velho de Jon e Jenny, trabalha em Londres.  uma famlia grande, mas no como a dos Cooke. Os nossos genes so muito frteis. Para alegria de uns e tristeza de outros, ajudamos a colonizar esta cidade.
	Aquele comentrio sobre fertilidade assustou Chrissie. Ocorreu-lhe que, na nsia do amor e da paixo, nenhum dos dois se lembrou da necessidade de proteo. Tinham agido como adolescentes, e no duas pessoas maduras. Transtornados pelo sbito desejo, no pensaram em precaues ou consequncias. Precisava discutir o assunto com Guy.
	Alguma coisa errada?  Guy perguntou, vendo a expresso preocupada de Chrissie.
	Ela acenou negativamente, com um gesto de cabea. O mdico lhe receitara anticoncepcionais para regular o ciclo menstrual. Seria um bom mtodo de proteo. Na verdade, nunca tivera problemas. Tomara a ltima plula havia alguns dias, e a receita para comprar a prxima carteia, ainda estava em sua bolsa. A primeira coisa a fazer na manh seguinte, seria correr para a farmcia.
	No... nada.  Ela parou de falar, pois percebeu a aproximao de Frances.
	Tudo bem?  A irm perguntou, vendo que mal haviam comido.  Ser que no gostaram do jantar?
	Claro que sim! Acho que no estvamos com muita fome  Guy respondeu.
Frances chamou uma garonete para retirar os pratos e foi para a cozinha.
	A que hora vai se encontrar com Jon?  Guy fez a pergunta, assim que sua irm se retirou.
  Amanh cedo, tenho uma reunio com o administrador dos bens de lorde Astlegh, para tratar de assuntos relativos  feira de antiguidades que estamos organizando. Vai ser realizada num local muito bonito e tradicional da cidade. Pensei que talvez gostasse de vir comigo. E uma casa belssima e muito interessante. Os jardins so grandiosos. Se tudo der certo, a feira ser um belo espetculo
	Eu adoraria!  Chrissie apreciou o convite.  Meu encontro  s trs...
	timo. Podemos almoar juntos!
	Ele teve certeza de que a irm j avaliara seus sentimentos em relao  Chrissie e que logo passaria as informaes  famlia. Por enquanto, seria melhor preservar o amor que florescia.
	Se no quer mais nada, podemos ir embora e tomar caf num cantinho mais tranquilo...
Chrissie o fitou, expressando no olhar tudo o que sentia.
	Eu adoraria  ela sussurrou, j ofegante. 
	No ficou surpresa ao perceber que Guy a levava para a casa dele. Mas sentiu o corao bater forte, ao chegarem  vistosa casa de tijolos aparentes em estilo georgiano, com trs pavimentos e terrao. Atravessaram o caminho estreito que levava  porta de entrada, imaculadamente pintada de branco.
	Eles passaram pelo hall de p-direito alto, e Guy acendeu as luzes. Entraram na sala de estar, elegantemente decorada com moblia finssima, porm discreta. O carpete combinava perfeitamente com os mveis em estilo clssico. Havia vrios tapetes persas espalhados pela sala. Perto da lareira, um conjunto com dois sofs grandes com braos estofados, feitos em tecido adamascado na cor creme. Os sofs estavam colocados de frente um para o outro. Vasos de cristal, pratarias, objetos de estanho e belos quadros completavam o ambiente.
 Fique  vontade.  Guy fez uma mesura de cavalheiro.  Vou fazer caf.
 Prefiro ir com voc.  Chrissie sorriu e, trmula, segurou-o pela mo. 
	Ela experimentava uma nova emoo. Estava, a cada minuto, consciente de sua feminilidade, de seu desejo intenso por ele. Palavras, sentimentos e anseios incontidos, que deixavam de lado sua cautela natural, preenchendo a lacuna com desejos e necessidades audaciosas. Todos os sentidos estavam concentrados na presena de Guy e no poder que ele emanava.
	A cozinha era bem grande, e Guy se movia nela com desenvoltura, abrindo armrios, pegando xcaras, enchendo a chaleira. De costas para ela, pegava o pote de caf. Chrissie observou seus ombros largos e a cintura estreita. Pernas longas e quadril bem torneado. Sentiu uma vontade louca de abra-lo, tirar sua camisa, beij-lo e ser beijada. Suspirou.
 Alguma coisa errada?  Ele perguntou.
 Nada...  ela insistiu na resposta, mesmo estando preocupada.
Guy colocou as canecas na mesa.
 O caf est quase pronto, a gua j ferveu.
Chrissie no pensava no caf. Aps observar cada movimento de Guy, ficou ainda mais ansiosa por seus toques, pele, todo o seu corpo.
	Guy, eu no quero beber nada, eu quero... voc.
	Oh, Deus, o que devo fazer para deix-la feliz? Ele a abraou, demonstrando quanto a amava e desejava.
	Voc sabe que a quero muito  ele sussurrou e a beijou.
	Mostre-me ento  ela colocou-lhe os braos ao redor do pescoo e apertou-o com o prprio corpo.
	Muito vagamente, teve a lembrana de que precisava revelar a verdade sobre o tio, mas no podia mais raciocinar. S tinha percepo de um corpo forte e rijo, desejando-a com a mesma intensidade de que ela o queria. Rapidamente esqueceu os pruridos de correo e franqueza, por recear qualquer coisa que pudesse atrapalhar seu amor recm-descoberto.
	Subiram lentamente a escada, cada um se regozijando com a proximidade do outro. Guy a levou para seu quarto. A decorao do ambiente era feita em estilo country com mobilirio antigo muito slido. A cama toda em carvalho tinha quatro colunas entalhadas e estava recoberta com uma colcha verde-escuro em cetim matelass. Havia harmonia entre aquelas cores e as peas de decorao que circundavam a poltrona e as banquetas.
	J pensei em fazer design de interiores  Guy confessou, ao perceber o olhar de aprovao de Chrissie.  Algumas vezes somos chamados para fazer consultoria de decorao.
	Foi voc quem fez a decorao do restaurante?  Ela reparara nos mveis confortveis feitos com madeira natural, que tornavam o local muito agradvel.
	Fui eu, sim. Frances e Roy pretendiam aumentar o espao, e fazer uma rea reservada para jantares e festas. Pensei em combinar cores com o estilo da casa, para tornar o ambiente aconchegante. A rea externa, com as mesas e cadeiras, ficou por
conta de minha irm e meu cunhado. 
	Aprendi um pouco sobre estilos, cores e pintura de paredes e tetos, no tempo em que morei e trabalhei na Itlia. Passei alguns anos naquele pas. Posso dizer que eles levam muito a srio qualquer tipo de manifestao artstica. Fiquei maravilhado com a perfeio dos afrescos.
 Itlia... Hum... Estive alguns meses por l, no ano passado. Adorei Florena.
	Guy lembrou de sua estada na Itlia. No tinha sido uma simples viagem de frias. Fora sobretudo motivada pela necessidade de conhecer um mundo diferente daquele em que havia crescido. Tinha na poca vinte e poucos anos, e trabalhara em servios braais, pesados e sujos. Enfrentara bares e cozinhas, colheita de batatas, aceitando qualquer tipo de servio. Precisava ganhar dinheiro para sustentar os cursos de arte que fazia.
	Chrissie, com certeza, tivera uma formao muito diferente, refletiu Guy. Sua famlia deveria ser de classe mdia-alta, o pai um profissional de sucesso, e a me, uma ativa voluntria de obras de caridade. Chrissie deveria ter estudado em colgios particulares.
	Guy notara a sua relutncia em falar sobre ela mesma, talvez pelo fato de perceber que pertenciam a mundos diferentes. Seus prprios pais, mesmo que prsperos e trabalhadores, tinham um modo de vida muito diverso das altas classes sociais.
	Seu pai servira na Marinha. Era tradicional na famlia Cooke, os jovens se incorporarem nas Foras Armadas. Aps conhecer a me de Guy e com ela se casar, comprou uma taberna, outra paixo daquela famlia.
	A impacincia e vontade de conhecer outros lugares, herdados dos antepassados ciganos, fizeram de Guy, na sua juventude, um viajante contumaz. Os anos passados no continente europeu ampliaram seus horizontes.
	Apesar do sucesso profissional e financeiro, Guy tinha conscincia de que muitas pessoas o olhavam com desconfiana. Infelizmente, a diferena de classes no era coisa do passado.
	Chrissie, aninhada nos braos de Guy, aps terem feito amor, pediu-lhe que contasse sobre a feira que estava organizando. Guy relatou alguns fatos e procedimentos, com modstia.
	Jenny dissera, na semana anterior, ter sido uma faanha conseguir que lorde Astlegh cedesse Fitzburgh Place para a realizao da feira. E com certeza, fora esse fato que elevara o nvel e a qualidade dos expositores.
	Guy tinha sido bastante criterioso na escolha dos fornecedores e distribuidores de alimentos que participariam da feira. A parte musical ficaria a cargo da orquestra de uma escola de msica da cidade e de um quarteto de cordas. Haveria ainda a participao de conhecidos malabaristas e outros artistas para animar o evento.
A imprensa local e nacional mostrara grande interesse na cobertura dos trs dias em que se realizaria a feira. O lorde, representante do condado, seria o anfitrio na recepo de abertura.
 A preocupao com a segurana em um evento dessa natureza, deve ser enorme, comentou Chrissie.
	Ela lembrou das dificuldades que sua me enfrentara para conseguir segurana adequada em um de seus eventos sociais de caridade.
	Com certeza  confirmou Guy.
	Ele j perdera a conta de quantos encontros tivera com o paciente inspetor de polcia responsvel pela rea em que se realizaria a feira. A maior dificuldade fora a contratao de pessoal e aquisio de alarmes portteis.
	 impossvel prever tudo  afirmou Guy.  Em ltima instncia, cada participante dever se ocupar com sua prpria segurana. Um dos maiores problemas que encontramos at agora, tem sido a dificuldade em obter permisso das seguradoras que cobrem o evento.
	Suponho que lorde Astlegh deva ter objetos antigos muito valiosos  Chrissie avaliou.
	E em grande quantidade  Guy respondeu.  Uma excepcional coleo de obras de arte e porcelanas raras.
	Chrissie sorriu ao lembrar que muitas vezes ajudava a me na organizao das festas de caridade.
	Entretanto esqueceu tudo quando ele a beijou, e ela percebeu que no estava to sonolenta como parecia.
	Hum...  Chrissie se espreguiou, sentindo seu corpo ser acariciado.
	Acorde, dorminhoca. So nove horas da manh.
	O qu?  ela abriu os olhos, descrente.  No pode ser!
	Veja voc mesma  disse Guy, sorrindo e mostrando o relgio.  E voc estava roncando at agora.
	Roncando?  Chrissie repetiu, indignada. 
	Levantou da cama e riu ao perceber que ele caoava. Pegou no travesseiro para atingi-lo, mas ele arrancou-o de Chrissie. Eles se entreolharam, com desejo. Recomearam as carcias, com muito amor.
	Eram onze horas quando saram em direo a Fitzburgh Place. Passaram pela casa de Charles, para Chrissie trocar de roupa.
	Lorde Astlegh foi muito generoso em permitir que a casa e os jardins fossem utilizados para a realizao das festividades locais  Guy afirmou.
 A Aarlston-Becker promoveu, neste mesmo lugar, uma festa maravilhosa, um baile de mscaras. 
	Haviam parado em uma curva de onde podiam admirar a vista espetacular da casa. Um canal dividia os jardins da frente da casa, dos que circundavam o lago artificial, uma ilha e um templo grego.
	O desenho original dos jardins  da poca de Charles II  explicou Guy.  Algumas modificaes foram feitas durante o reinado de William e Mary, portanto, com influncia holandesa. Por sorte, permaneceram inalterados at hoje.
	So lindos  admirou Chrissie.  Onde vai se realizar a feira?	
	Nos fundos da casa, em uma rea onde ficavam originariamente as estrebarias. Lorde Astlegh fez uma reforma no local e construiu uma srie de oficinas, que so alugadas a preos baixos para os artesos da regio. Ele tambm providenciou uma assessoria comercial, que vai desde a preparao da documentao e contabilidade das pequenas empresas at a colocao e distribuio dos produtos no mercado.
	Ento  um filantropo  Chrissie asseverou.
	 verdade  Guy concordou.  Felizmente esta  uma atitude tomada por vrios proprietrios de terras,  semelhana do duque e duquesa de Devonshire.
	Guy dirigiu o carro por um pequeno atalho e passou por duas grossas portas de madeira instaladas em uma parede de tijolos, chegando, finalmente, aos jardins das cavalarias.
	As estrebarias originais foram transformadas em pequenas unidades de dois pavimentos, com janelas e portas pintadas de verde-escuro, rodeadas pelos jardins que estavam cobertos com uma profuso de plantas de vero. No centro do jardim, havia uma bomba de gua. O local era ideal para aquele tipo de evento. Vrios carros estavam estacionados por ali.
	O celeiro ser limpo e transformado em local de hospedagem para alguns expositores  Guy explicou e apontou para a grande construo de um dos lados da rea retangular.  Vrias unidades vazias sero transformadas em lojas que vendero grande variedade de produtos. Nos jardins sero erguidas barracas. Nos locais onde se guardavam originalmente os arreios, as selas e ainda na parte superior, ser instalado um restaurante e um bar.
	Ser uma feira maravilhosa  Chrissie se entusiasmou.  A organizao deve ter lhe dado muito trabalho, penso eu.
	Mais ou menos  Guy concordou.  Mas j encontrei um alvio para meu cansao. Fitou-a com amor, e Chrissie sorriu.
	Cansao tira a vontade de fazer amor  ela comentou, matreira.
	Nem sempre, Chrissie.
	Guy foi para a reunio com o administrador, e Chrissie foi passear pelos jardins. Achou que o templo grego na pequena ilha, no centro do lago, seria o cenrio romntico ideal para um casamento. Ela olhava o lago de uma pequena elevao recoberta de grama, sentada de pernas cruzadas.
	Tantas coisas aconteceram em to pouco tempo, que teve vontade de se beliscar, para ver se sonhava. Em menos de um dia, j tinha certeza de no poder mais viver sem Guy e seu amor.
	Esta  Chrissie  ele a apresentara  irm, na noite anterior.
Ele no achara necessrio dar mais nenhuma explicao. Era suficiente e definitivo.
	Acho que sua irm adivinhou sobre ns  Chrissie lhe dissera mais tarde, quando estavam na cama.
	Hum... E se bem a conheo, ela j deve ter informado todos os Cooke. Espero que voc no tenha nenhum segredo escondido no armrio. As mulheres de minha famlia vo se empenhar em descobrir.
	Ele brincara com ela. Mas no estaria na hora de contar a verdade? Ainda no havia contado sobre o tio Charles e aquilo a incomodava. Prometeu a si mesma que o faria, logo mais,  noite. Olhou o relgio e viu que j estava na hora da reunio de Guy terminar. 
	Levantou-se e caminhou em direo ao jardim das estrebarias. Quando l chegou, viu um carro estacionado perto de Guy. Ele conversava com uma mulher elegante que parecia um pouco mais velha que ele. Ambos estavam entretidos na conversa, e Guy tinha as mos nos ombros da mulher. Estavam muito prximos e pareciam afeioados um ao outro, quase ntimos, era um relacionamento antigo.
Ficou paralisada, sem coragem de chegar at eles, ardendo em cime.
	Guy se voltou e a viu.
	Poderia ser at imaginao, mas teve impresso de que ele no ficara muito satisfeito com a sua chegada. Entretanto sorriu para ela, como que encantado pela sua presena.
	Chrissie, venha conhecer Jenny!
	Ento aquela era a scia de Guy, a esposa de Jon Crighton! Hesitante, Chrissie se aproximou. No era jovem nem bonita. Mas transbordava doura e calor humano, qualidades muito atraentes para os verdadeiros homens.
	Ela sorriu com simpatia ao cumpriment-la, mas Chrissie sentiu que os sentimentos de Jenny por Guy ultrapassavam a barreira da sociedade de ambos.
	A atmosfera entre eles seria a herana de um passado ou um acontecimento recente? E como aquilo afetaria o seu amor? Ela no tinha uma natureza ciumenta, mas tambm nunca sentira por homem algum aquelas sensaes que s agora conhecera com Guy.
	Jenny e eu discutamos alguns preparativos para a feira  Guy afirmou para ela e se voltou para Jenny.
 Chrissie est tratando dos bens de Charles Platt. Devido a esse processo, ns nos encontramos. 
	Por alguma razo, ela no se sentiu bem na presena de Jenny Crighton e no conseguiu encar-la.
	Teria medo de que Jenny descobrisse a verdade, ou no queria ler nos olhos dela algum fato oculto?
	Louise e Katie podero ajudar este ano?  Guy perguntou para Jenny, e explicou para Chrissie.  So as gmeas de Jenny.
	Receio que no. Ambas esto estudando demais para as provas  Jenny informou.  No tero muito tempo disponvel.
	Elas ainda esto imbudas da ideia de serem advogadas?
	Louise sim, mas acho que Katie tem outros planos. Tnhamos planejado visit-las este ms, mas o roubo deixou Ben muito abalado. No gostaria de deix-lo sozinho. 
 Ben  meu sogro  Jenny explicou para Chrissie.
	Chrissie olhava para Jenny, sem contudo perceber-lhe qualquer maldade.
	Sua casa, em Queensmead, foi assaltada recentemente. Ben no tem ainda certeza do que foi levado. Felizmente, dormia no quarto, e os ladres no o molestaram.
	Posso imaginar o susto  Chrissie se compadeceu.
	Apesar das suspeitas sobre Jenny e Guy, Chrissie foi obrigada a reconhecer, que em outras circunstncias, gostaria de conhecer Jenny melhor. 	Guy explicava para Jenny, os resultados do encontro com o administrador. Chrissie se sentiu excluda da conversa. Havia uma parte da vida de Guy que ela no conhecia e nem compartilhava. Teve medo da intimidade dos dois e do abismo que a separava deles.
	Ela o conhecia h menos de vinte e quatro horas. Jenny, por certo, conhecia-o havia anos. Guy no fizera meno de toc-la, ou pux-la para perto dele. No entanto, conversava com Jenny, os corpos quase se tocando.
	Jenny olhou o relgio, afirmou que tinha outros compromissos e se despediu.
	Foi muito bom conhec-la  Jenny declarou, com um sorriso.
	Ns tambm vamos embora. Chrissie tem um encontro com Jon, esta tarde, para tratar dos bens de Charles Platt.
	Ah, sim.  Jon lhe havia contado sobre o encontro com a sobrinha de Charles.
Jenny lhe apertou a mo. Abraou e beijou Guy com efuso e foi embora.
	Voc e Jenny se conhecem h muito tempo, no  mesmo?  ela perguntou, no carro, de volta  cidade
	Ah, sim, h anos.
	Alguma coisa, no tom de voz de Guy, aumentou a chama da desconfiana. Teria Jenny um lugar especial na vida e no corao de Guy?
	H quanto tempo ela e Jon so casados?  Chrissie tentava, pelas respostas, adivinhar o que se passara ou passava, entre os dois.
	No sei ao certo. Bem mais de vinte e cinco anos, suponho. Max, o filho mais velho dela, j deve estar com trinta anos.
Bom, pelo menos no houvera um amor de juventude entre ambos. Guy seria muito novo na poca. Mas ainda no estava tranquila.
 E sempre foram felizes?
	Guy franziu a testa e fitou Chrissie. Por que estaria fazendo tantas perguntas? O que poderia responder?
	Na verdade, houve uma poca que Jon e Jenny quase se separaram.
	Guy e Jenny nunca foram alm de uma grande amizade e um saudvel relacionamento entre scios. Houve uma poca em que ele desejou mais que o companheirismo. Naquele tempo, torcia para que eles se separassem, mas Jenny era muito inteligente, e nunca permitiu que nada interferisse na camaradagem e confiana dos dois. 	No havia nada que o impedisse de contar a verdade. 
	Mas qual seria a reao de Chrissie ao saber que estivera perto de acabar com o casamento de Jenny? Sem dvida, para convencer a si mesmo de que o vazio de sua vida poderia ser preenchido por ela. E convencer a ambos que esses sentimentos poderiam se transformar em amor. Jenny evitara que ambos cometessem um terrvel engano. Acabaria contando a histria do amor que no houve para Chrissie.
	Mas ela deveria saber que fora a nica mulher que ele desejou para compartilhar de cada minuto do resto de sua vida. Naquele momento, podia reconhecer o abismo que existia entre os seus sentimentos por Jenny e os que nutria por Chrissie.
Contaria mais tarde, quando nada mais pudesse separ-los. Mentalmente, pediu perdo pela mentira que iria dizer.
	Muito, eles tm sido extremamente felizes juntos. 
	Guy no est sendo sincero, refletiu ela.
	No podemos continuar assim  Guy reclamou, na cama, enquanto a beijava com ternura aps terem se amado com paixo.  Gostaria de t-la s para mim por mais algum tempo antes de contarmos para todos, mas...
O que est querendo dizer?  Ela adivinhou o que seria. 
	Ns poderamos ir para Amsterd. Conheo um comerciante que  especialista em jias antigas, mas se prefere peas modernas...
	Est pensando em anel de noivado?  O corao de Chrissie parecia saltar pela garganta.
	Sim. Estou pensando em um anel de casamento.  Guy se curvou e a beijou novamente.
	Ns no podemos nos casar to rpido  Chrissie protestou, mas seu olhar a desmentia.  Meus pais...
	Minha famlia tambm no  fcil. Se no fizermos uma grande cerimnia, teremos de aguentar mau humor e olhares de desaprovao.
	Casamento...  Chrissie ponderou.  Voc tem certeza...
	Nunca tive tanta certeza de alguma coisa, em toda minha vida  Guy afirmou, solene.
	Poderemos conversar mais tranquilamente,  noite  Chrissie prometeu.  Se no sairmos agora, vou me atrasar para o encontro com Jon Crighton.
	Esta noite, faremos os nossos votos, promessas e planos.  a ltima chance, antes de sermos afogados com oferecimentos de damas-de-honra e bolos de casamento.
	Chrissie riu enquanto ele a abraava e beijava.
	Deliciou-se com o cheiro e o sabor de Guy. O calor, a proximidade, a presena quase fsica daquele amor que os envolvia a emocionou.
	Lembraria para sempre aquele momento, prometeu a si mesma.

CAPITULO V

	Chrissie observou Jon Crighton sair de detrs da escrivaninha, atravessar a sala e parar em frente  janela. Ela relatara o necessrio para resolver a situao. O marido de Jenny era um homem alto, loiro, com cerca de cinquenta anos. A sua timidez no conseguia esconder o temperamento afvel. Ao conhec-lo, Chrissie reconheceu que o casal realmente vivia feliz.
	Minha me deseja uma lista dos credores de tio Charles, principalmente o nome das pessoas que lhe emprestaram dinheiro.
	Ela no tem nenhuma responsabilidade legal sobre esses dbitos.
 Minha me e meu tio nunca foram muito prximos. Eu mal o conhecia. Era um problema familiar e... Minha me no quer que outras pessoas sejam prejudicadas. Ela tem um profundo senso familiar e quer preservar o nosso nome. Ela est consciente, e ns tambm, de que ele no era uma pessoa muito correta.
	Eu concordo com isso.
Jon refletiu sobre as diferenas de temperamento que podiam existir entre dois irmos. Lembrava-se de seu irmo David.
	Sua me no precisa ter receio pelo que as pessoas possam pensar. Todos tm por ela muita admirao e respeito. Chrissie, a sua av era muito querida na regio por sua generosidade. Colaborava muito com as obras assistenciais.
	A minha me continuou a tradio familiar
	Ela comentou e explicou os motivos da ausncia de seus pais em Haslewich para tratar do assunto.
	Para ser sincera, estou contente que a minha me no tenha vindo, visto que meu tio no era benquisto.
	Tenho receio de que no mesmo  Jon acrescentou.  Ele era alcolatra e como tal, nada mais lhe importava a no ser a bebida.
	Ela fez um gesto de desnimo com a cabea. Era bvio que Jon conhecia exatamente a situao, e ela ficou aliviada de no ter de explicar mais nada.
	Sua me nem deve pensar que no ser bem-vinda em Haslewich ou que  responsvel pelo comportamento do irmo. H poucas famlias que podem se vangloriar de no terem ovelhas negras na famlia.
	Acho que minha me gostaria de voltar.  Chrissie sentiu alvio nas palavras de Jon.  Ela sempre fala da fazenda.
	Jon Crighton era um homem muito simptico, refletiu Chrissie. Sincero e modesto, que entendia os problemas alheios.
	Ele continuou, dizendo que faria, o mais depressa possvel, um levantamento dos credores de Charles Platt.
	Se bem que... Segundo minha esposa, voc no pensa em deixar Haslewich to rapidamente. Chrissie corou e ficou embaraada pelas palavras de Jon.
A reunio terminou meia hora mais tarde. Jon a observou, pela janela, atravessando a rua. Era uma jovem mulher atraente, tranquila. Entendeu por que Guy se encantara com ela.
	Ainda bem que voc est a. Ele se voltou ao ouvir a voz de Jenny, e a beijou.
	Pensei que voc iria passar o dia em Fitzburgh Place, ocupada na organizao da feira  Jon comentou.
	Ia mesmo, mas decidi fazer um intervalo e voltar para casa mais cedo. Talvez amanh eu v at l. Que tal irmos ao Grosvenor para tomar um ch?
	Hum...  Jon fingiu pensar srio no assunto.  Grosvenor  muito longe. Teremos de atravessar Chester e voltar. Mas eu sei de um lugar pequeno e especial, onde poderemos ficar a ss, e se tivermos sorte, desfrutar de mais alguma coisa alm do ch.
	Se voc est pensando em...  Jenny avisou - Est sem sorte. Primeiro, por que no fiz compras e no temos nada para comer. E segundo...
 Eu no pensava exatamente em comida  Jon murmurou.
 Jack e Joss estaro em casa. -Ah...
Jon suspirou e pensou nos rapazes. Joss era o seu filho mais novo e Jack era filho de seu irmo David. Ele morava com eles, desde o fim do casamento de seus pais.
	Olvia, a irm casada de Jack, morava nas proximidades. Era casada com Caspar e tinha duas crianas. Jon insistira para Jack morar com os tios.
	No que voc estava to interessado?  Jenny chegou at a janela para ver.  Ah... a amada de Guy. Esqueci que vocs haviam marcado um horrio para a tarde.
	Hum... Gostei dela. E pelo que contou, a me no se parece em nada com o irmo. Os dois no tinham muitas afinidades, mas apesar disso, os pais de Chrissie fazem questo de indenizar os principais credores de Charles.
	Um belo gesto, por parte deles.
	Tambm acho.
	Mas por que motivo, a me no veio pessoalmente?
	Tenho a impresso de que a me, conhecendo o irmo, achou que no seria bem recebida por aqui. Expliquei a Chrissie que os maus elementos de uma famlia no comprometem o todo. Ns bem sabemos disso.
	Eu gostaria que David entrasse em contato com nosso pai. Isso seria muito importante para ele. David no se comunica mais com Ben, a no ser na poca do Natal.
	 verdade.  Jon abraou a esposa e a puxou para perto dele.  O carto de Natal tinha carimbo postal da Espanha. Mas ningum conhece o atual paradeiro dele.
	Talvez seja melhor assim  Jenny sugeriu.  Afmal, o que far se voltar? No pode trabalhar aqui... no depois...
	No, certamente ele nem pensa nisso.
	Ainda sente falta de David? Vocs so gmeos...
	No  por mim. Mas por papai. Ele mudou muito depois que David foi embora.
	Ele est ficando velho, Jon  Jenny lembrou.
	Ns todos estamos. 	Jon pensou nas mudanas ocorridas naqueles poucos anos. A contar da noite em que os irmos comemoraram o aniversrio de cinquenta anos. O infarto de David. Ambos se tornaram avs. Ele dos filhos de Max, e David dos filhos de Olvia. Jon duvidava de que David se interessasse pelos netos.
	Olvia me contou que Tiggy decidiu se divorciar de David  Jenny informou.
	E, eu sei. Outro dia, discutimos a respeito. O novo namorado de Tiggy pretende se casar com ela e quer que ela se divorcie.
Jenny lembrou a poca em que eles mesmos quase se divorciaram. Ele, tentado por uma bobagem, e ela... pensando estar apaixonada por Guy.
Jon, adivinhando os pensamentos da esposa, abraou-a fortemente.
	S lamento ter sido to tolo, arriscando-me a perder voc naquela poca.
	Oh, Jon  Jenny murmurou, em seus braos e com a cabea encostada em seu peito.  Espero que tudo d certo com Guy e Chrissie. Ele est apaixonado por ela...
	E ela, por ele. Percebi, quando falei de Guy  Jon assegurou.
Jenny sacudiu a cabea, e fez uma careta.
	Pode ser uma bobagem, e Guy j  crescidinho para ser meu filho  Jenny considerou.  Mas eles se conheceram h pouco tempo, e nunca se sabe...
	Voc mesma disse que gostaria de v-lo casado e com filhos.
	Lembro-me de ter dito isso  Jenny riu.  Talvez esteja mesmo sendo super protetora. Espero que Chrissie tambm o ame muito.
Ela abraou Jon, e ambos se olharam com muito carinho.
	Ol, Chrissie!
	Chrissie assustou-se quando a chamaram, pelo nome, na rua. Sorriu ao ver a irm de Guy Havia uma mulher mais jovem com ela. Pelo rosto bonito e os cabelos negros e espessos, Chrissie imaginou que tambm fizesse parte da famlia.
	Adorei conhecer voc, ontem  noite  Frances comentou, com um sorriso e explicou para a outra jovem:  Guy levou Chrissie para jantar no restaurante ontem  noite. Chrissie, esta  Natalie, outro membro da famlia.
	Voc  ntima de Guy?  Natalie perguntou, spera e carrancuda, ignorando a mo estendida de Chrissie.
Chrissie ficou vermelha, sem saber o que responder. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Frances o fez por ela.
	Deve ser, pela maneira com que Guy a olhava  afirmou Frances, amvel.
	Ah, ento  assim?  Natalie retrucou com menosprezo.  Guy est sempre se apaixonando, mas tambm esquece rpido. E um conquistador terrvel.
	Natalie!  Frances a repreendeu.
	Mas  verdade  Natalie continuou, sem levar em conta a advertncia de Frances.  Guy  muito mulherengo, e ainda por cima, todo mundo sabe o que sente por Jenny Crighton.
	Natalie!  Frances protestou, com veemncia.
	Eu no estou mentindo. As vezes Guy fica loucamente apaixonado. Bom, preciso ir. Natalie beijou Frances no rosto, ignorou Chrissie e foi embora.
	Sinto muito  Frances se desculpou, ainda sem graa, notando a palidez de Chrissie.
	Natalie era muitas vezes, bastante inconveniente. A famlia j se acostumara aos seus rompantes e observaes ferinas. Era o tipo de pessoa que se divertia em aborrecer e machucar os outros. Tinha uma natureza mesquinha e invejosa, embora na opinio de Frances, aquilo fosse insegurana.
	Natalie, durante anos, estivera apaixonada por Guy, sem que ele jamais lhe desse esperanas. Ele no gostava de mulheres como ela. Guy era um cavalheiro e se interessava por mulheres dceis e femininas, a quem pudesse proteger. O gnio atrevido e arrogante no atraa Guy. A lealdade  famlia e a complexidade da situao, impediram Frances de explicar tudo para Chrissie. Mas contaria para Guy aquele incidente desagradvel.
	Quanto tempo pretende ficar na cidade?  Frances tentou ser gentil.  Foi bom t-la encontrado, pois estava mesmo querendo convidar voc para almoar. No sei se Guy lhe contou, mas temos por tradio nos reunirmos um domingo por ms. Muitos de ns trabalham em bares ou no comrcio de alimentos. No  muito fcil conseguir um tempo livre. Por isso cada reunio mensal  feita em casas diferentes. O prximo encontro  de minha responsabilidade, e eu adoraria t-la conosco.
 Muita gentileza, obrigada  Chrissie retrucou, sem demonstrar emoo.
	Ela no era to ingnua a ponto de no notar a maldade de Natalie, mas percebera tambm que Frances ficara muito sem jeito, principalmente nos comentrios sobre Jenny Crighton. Era evidente que Guy j tivera outros relacionamentos. Mas por que no fora honesto em relao a Jenny, e escondera os fatos? 
	Chrissie despediu-se, e caminhou em direo  casa de seu tio, dizendo a si mesma que nada sabia sobre Guy. Ela sentiu-se insegura. Teria sido confiante demais, ao acreditar em Guy?
	Chrissie olhou o relgio apreensiva. Guy chegaria dentro de uma hora. O sol cedera lugar a uma noite mida e fria. A casa no tinha aquecimento central e cheirava a mofo. Desde que chegara a Haslewich, sentia-se uma estranha solitria.
Seus pais j estavam a caminho do Mxico, e no podia sequer ouvir-lhes os conselhos e as vozes queridas.
Naquela manh, ela e Guy fizeram mil planos. Naquele momento, entretanto, ele se tornara quase um estranho para ela. Acho que estou ficando louca, pensou ela. Por certo h um motivo pelo qual Guy no lhe contara sobre Jenny. Mas ela perguntaria o porqu.
	Guy saa da delicatessen com as compras que fizera para o jantar com Chrissie e viu Jon e Jenny atravessando a rua.
	Ol, estivemos no Lawfords  Jenny comentou, ao ver as compras de Guy.  Sorte sua, poder comprar tudo isso. Quando se tem dois rapazes famintos dentro de casa... Nem precisa me contar quem voc convidou para jantar.
	Adivinhou!
	Chrissie parece uma boa moa  Jenny afirmou, com sinceridade.  S no entendo por que ela tem receio de que os outros saibam que  sobrinha de Charles. Todos sabem que a famlia no pode ser responsabilizada pelas atitudes dele. E por falar nisso, voc tambm no o apreciava muito.
	Percebendo a hesitao de Guy, Jon procurou mudar de assunto e comentou: 
que a polcia suspeitava que havia uma mulher na quadrilha que vinha fazendo os assaltos.
	Jenny percebeu Guy franzindo as sobrancelhas e sacudiu a cabea.
	Parece estranho, eu sei, mas para uma mulher  mais fcil entrar em uma casa e verificar o que vale a pena ser roubado. Depois  s passar a informao para o resto da quadrilha.
	O relgio da igreja soou as horas.
	Meu Deus, vejam a hora!  Jenny exclamou. Vamos andando, Jon. Bom jantar para vocs.
	Guy ainda estava abismado com as palavras de Jenny. Chrissie era sobrinha de Charles Platt. E por que lhe dissera ser apenas uma contratada da famlia?
	Lembrou-se de quando era criana e Charles mentia para ele, como se fosse seu amigo. E depois zombava de Guy, por ter acreditado nas mentiras. As dificuldades que teve para se proteger de Charles, fez com que ele desenvolvesse um sentido de precauo e cinismo, que lhe era til at como comerciante de antiguidades. Era uma profisso onde a cautela e a suspeita deviam sempre estar presentes. A origem das mercadorias oferecidas precisava ser conhecida e tambm se o proprietrio realmente tinha a inteno de dispor de seus bens.
	Acreditara nela cegamente, sem duvidar de nenhuma palavra sua. A atrao por ela fora to imediata, intensa, emocional, que no sobrara lugar para um raciocnio lgico.
	Ela no agira da mesma forma com Guy. De outro modo, no teria escondido o fato de ser sobrinha de Charles. Escondera aquela informao dele! Guy empalideceu.
	Ela no s escondera a verdade, mas o enganara. No faltaram oportunidades para contar o seu grau de parentesco com Charles.
	A trapaa no parecia fazer parte do carter de Chrissie. As qualidades que mais o impressionaram nela foram a naturalidade, a compreenso, a simpatia, a cordialidade. Com certeza, tudo no passava de fingimento.
	Atravessou a rua, e foi para casa convencido de que estava exagerando em seu julgamento. Ela merecia a chance de explicar-se. Haveria uma razo lgica para no lhe ter contado a verdade.
	Ser mesmo? A desconfiana o desanimou.
	"Ah, esqueci de contar. Charles Platt era meu tio", diria ela.
	Mais calmo, chegou em casa e agradeceu os cumprimentos de Ruth pela beleza de seu jardim florido.
	Ruth morava algumas casas adiante. Guy a conhecia por suas obras de caridade e pela amizade com Jenny.
 No sou responsvel pela beleza de meu jardim  Guy admitiu.  No sou muito bom nisso. O mrito  de Bernard.
	Bernard Philips era membro da grande famlia Cooke. Primo de segundo grau de Guy, montara junto com os dois filhos e a filha, um centro de jardinagem e paisagismo. Guy, confirmando seu tino empresarial, tinha tambm uma participao naquele negcio. No era sem motivo, que seus parentes o apelidaram de "o banqueiro".
	Tinha a reputao de homem de negcios astuto e inteligente. No ltimo Natal, suas irms caoaram, afirmando que a sua lgica e perspiccia no o deixavam se apaixonar. Antes de encontrar Chrissie, acreditara naquelas palavras.
	Chrissie... Teria sido melhor nunca conhec-la.
	Despediu-se de Ruth e entrou em casa.
	Quem era ela, na verdade? Aparentando uma mulher sincera e calorosa, seria uma impostora? Ou seria ele um grande tolo ao lhe creditar virtudes e qualidades que no possua?
	Teria idealizado uma pessoa que no existe, levando para o reino divino e espiritual, toda a luxria mundana?

CAPITULO VI

	Uma hora mais tarde, retirou-se da cozinha mesmo sem terminar o jantar e resolveu perguntar diretamente a Chrissie por que no lhe contara que Charles era seu tio.
	Chrissie ainda sentia cheiro de umidade e mofo, apesar de toda a limpeza que fizera. Ela torceu o nariz. Tirou o pano velho com que cobrira a mesinha, e pensou que a me tinha razo em querer compr-la do esplio.
	Quando tocou na madeira, sentiu o calor e a energia que dela emanava.
	No era nenhuma especialista para avaliar com segurana, mas achou que a mesa no era muito valiosa. Ficou tentada a compr-la e dar de presente  me, que faria aniversrio dentro de dois meses. Boa lembrana.
	Ouviu as batidas  porta, correu e abriu-a, o corao saltando de alegria. Guy, parado  entrada, encarou-a friamente. Parecia um estranho.
	Ela recordou as palavras de Natalie e hesitou. Sentiu frio e foi buscar o casaco que estava na cadeira. Ao voltar, viu a porta ainda aberta, e Guy esttico, olhando o quarto.
 O que est acontecendo?  ela perguntou, confusa.
	O que faz esta mesa aqui?  ele indagou, rspido, sem responder  pergunta de Chrissie.
Ela ficou abismada com o tom de voz de Guy, frio, cortante e acusador.
	 que... Preciso mandar avaliar. Ela era de...  Chrissie parou e mordeu o lbio.
	Continue  ele ordenou.  Ou quer que eu diga? Pertencia a Charles Platt, conhecido vigarista e ladro.  difcil acreditar que um vigarista como ele fosse o legtimo proprietrio dessa pea.
	Chrissie empalideceu. Sabia que ele no gostava de seu tio. Mas o rancor e a amargura presentes na voz e no olhar de Guy, eram absolutamente fora de propsito, para o homem apaixonado, meigo e gentil que ele demonstrava ser.
	Chrissie estava atordoada.
	Provavelmente voc j sabia disso, no , Chrissie? Por isso se empenhou tanto em esconder esta mesa, para que eu no a visse... do mesmo jeito que escondeu o fato de Charles Platt ser seu tio.
	No!  Chrissie protestou.
	No o qu?  Guy vociferou.  Ele no era seu tio?
	Chrissie no conseguiu falar nem se defender.
	Ela sabia que, cedo ou tarde, teria de contar a Guy, quem era na verdade, assim como todo o passado do tio. Mas no aceitava tais acusaes. Como se ela fosse um ser abjeto, indigna de ser olhada ou tocada.
	Eu... ia lhe explicar... Queria lhe dizer  ela tentava se desculpar.
	Claro que iria  Guy interrompeu, irnico.
	No houve tempo... Tudo aconteceu to depressa.  Chrissie queria faz-lo entender, antes que tudo estivesse perdido.
	To rpido, para dar tempo de fugir  Guy acusou, apontando a mesinha.
 Sempre soube que Charles no era muito criterioso na maneira como conseguia dinheiro para beber. Mas nunca pensei que fosse receptador de produtos roubados...
	Roubado!  Chrissie explodiu, indignada.  Esta mesa no foi roubada. Pertenceu  minha bisav,  minha...
	"Esta" mesa  Guy gritou, e apontou o pequeno mvel  foi roubada de Queensmead h menos de uma semana. Eu conheo a pea, pois a avaliei para Ben Crighton. Na verdade, no tem muito valor comercial. E uma cpia, e no vale um dcimo da original francesa.
	Voc est mentindo!  Chrissie declarou. A raiva intensa que sentiu, superou o choque e a angstia. Do que ele estava acusando-a? O que estaria insinuando? Sua me garantiu que a mesa pertencera  sua bisav. Sua me jamais mentiria.
	Eu, mentindo?  Guy trovejou.
Chrissie recuou, o rosto vermelho, ao ver a fria de Guy estampada no semblante.
	No se preocupe. No agrido mulheres, nem mesmo as de seu feitio. H outros objetos roubados guardados aqui? Ou onde estaro agora? So perguntas interessantes que a polcia certamente gostar de ver respondidas.
Mulher como ela! Polcia! Chrissie sentiu o corao disparar, mas estava consciente que nada teria a temer. A mesa pertencia  sua famlia. Guy se enganara, confundindo com a que fora roubada em Queensmead.
	H algumas horas, ela estava deitada nos braos de Guy, e eles trocavam juras de amor eterno!
	Chrissie no sabia se ria ou gritava, ou as duas coisas. Como podia ter sido to idiota? Pensou ela, irada. Um carter instvel e no confivel! Quantas mulheres enganara, como fizera com ela? Tinha vindo naquela noite, com uma desculpa alucinante, para dar motivo de terminar o que mal comeara. E dizia que a amava!
Certamente, ele no sabia o significado da palavra "amor". Oh, mas ela, sim, tinha certeza daquele sentimento. Assim como tinha convico de que, se ele a pegasse nos braos, pedisse perdo, dizendo ter sido um terrvel engano, que fora somente o choque de saber que Charles era seu tio, ela lhe perdoaria imediatamente. 
	Compreendeu que ele no faria isso. O seu orgulho ferido falou mais alto. Em vez de faz-lo ver como estava equivocado, como a humilhava e jogava para o alto tudo o que haviam compartilhado, Chrissie inspirou fundo e ergueu a cabea.	
	Se  assim,  melhor se retirar  ela afirmou, serena.
	Sabe de uma coisa?  Guy retrucou com sarcasmo.  Voc est certa. Oh, Deus, como fui idiota! Se no fosse Jenny ter dito, sem querer, que era sobrinha de Charles...
	Eu lhe teria dito  ela interrompeu, altiva.  S no o fiz, por que voc falou to mal dele e...
	Voc mentiu para mim!
	Da mesma forma que voc mentiu, quando lhe perguntei sobre Jenny  ela desafiou, disposta a enfrent-lo.  Encontrei sua irm hoje  tarde. Estava com Natalie. E parece que sua fama  de conquistador. Pena que eu no soube disso antes de conhec-lo.
	Ele ficou to irado, que ela quase se arrependeu do que dissera. Mas, por que s ele tinha direito de acusar?
	Errara em no contar nada sobre o tio. Mas no ocultara fatos importantes sobre um passado amoroso. No era para admirar que tivesse to grande desempenho nas artes da seduo. Teve de lutar para no transparecer o desengano e profundo sofrimento.
	No sei o que lhe contaram, e tambm no me importo  Guy retrucou, com frieza.  O sentimento que eu tinha por Jenny foi s meu e jamais ela correspondeu ou duvidou de seu amor por Jon.
	E por que no me contou isso?  Chrissie sugeriu, com maldade.
	V para o inferno!  Guy blasfemou, saiu e bateu a porta.
	Uma hora mais tarde, Chrissie se recriminava por chorar tanto. A dor e o sentimento de perda eram muito intensos. Naquele momento, as lgrimas ainda deslizavam no seu rosto, sem que ela pudesse se controlar.
	Ela tornou a limpar e esfregar cada canto da cozinha antiga e pequena, tentando manter a mente ocupada, at que suas mos ficaram to feridas quanto o seu corao.
Como pde acreditar que ele a amava? Chrissie se perguntava. Estaria enlouquecida, enfeitiada ou seria mesmo uma idiota?
	No existia nenhuma explicao lgica para o que acontecera. Era bvio que ele no a amava. Era provvel que estivesse tentando esquecer Jenny. Claro que no poderiam se amar, se no se conheciam. Ento por que se comportava como uma herona de tragdia grega, torcendo as mos e chorando feito uma louca? Deveria dar graas a Deus por ter descoberto, a tempo, quem ele era.
	As mentiras mirabolantes, sobre anel de noivado em Amsterd! Com certeza, ficaria muito, muito melhor sem Guy. 
Guy no foi para casa, depois de sair da casa de Charles. Desde os tempos da juventude, no lembrava de ter sido to violento. Admitiu contudo, que precisou fazer um esforo intenso para se controlar. Sem querer, caminhou at a escola primria onde estudara. Cenrio dos pavores de sua infncia. Relembrou o medo das maldades de Charles Platt.
	"Eu ia lhe contar", Chrissie gritara, defendendo-se. Mas como acreditar nela, depois de ver a mesinha? E ela teve a ousadia de fingir que pertencia  sua famlia.
	Houve um momento em que leu a hesitao nos olhos de Chrissie, como se... Mas ento, ela passou a acus-lo, envolvendo sua reputao e tambm a de Jenny.
Olhou o ptio vazio, palco de tantas desavenas. A raiva o abandonara. Guy sentiu-se vazio, esgotado, desiludido e fracassado.
	Deveria ter sido mais cauteloso... O mal j fora feito.
	O seu amor por Jenny tinha sido uma emoo tranquila que ele conservou durante muito tempo, como uma defesa contra a sua solido. Era uma mulher sempre disposta a ajudar e amparar os outros.
	O amor por Chrissie o atingira como um blido, com uma fora esmagadora. Fora tomado por uma paixo intensa, e uma imprudncia que modificou o seu modo de agir.
	O seu amor por ela... No poderia ser simplesmente apagado, no importando quanto seu orgulho e amor-prprio tivessem sido atingidos. Deu um longo suspiro e foi para casa. 
	Meia hora mais tarde, entrou na ampla cozinha e viu o jantar que ia preparar para Chrissie. Juntou as delcias gastronmicas que comprara e jogou-as no lixo. No teve coragem de jogar fora o vinho Chambertin, safra de 1983, que comprara. Seria um sacrilgio. Abriu a garrafa, pegou um copo e se serviu. Aspirou o aroma e bebeu um gole. Mas nem o paladar rico e delicado, conseguiu atenuar a dor lancinante que sentia. Tomou um copo e mais outro.
	Sempre se vangloriava de ser um timo conhecedor do carter humano. Naquela noite, teve a certeza de que nada sabia a respeito. S pensava em Chrissie.
	Encheu o copo novamente. Intil maldizer o destino que os unira. Melhor blasfemar contra sua insensatez ao se deixar enganar por ela. No adiantava lamentar o que ocorrera. Levantou-se e carregou a garrafa de vinho para o quarto.
	Guy sonhava, e puxava Chrissie para junto de si, saboreando o calor de seu corpo. Estranhou ao sentir que ela olhava algum por detrs dele. Voltou-se e viu Charles Platt, sorrindo com afetao, no meio da sombra do porto escolar.
	Voc sabe quem  ele?  Guy perguntou.
	Preciso falar com ele  Chrissie se afastou de Guy. De imediato, Charles aproximou-se, rindo maldosa e ameaadoramente e pegou Chrissie pelo brao.
	Voc no est pensando que ela gosta de voc, no ?  Charles perguntou, desafiador. Guy ouviu o riso e a voz de Charles.
	Veja o que trouxe para voc, querida. Ele lhe mostrou a mesinha que Guy havia visto na casa dele.
	No toque nisso!  Guy advertiu.
	Charles me deu de presente.  Chrissie riu alto.  Ela  minha, posso pegar quanto quiser.
	No!  Guy gritou, e acordou. Piscou no escuro, tentando afastar os sonhos.
"Chrissie tem receio de que os outros saibam que  sobrinha de Charles Platt," dissera Jenny.
"Esta mesa no foi roubada. Pertenceu  minha bisav," afirmara Chrissie.
"A polcia suspeita de que h uma mulher envolvida na quadrilha", ele recordou aquelas palavras. 
	Guy gemeu, rolou sobre a cama, abraando o travesseiro. Tinha convico de que Chrissie no estava ligada  quadrilha que assaltara em Queensmead. Mas h vinte e quatro horas, estava igualmente convencido de que ela no seria capaz de mentir ou enganar. Desperto, acendeu a luz, deitou de costas e fixou-se no teto.
	Ridculo, com tudo o que sabia sobre ela, ainda a desejava! Jamais se sentira daquela maneira em relao a uma mulher. Nem mesmo com Jenny. Chrissie era a mulher destinada para ele. Mas ela o desiludira como tantas outras.
	No entendia por que ela se entregara por inteiro, como se realmente o amasse. Queria simplesmente divertir-se enquanto precisava ficar em Haslewich? Poderia apostar que ela era um tanto inexperiente sexualmente, pela hesitao que demonstrava s vezes. E tambm no parecia ser do tipo que se divertia com qualquer um.
	A cabea lhe doa, pelo vinho que tomara. O corao e o corpo, pela desiluso.
Fechou os olhos e lembrou que j no era nenhum adolescente. Tinha deveres e obrigaes. Perguntou a si mesmo se gostaria de que o condado inteiro soubesse quo tolo que tinha sido.
	Guy colocou o telefone no gancho e ouviu a campainha da porta. Ainda estava com dor de cabea, apesar de ter tomado um analgsico. Sentiu palpitao, s em pensar que fosse Chrissie. Que bobagem, claro que no seria ela. Estava tudo acabado entre eles.
	Guy, voc est bem? Que aspecto horrvel!  Jenny entrou. 
	Ele estremeceu ante a luz do sol e no respondeu.
	Temos um pequeno problema com um dos fornecedores  Jenny explicou, e o seguiu para a cozinha. No queria perturb-lo to cedo. Chrissie...?
	No est aqui  Guy respondeu, seco.  Terminamos tudo.
	Guy  Jenny balbuciou, incrdula.  Todo mundo briga. Tenho certeza...
	No foi uma rusga de amantes, Jen  ele retrucou.  At voc me contar, eu no sabia que ela era sobrinha de Charles. Ela me fez crer que estava representando a famlia dele.
	Oh, Guy, desculpe. No deveria ter dito nada. No poderia imaginar... Pensei que soubesse.
	No, eu no sabia. Ela mentiu para mim e...  Ele comeou a andar pela cozinha.
	Guy, eu posso entender como se sente  Jenny consolou.  Voc no gostava de Charles, mas pense no motivo pelo qual ela no lhe contou.
	Guy olhou pela janela. Se Jenny soubesse da mesa, o que ela pensaria?
	No  s o fato de no me ter contado. Existe um outro pormenor.
Ele hesitou enquanto Jenny esperava, confusa.
	A mesa de Ben estava l. Na casa dele. Eu vi. No poderia ter-me enganado. Eu fiz a avaliao para Ben. Apesar de eu ter-lhe dito isso, ela continuou dizendo que a mesa pertencia  famlia dela. E obvio que ela sabia que no era de Charles. Se voc visse o resto das tranqueiras...
	Talvez ela acreditasse que a pequena mesa pertencesse a Charles...  Jenny sugeriu, sem muita certeza.
	Como ela pensaria tal coisa, se eu lhe disse a quem pertencia?
	Oh, querido  Jenny consolou.  Sinto muito, Guy. No sei o que dizer. Ela parecia to autntica e agradvel. Vocs pareciam feitos um para o outro. Quem sabe se tentasse falar com ela novamente?
	Para qu? Ela mentiria outra vez. De qualquer forma  muito tarde. J avisei a polcia. Tinha de fazer isso, Jenny. Voc me entende.
	Sim  Jenny concordou, triste.
	A polcia vai entrar em contato comigo, dentro de meia hora. Querem que eu identifique a pea.
	Sinto muito, Guy  Jenny tentou confort-lo.
	No tanto quanto eu  Guy afirmou.
Ambos resolveram o problema sobre os fornecedores, e Jenny avisou que iria embora.
	Jenny, pelo menos por enquanto, s comente o caso com Jon. Por favor.
	Claro  ela prometeu.
	Todos sabero brevemente. Imagine como vou parecer um tonto, especialmente perante  famlia.
	Deve haver uma explicao racional  Jenny sugeriu.
	Guy sorriu amargamente.
	Obrigada, Jen, por tentar. Entretanto, ambos sabemos a verdade. No h a menor chance de a mesinha ter pertencido  famlia de Chrissie. No existem duas iguais. Ela foi feita por encomenda. No  que eu queira ser indelicado, mas um pequeno fazendeiro como o bisav de Chrissie no poderia se dar ao luxo de ter ou mesmo de querer, uma pea rara como aquela.
	Quanto a isso voc tem razo. A nica razo de Ben ter mandado faz-la  por ter se sentido injustiado. A me de Ben havia prometido que aps a sua morte, a pea original seria dele. Os Chester se recusaram a lhe entregar.
	Guy ouvia, desalentado.
	A bem da verdade, Guy, a memria de Ben  um tanto seletiva, quando ele quer  Jenny continuou.  Pelo que eu saiba, nunca houve dvidas de que o pai de Ben fosse o herdeiro da mesa original. Esta, por sua vez, era o par de outra, ambas feitas na Frana para as filhas gmeas da famlia Chester. O pai de Ben mandou fazer uma cpia, mais por inveja do que por qualquer outra coisa.
	As mesinhas originais esto com quem?
	Lawrence tem uma, e Henry, a outra. So muito bonitas e diferentes da cpia de Ben. Porm, ningum teve a coragem de dizer-lhe isso  Jenny riu.  Voc sabe da rivalidade de Ben com os Chester. Aos seus olhos, o pai nada fazia de errado, mas segundo Ruth, ele era um homem muito obstinado e autocrtico. Ben sempre o defendeu.
	Que interessante...
	Guy, d uma chance a Chrissie  Jenny pediu, tocando-lhe o brao.
	No posso mais voltar atrs. Muitas coisas foram ditas e duvido de que ela me aceite novamente. Por mais que eu queira  ele concluiu, com ironia.
	Chrissie dormiu muito mal.
	No adiantava lamentar no ter contado nada, desde o incio, sobre o tio. Mas, pelo menos, Guy teria se afastado antes de ela se apaixonar.
	Se ele realmente a amasse, teria interesse em ouvir as explicaes. Parecia mesmo que ele s esperava uma chance para romper com ela. Era evidente que no a amava.
	Levou um susto ao ouvir batidas  porta. Abriu e quase desmaiou. Um policial graduado e Guy, parados, olhavam-na com frieza.
	Srta. Oldham?  O agente perguntou.  Sabemos que a senhorita tem em seu poder, uma mesa de estilo, que  propriedade roubada.
	Roubada?  Chrissie cravou um olhar raivoso em Guy.  Tenho uma mesa, mas jamais foi roubada. Pertenceu  minha falecida bisav.
	Entendo. Tem como provar isso?  o policial indagou.
	Chrissie s tinha a palavra da me, que afirmara ter Charles se apropriado da pea, aps a morte da me de ambos. Voltou as costas para Guy, e abaixou o tom de voz, ao explicar para o policial.
	Prova material, nenhuma. Somente a palavra de minha me e sua descrio do objeto.
	Entendo. Por favor, como podemos entrar em contato com sua me?
	Tenho receio de que no momento seja difcil. Meus pais esto viajando a trabalho.  o motivo por que eu vim a Haslewich, no lugar deles.
	Quer dizer que no h meios de provar que a pea pertence  sua famlia?
	De imediato no, se est se referindo  palavra de minha me.
	No se voltou para Guy. No lhe daria a satisfao de ver o seu desespero e vergonha.
	Quando seus pais voltaro?
	Eu no sei.
	Sr. Cooke, o senhor acredita que este objeto pertence ao Sr. Ben Crighton?
	Eu sei que pertence a ele  Guy corrigiu as palavras do oficial.  Fiz uma avaliao, a seu pedido, h alguns meses, e como o senhor sabe, a mesa est na lista dos objetos roubados da casa de Ben. 
	Chrissie comeou a sentir-se culpada, pela maneira como a olhavam e no havia motivo para aquilo. Porm comeava a achar que a me poderia ter feito confuso, embora parecesse ter tanta certeza ao descrev-la.
	Minha me cresceu ao lado desta mesinha  Chrissie afirmou, convicta.  Mas... se houver uma confuso...
 Confuso?  Guy ridicularizou.
	Isso mesmo.  Chrissie lanou-lhe um olhar cheio de amargura e disse ao agente policial:  Se for o caso, ela ser a primeira a admitir. Por enquanto...
	Chrissie parou de falar, sentindo os olhos cheios de lgrimas. Piscou firme, para estanc-las. Jamais deixaria Guy perceber quanto ele a ferira e a deixara indefesa.
	Bom,  melhor retiramos a mesa at que a propriedade seja identificada  disse o oficial, com diplomacia.
	O policial agradeceu a colaborao de Chrissie e se voltou para sair. Guy no fez meno de ir embora.
	Chrissie permaneceu no lugar, sem conseguir se mexer.
	Eu tinha de informar a polcia  Guy explicou, calmo, quando j estavam a ss.
	Tem toda razo  ela agradeceu, sem demonstrar emoo. Mas se descontrolou ao continuar.  Sei que est pensando que sou mentirosa. Mas nem eu nem minha me somos pessoas desse tipo. A mesa pertence  famlia.
	H dez minutos, voc no tinha tanta certeza
	Minha me jamais mentiria  Chrissie afirmou, com dignidade, o rosto em fogo pelo olhar de desprezo de Guy.  Ela no...
	Ela no o qu?  Guy a atormentou.
	Chrissie j ouvira o suficiente. Investiu contra ele, sem conseguir se controlar. Ele reagiu rpido, pegou-lhe o punho no ar e o torceu para trs.
	Meu Deus, voc  mesmo uma raposa! Seu tio Charles se orgulharia de voc. Chrissie, por que no contou a verdade?
	Ela imaginou que ele tentava entender. Que ingenuidade. 
	Se eu lhe contasse, voc no entenderia  ela afirmou, orgulhosa.
	No, confesso que no  Guy assegurou, rspido.  Mas entendo isso. Antes que Chrissie se desse conta, ele a empurrou contra a parede, ainda com a mo para trs. E a beijou com tal violncia que ela sentiu o calor queimar-lhe os lbios.
	Sem nenhum gesto de defesa, Chrissie correspondeu ao beijo, deixando que ele invadisse sua boca, seus sentidos, ela mesma. Onde se escondera o seu orgulho, sua auto-estima, seu respeito e sentimento de auto preservao?
	Eu o odeio!  Ela bateu nele, sem sucesso, quando finalmente a soltou.  Odeio e no quero v-lo nunca mais. Nunca mais! Entendeu?
	Guy saiu, batendo a porta, sem ouvir o que ela dizia. J na rua, Guy no podia compreender o que fizera. Comportar-se daquela maneira com uma mulher! Com tal brutalidade...
 	No se imaginava capaz de uma coisa daquelas. E nem poderia supor que a desejasse tanto, a ponto de transformar a sua nsia em uma demonstrao de machismo, que ele sempre desprezara.
	Ele desejara beijar Chrissie... e muito mais que beij-la, admitiu com um gemido. O desejo ainda queimava. Bom Deus, quando e onde terminaria tudo aquilo, ele se perguntou, desgostoso.
 
CAPITULO VII

	 Chrissie... 
	Chrissie, envergonhada, comeou a chorar quando Jon se dirigiu a ela com solicitude e considerao.
	Desde a briga com Guy, h algumas semanas, ela vinha tentando se convencer de que depois do terrvel episdio, nada pior estaria por vir. Mas a realidade no foi bem assim.
	Marcara uma hora com Jon, para discutirem sobre os dbitos de seu tio. Havia dez minutos que escutava as palavras do advogado. Por intermdio de um novo avaliador, havia sido feita uma relao dos parcos bens deixados por Charles. As dvidas tambm arroladas, eram muito maiores de que ela ou a me poderiam imaginar.
	Desculpe  ela balbuciou e tirou um leno de papel da caixa que Jon lhe ofereceu.
	Jon soubera do acontecido por Jenny, mas no acreditava que Chrissie tivesse relao com o roubo.
	Voc deve saber que a polcia ainda est investigando o caso  ela afirmou, enxugando as lgrimas.  Pensei em procurar na minha casa alguma foto em que aparecesse a mesa. Minha me tem absoluta certeza de que o pequeno mvel pertencia a av dela. Ainda se lembrava de que ralhavam com ela, quando mexia na preciosidade.
	Se quiser, eu poderia dar um jeito de voc voltar para casa.
	No  Chrissie falou.  No quero dar a impresso de que estou fugindo ou tentando escapar.
	Entendo.
	Meia hora mais tarde, Chrissie saiu do escritrio. Sentia-se mal. No tomara o caf da manh, alis, como vinha fazendo havia alguns dias. Sentia fome, mas no podia pensar em comida. Estava com uma tontura estranha. Parou um pouco, e segurou nas grades do jardim que separava a principal igreja de Haslewich, em estilo normando, do cemitrio que ficava atrs.
	No estava bem. Chrissie avaliou que seria melhor ficar ali mais um pouco, antes de voltar para a casa de seu tio. A sensao de embriaguez foi sumindo, e ela viu que estava perto do lugar elegante onde Guy morava. S em pensar naquilo, sentiu-se cambaleante de novo. As dolorosas lembranas fizeram as lgrimas escorrer pelo canto dos olhos, no mais puro sofrimento.	
	Ruth estava irritada consigo mesma. J deveria ter ido aos Estados Unidos, encontrar-se com Grant. Devido a compromisso de negcios, ele viajara no comeo da semana anterior. Lamentava no ter ido junto. Acabou ficando, com pena de Ben, de sua insegurana pattica, devido ao roubo em Queensmead. 
	Na sua idade, no era comum sentir tanto prazer na proximidade fsica de um homem. A lua-de-mel ainda no terminara. Era a alegria de saber que dormiriam juntos, abraados, e acordar pela manh lembrando que no era mais a solteirona da famlia Crighton. Algumas pessoas no aceitavam o fato de uma mulher madura experimentar sentimentos fsicos, sexuais e emocionais em relao a um homem. 
	Amava seu marido como se tivesse vinte anos e agradecia a felicidade de t-lo reencontrado aps tanto tempo. Grant a tranquilizara ante os seus receios de parecer ridcula.
	Sei que Ben  teimoso e rabugento  Ruth explicara, aconchegada nos braos de Grant. Mas  meu irmo e estou preocupada. Ele mudou muito depois do assalto. E logo mais vai se submeter a uma operao. Acha que posso deix-lo?
	Grant a beijara com carinho. 
	Claro que no. Eu entendo a sua situao, embora fique aborrecido por no irmos juntos.
	Ela sentia saudade do marido, e ele no poderia voltar antes da prxima semana.
	Ruth pensava, parada em frente  janela e percebeu uma jovem que se apoiava no gradil. Aparentava no estar passando bem. De acordo com sua natureza em se preocupar com todos, desceu a escada correndo.
	Ol! Vi voc da minha janela  Ruth anunciou.
 Voc no parece muito bem. Vamos at minha casa. Voc poder sentar-se um pouco.
	Chrissie no tinha percebido a aproximao de Ruth, e no conseguiu disfarar as lgrimas. Tentou recusar aquele oferecimento, mas a mulher a segurou pelo brao e conduziu-a para a sua casa.
	Chrissie era independente, s vezes teimosa. Mas ela se sentia muito fraca para reagir e, obediente, deixou-se levar.
	A casa de Ruth era prxima  de Guy. As duas casas eram parecidas. O saguo de entrada e a sala de estar tinham uma disposio semelhante e eram mobiliadas numa mistura de estilo moderno e clssico, muito bem combinados. Pde ver uma srie de fotografias e lembranas familiares. Chrissie, intrigada, reparou em uma foto de Jenny e Jon, juntos e alegres.
	Meu sobrinho Jon e sua esposa  Ruth afirmou, percebendo o olhar de Chrissie.
	Voc pertence  famlia Crighton?  Chrissie perguntou.
	Sim, embora tenha me casado e mudado o sobrenome. Voc conhece Jon e Jenny?
- ... Jon est representando minha me no inventrio do falecido irmo dela, Charles Platt  Chrissie falou, e a olhou de soslaio.  Sou Chrissie Oldham e Charles Platt era meu tio. Sei que ele no era benquisto na cidade, e se voc quiser...
	No seja tola. Em uma famlia, nem todos so iguais e perfeitos. Cada famlia tem seus problemas. Poderia citar alguns, dentro da nossa.
	Fez o comentrio de modo displicente, mas observou bem o rosto plido e os dedos nervosos de Chrissie. 	A desolao que via em seu olhar, era to preocupante como a debilidade fsica que demonstrava sentir.
	Vou fazer um ch para ns duas, e depois falaremos disso  Ruth anunciou com firmeza.
	Acatou as palavras de Ruth. Os acontecimentos das ltimas semanas a deixaram mais dcil e demonstraram a sua fragilidade em lidar com os traumas e emoes dolorosas. Ainda sonhava com o arrependimento e a retratao de Guy... S em pensar nisso, chorou novamente, enquanto Ruth fazia o ch.
	Muito bem.  Ruth chegou, trazendo as xcaras com a bebida aromatizada.  Onde estvamos? Ah, sim... Voc me contava sobre seu tio. Conheci a me e a av de Charles, e tambm a sua me, que se mudou de Haslewich h bastante tempo, no  verdade?
	E sim. No momento, meus pais esto viajando a trabalho. E por isso...
	Que voc est aqui, representando-os  Ruth concluiu.
	Em parte  Chrissie acrescentou.
	Ela sentiu uma vontade imensa de contar sua mgoa para algum. Seria um alvio desabafar o corao dolorido. Ruth inspirava confiana, e Chrissie acabou contando toda a histria.
	Oh, querida!  Ruth se condoeu por ela. Ruth conhecia a mesa em questo. Seu irmo, Ben, era muito apegado  ela, por ter sido uma das primeiras compradas para a casa, quando o pai deles se mudara para Queensmead. Ruth duvidou de que a tristeza de Chrissie era devida a uma disputa de um pedao de madeira, por mais bonito que pudesse ser.	Tentou explicar a Guy?  ela perguntou, com suavidade.
	No adiantaria. Ele j fez seu prprio julgamento, e no acreditou em mim. 
	Chrissie tomou um gole de ch e empalideceu.  Desculpe, no sei o que est acontecendo comigo. Deve ser o nervosismo. No consigo comer nada, pois fico enjoada. No consigo entender. Nunca tive nada parecido.
	Ruth a fitou atentamente. Era muito experiente e j conhecia essa estranha nusea e intolerncia  comida. J passara por isso e o seu contato dirio com as mes solteiras, faziam-na suspeitar de uma gravidez, quando a prpria me ainda nem cogitava aquela possibilidade.
	No quero dar palpites, mas...  Ruth acreditava em conversas francas, sem subterfgios.  Posso estar errada, mas ser que no est grvida?
	No!  Chrissie exclamou com voz entrecortada, sabendo que Ruth poderia estar certa.
	H menos de duas horas, pensava que nada pior poderia acontecer em sua vida. Depois das palavras de Ruth, j no tinha tanta certeza. Haveria coisa pior de que estar grvida de um filho de Guy?
	Tenho receio de ter sido muito direta. Sei como se sente. Eu j passei por isso.  Ruth sorriu, ao ver o ar desconfiado de Chrissie. Claro que foi h muito tempo, e as pessoas eram muito rigorosas. Tive de dar o meu beb para adoo.
	Que coisa horrvel!  Chrissie protestou, com o instinto materno exacerbado.
	Foi mesmo. Mas Deus me deu uma nova chance, e minha... nossa filha,  agora parte de minha vida e de Grant. Ser um choque, mas deve dizer o mais rpido possvel a Guy.
	No.  Chrissie foi enftica.  No  da conta dele... e ele nem se importaria.
	Tem certeza disso?  Ruth se espantou.  Conheo Guy desde criana, e tenho certeza de que assumir inteiramente um filho seu.
	Essa criana no foi planejada. Aconteceu. No preciso dele e nem de seu senso de responsabilidade. Posso me virar sozinha. E meu beb.
	Ruth lembrou de seu prprio orgulho feminino e do sofrimento que acompanhou.
	A deciso  sua, mas pode contar comigo em qualquer circunstncia. Temos um timo centro mdico aqui na cidade, com ginecologistas altamente especializados. S precisa marcar uma consulta.
	Obrigada, marcarei  Chrissie agradeceu com voz firme e pegou a folha de papel onde Ruth escreveu o nome e o endereo do mdico.
	Comeu algumas torradas, por insistncia de Ruth, e tomou mais uma xcara de ch. Agradeceu por sua bondade e compreenso e foi embora.
	Grvida! Um filho de Guy. Ela no podia acreditar, mas sentia que era verdade.
O que iria fazer agora? O que diria a seus pais? Eles no eram conservadores, mas de qualquer forma seria um choque. Chrissie fechou os olhos, e pensou em outras mulheres com pais muito mais intransigentes e com menor poder aquisitivo, que enfrentaram o mesmo problema. Ela tambm iria superar a situao com a cabea erguida.
	Guy teve um dia pssimo. O mordomo de lorde Astlegh havia flagrado uma jovem, que fazia parte do quadro de fornecedores, passeando por lugares no permitidos da casa. A moa alegara que havia se perdido, e que fora muito maltratada pelo mordomo.
	Como se eu fosse uma ladra  ela se queixou para Guy.  Quem ele pensa que ?
	A feira j fora aberta oficialmente, e aquele tipo de confuso era totalmente inaceitvel. Mesmo que...
	Ele brecou bruscamente, quando viu Chrissie atravessando a rua. Vinha de cabea baixa, e parecia cansada e frustrada. A primeira coisa em que pensou, foi saltar do carro e correr para peg-la nos braos. Aquelas poucas semanas em que evitara encontrar-se com ela foram as mais longas de sua vida. Por que tinha insistido tanto na acusao de roubo da mesa?
	Se, no... Mesmo magoado com a falta de sinceridade de Chrissie, chegara  concluso, como dissera Jenny, de que ela nada contara sobre o tio, com medo de criar qualquer obstculo entre eles.
	Jenny lhe pedira para dar uma nova chance a Chrissie e ainda lembrava de suas palavras.
	Chrissie virou a esquina, sem v-lo. O semforo mudou para a luz verde. Guy engatou a marcha e saiu, dando sinal de entrar  esquerda, para seguir Chrissie. Estacionou, saiu do carro e tentou alcan-la a passos largos. Ela percebeu estar sendo seguida. Parou e olhou para trs. Levou um susto.
	Guy!  Gritou, surpresa.
	Chrissie, voc est bem?  Guy perguntou, assustado com a palidez e aparncia de fraqueza.
	Claro que estou  ela respondeu secamente. Retomou o seu caminho, lembrando-se de sua situao. 
	Guy chegou perto de Chrissie e sem querer colidiram-se. Ela deixou cair a folha de papel que Ruth lhe dera. Abaixou-se depressa, mas Guy foi mais rpido. Apanhou o papel e estranhou o nome e o endereo do mdico.
	Se no est doente, o que est fazendo com o nome e endereo da Dra. Jardine? Voc no est com boa aparncia.
	Estou perfeitamente bem  Chrissie afirmou, entre dentes.  Por favor, me devolva...
	Dra. Jardine. Guy sabia ser uma mdica da cidade. A conhecia, mas no lembrava de onde. Estranho...
	Ia devolver o papel para Chrissie, quando lembrou de quem se tratava. Era a mdica de uma de suas irms, que teve uma gravidez de risco. Ginecologista! Por que Chrissie iria se consultar com uma obstetra? Ela estava plida, acabrunhada, parecendo quase um fantasma, mantendo o orgulho, com as mos cruzadas sobre o corpo, protegendo...
	Voc est grvida!  Guy nem pensou para falar, mas percebeu a verdade no rosto de Chrissie. 
	Guy submergiu num mar de emoes conflitantes. Choque, dor, alegria, angstia, raiva, orgulho e amor... Sobretudo, amor.
	Chrissie olhava em frente, os lbios cerrados, o corao apertado.
	Chrissie.
	No tenho nada a dizer  ela afirmou, com altivez.
	Voc vai ter um filho meu... meu beb...  ele suspirou
	No  ela negou, com violncia.  Se for mesmo um beb, ele nada tem a ver com voc.  meu, somente meu.
	Duvido de que uma Corte de Justia acredite nisso  Guy desafiou, sem pensar no que dizia, tal a sua emoo.
	Nunca se ligara muito em paternidade, mas convivia bem com os sobrinhos. Ento por qu, esse orgulho intenso e atvico? Um sentimento de envolvimento e posse, surgidos imediatamente aps descobrir que ela seria me de seu filho?
	Corte de Justia?  ela protestou.
	Um pai tem direitos, se  que voc no sabe.
	Eu... Duvido de que a paternidade estivesse presente nos seus pensamentos quando... quando ns...
	A maternidade estava nos seus planos?  Chrissie ficou sem resposta.
	Precisamos conversar, Chrissie.
	Deixe-me sozinha, por favor.
	Chrissie voltou-se, e caminhou rapidamente pela calada.
	Guy a seguiu, irado, pegou-a pelo brao e fez com que o fitasse.
	V embora  ela pediu, colrica.
	No faz muito tempo, me pedia que no a deixasse   lembrou ele, implacvel.
	E voc dizia que me amava, mas ns dois sabemos...  Chrissie corou.
	Sabemos o qu, Chrissie?  Guy lhe apertou o brao.
	Chrissie no respondeu. Estava cansada e fraca. 	No tinha foras para discutir com Guy. Guardaria energias para seu filho.
	Meu carro est ali na esquina  ele falou com energia.  Vou lev-la para casa e no discuta comigo, Chrissie. Voc est  beira de um colapso nervoso.
	Ela estava muito fraca, e censurou a si mesma por no reagir.
	Quando voc desconfiou... isto , quando soube sobre o beb?  Guy perguntou, j dentro do carro.
	O que importa?  ela no comentou ter sido Ruth que a alertara.
	Chrissie no se sentia nada bem. Percebeu que ele no a estava levando para casa de Charles. 
	Para aonde est indo? Pare o carro imediatamente. Eu quero sair.
	Ela estava furiosa, tentou abrir a porta do carro e viu que ele trancara no comando central.
	Voc no tem o direito de fazer isso!  ela gritou.  Voc...
	Tenho os meus direitos de pai e vou proteger a sade de meu filho que est para nascer!
	Direitos de pai! Chrissie no achou resposta plausvel. O movimento do carro estava piorando seu mal-estar.
	Guy, acho que vou vomitar  ela murmurou.
	Justo agora?
	Chrissie fez um gesto afirmativo com a cabea. Guy parou o carro de imediato. Aps dez minutos, Chrissie j havia melhorado e foi obrigada a reconhecer que ele demonstrara solicitude e a tratara com muita gentileza numa situao to desagradvel.
	Quero ir para casa, por favor.
	Voc precisa ir para um lugar onde possa ser bem cuidada. E  exatamente para onde a estou levando. Vamos...
	Chrissie se recostou no banco, e pensou que deveria ir para longe de Guy enquanto ainda tinha foras. Percebeu que estavam saindo da cidade.
	Aonde estamos indo?  Ela perguntou, com voz fraca.
	J lhe disse. Para um lugar onde voc e nosso filho sero bem cuidados.
	Nosso filho! Que ousadia!
	J haviam sado da cidade, e rodavam por caminhos estreitos cercados por sebes altas. Guy saiu da estrada principal, e seguiu por um atalho estreito e sujo, passou por uma porteira e entrou em uma fazenda.
	Chrissie arregalou os olhos. Sem acreditar, ela se voltou para Guy.
	Essa era a fazenda de meus avs...  ela sussurrou.
	E. Minha irm e meu cunhado a compraram no ano passado  ele explicou.  Mas j no era a fazenda original. Muitos lotes de terra haviam sido vendidos. Sobraram apenas duas reas de pastagem. Minha irm ensina crianas deficientes a cavalgar. Por isso precisam de lugar para os pneis.
	Sua irm... Quantas voc tem?
	Cinco  ele retrucou.
	Cinco?
	Voc vai gostar dessa.
	Espere, voc no pode simplesmente... Ela no...
	Ela pode e vai querer  Guy a corrigiu.
	Ele no mencionou que havia emprestado dinheiro para sua irm comprar a casa, e nem que o corao generoso dela jamais negaria ajuda a quem precisasse. Chrissie viu uma mulher alta, de cabelos negros, abrindo a porta da frente.
	 ela?
	.
Guy parou o carro, ela veio correndo, e Chrissie pde ver a enorme semelhana entre os irmos. Era uma mulher de uns cinquenta anos, muito bonita e de porte elegante.
	Guy!  Ela exclamou, afetuosamente.  Que surpresa adorvel! Ah, voc trouxe... Ah, deve ser a Chrissie. Frances me contou.
	Hum... H alguma coisa que Frances no tenha contado? No momento, Chrissie e eu atravessamos uma fase difcil, mas isso  uma outra histria. Ela no est passando bem e mora naquele casebre sem conforto que era de Charles Platt. As paredes esto midas, e no confio muito nos sistemas de esgoto daquela casa.
	Chrissie somente escutava a conversa dos dois irmos.
 	Aquelas casinhas eram bem antigas, e haviam sido construdas s pressas, usando material barato e de m qualidade. Ela j se dera conta do cheiro desagradvel que impregnava o ar do casebre. Pensava que fosse a umidade... Poderia ser algo bem mais perigoso. Para ela e o beb.
	Voc est muito plida  a irm de Guy comentou, preocupada.  Vamos entrar. Meu nome  Laura. Rick, meu marido, est viajando. Foi comprar pneis.
	Guy contou que voc ensina crianas deficientes a montar  Chrissie comentou, entrando na casa, ladeada pelos irmos.
	 verdade. E no momento estamos precisando de mais animais, mas no  fcil achar a montaria certa.
Chrissie hesitou.
	A casa pertenceu aos avs de Chrissie  Guy explicou para Laura.
	Mas ento...
	Minha me  irm de Charles Platt  Chrissie retrucou com altivez, sacudindo o rabo-de-cavalo.
	Oh, sim! Eu me lembro de sua me no colgio
	Laura falou, com um grande sorriso nos lbios.
	Era completamente diferente de Charles. Muito quieta e estudiosa.
	Era e   Chrissie concordou, sem olhar para Guy.
	Cuide dela por mim  Guy pediu  irm. Ele se despediu de Laura, meia hora mais tarde, deixando Chrissie com ela.
	Laura no estava entendendo a situao, mas sabia que era melhor no perguntar nada ao irmo. Era evidente que os dois haviam brigado, e Chrissie parecia doente e infeliz. Laura no era intrometida e nem costumava fazer perguntas indiscretas. Mas no pde deixar de reparar no rosto plido e nas olheiras de Chrissie, e no modo quase rude do irmo. Nada que se comparasse  descrio de um amor inebriante, feita por Frances dias antes.
	Laura acompanhou o irmo at o carro e voltou para dentro da casa. Encontrou a sua visitante, olhando pela janela da sala, pensativa.
	Sinto muito por Guy ter me trazido para sua casa, sem mais nem menos  Chrissie se desculpou.  Se puder chamar um txi, irei logo embora.
	A minha vida tem muito valor, para eu deix-la ir embora  Laura caoou.  Mas falando srio, tirando o fato de podermos brigar com o comportamento machista de Guy,  bvio que voc no se sente bem. Ns temos muitos quartos por aqui, e para ser sincera, fico muito sozinha quando meu marido no est. Voc me faria companhia, ficando por alguns dias. Guy tem razo sobre a poluio existente naquelas casas. Tenho um amigo que morava naquela rua e ficou doente.
	Eu no estou com nenhuma doena. Penso que estou grvida. Voc deve estar chocada. No tinha inteno de lhe contar, no entanto...
	No estou chocada  Laura interrompeu.  Talvez com inveja. Rick e eu nunca tivemos filhos. Agora j estou muito velha e tambm no sofro mais por isso. Meu trabalho me ajudou muito. O problema entre vocs dois  essa criana?
	No exatamente  Chrissie retrucou.  Ainda que...
	Aquela no era a ocasio adequada para contar sobre a inteno de Guy de insistir em seus direitos de pai. O problema no era imediato.
	O problema  que investimos loucamente em um relacionamento sem nos conhecermos direito. 
	E voc acha que... o amor acabou?
	Eu gostaria que assim fosse. Se no se incomoda, prefiro no falar disso.
	Como quiser. Vamos l para cima, vou lhe mostrar seu quarto. Mais tarde, se quiser, iremos para a cidade buscar suas roupas.
 
CAPITULO VIU

	Se voc estiver disposta, poderemos ir at Fitzburgh Place, agora de manh  Laura sugeriu.
	Para qu?  Chrissie indagou, desconfiada.
	Ontem foi a abertura oficial da feira de antiguidades. Pensei que seria divertido percorrer as barracas de artesanato
	Pode ser, mas voc no est pensando...
	Chrissie estava na casa de Laura havia dois dias e reconhecia que no poderia haver pessoa mais hospitaleira. As duas combinavam muito bem e, juntas, se divertiam muito. Laura a cercava de carinho e ateno, substituindo a me que estava longe. Se no fosse irm de Guy, seria uma amiga para se conservar por toda a vida.
	No estou pensando em nada  Laura prometeu.  Guy vai estar l, se acha melhor no ir...
	Chrissie olhou o cu pela janela da cozinha. A manh estava linda e ensolarada. Ela acordara sem enjoo. As duas poderiam fazer um passeio maravilhoso. Ela teria de encontrar-se com Guy mais cedo ou mais tarde. Achou melhor enfrentar aquela situao, mesmo porque o inventrio de seu tio j estava quase pronto. Logo ela retornaria para a sua cidade e no o veria mais.
	Gostaria de ir, se voc no estiver arquitetando nenhum plano de reconciliao  Chrissie avisou, sria.
	Vocs so adultos e sabem o que fazer  Laura comentou, enquanto se levantava para lavar a loua do caf.
	Concordo.
		Chrissie observou Laura colocar os utenslios na mquina de lavar. Pensar em reconciliao era tentador. Ela no entendia a si prpria. Queria Guy de volta? Depois de todas as acusaes que ele fora capaz de fazer? Ficaria muito melhor sem ele!
	Mas no podia esquecer que era o pai de seu filho. Passou a mo na barriga, confortando a vida que crescia dentro dela.
	Est sentindo alguma coisa?  Laura perguntou, ansiosa.
	Estou tima, no se preocupe.
No dia anterior, fora ao mdico para uma consulta, e ele lhe garantira que teria uma gestao muito saudvel, apenas com um pouco de nuseas.
	Geralmente os enjoos terminam depois de trs ou quatro meses  ele consolou Chrissie, rindo de seu desnimo.
	Quatro meses?!  Ela gemeu.
	Prefiro no receitar remdios para isso. A menos que a me sofra tanto que possa afetar o crescimento do beb. J tentou comer dois biscoitos secos, ao levantar?
	Laura j havia recomendado aquele lenitivo, assegurando que funcionaram muito bem com suas irms.
 Poderamos levar o almoo e fazer um piquenique __ Laura lhe disse, animada.  L, os jardins so muito bonitos. Penso que Guy no vai gostar muito de saber que estou levando-a para andar tanto.
	Ele no tem direito de me dizer o que fazer  Chrissie acrescentou, sem ter certeza de que Laura a ouvia, devido ao barulho da mquina de lavar pratos.
Meia hora mais tarde, j estavam no carro, a caminho da feira.
	Guy est muito preocupado com voc  Laura afirmou.  Telefona no mnimo duas vezes ao dia para ter notcias.
	Ele no est preocupado comigo. Preocupa-se com a criana. E essa criana  minha, Guy no tem nada a ver com ela.
	No pode esquecer que ele  o pai  Laura lembrou.
	Chrissie suspirou. Elas haviam discutido o assunto vrias vezes naqueles dois dias. Laura no tomava o partido de Guy, mas tambm no dizia que ela estava certa.
	Muitos homens nessa situao ficariam felizes de no ter de assumir a responsabilidade  Chrissie sugeriu.
	Concordo com voc. Mas Guy no  desse tipo. Sempre foi muito responsvel.
	No a ponto de pensar um pouco, antes de jurar que me amava  Chrissie protestou.  De fato, devido  sua reputao, s me admiro que isso no tenha acontecido antes  Chrissie murmurou, com amargura.
	Laura se espantou, desviou o carro para uma rea de estacionamento  beira da estrada, e perguntou:
	Sobre o que est falando, Chrissie? Qual reputao?
	Chrissie engoliu em seco, consternada ao ver a expresso severa de Laura. Lembrou-se das atitudes da me, quando a repreendia por alguma travessura infantil.
	E... Eu... Natalie falou  ela gaguejou, e Laura continuou esperando uma resposta.
	Ah... Natalie!  Laura escarneceu.   uma encrenqueira. No que diz respeito a Guy, ela est completamente enganada. Desconfio at de que manipula certos fatos em benefcio prprio. Uma coisa posso lhe garantir. Guy jamais teve fama de conquistador barato ou algo no gnero. Como todo homem normal, teve namoradas, relacionamentos, mas...
	Laura parou, pensativa e fitou Chrissie com carinho.
	Na verdade,  um assunto que deve discutir com ele, no comigo. Devo confessar que estou surpresa. Voc me parece uma pessoa bastante sensvel e inteligente, para dar ouvidos a uma mulher invejosa.
	Tambm isso no tem muita importncia.  Chrissie ficou embaraada.
	A polcia voltou a fazer novas perguntas?  Laura mudou de assunto e deu partida no carro.
	No. Eles esperaro at minha me voltar da viagem. Afinal, ela  que viu a mesa antes...
	Quando seus pais vierem a Haslewich, terei o maior prazer em hosped-los na fazenda  Laura afirmou, com gentileza.  Temos espao suficiente, e sua me poder recordar o lugar em que passou a infncia...
	Chrissie ficou comovida com o oferecimento.
	Direi a ela. Ela sabe da opinio dos outros sobre a vida desregrada de tio Charles e tem receio em voltar para c...
	Por Deus, ningum vai julg-la mal por isso!  Laura assegurou.
	Guy me julgou por meu tio...  Chrissie hesitou, mas no pde deixar de comentar.
	No sei se eu deveria lhe falar sobre isso.  Laura suspirou.  Mas Guy tem razes muito srias para no gostar de seu tio.
	Chrissie escutou, horrorizada, os relatos de Laura, sobre tudo o que seu tio fizera com Guy, naquela poca, um menino franzino e tmido.
	Esse tipo de agresso o marcou muito. Guy no usaria sua fora fsica contra ningum, ele simplesmente no tolera isso. De qualquer forma, o orgulho masculino no admite que outro homem lhe cause medo ou dor. Seria ultrajante. Guy nunca pensou em se vingar de Charles, pelo que sofrera nas mos dele. Na minha opinio, Guy at hoje se ressente de no ter tido a coragem, ou a fora, de evitar a humilhao. Voc me entende?
	Claro  murmurou Chrissie, com os olhos cheios de lgrimas.
	A descrio pungente de Laura a fez visualizar o menino plido, frgil, sendo atormentado por seu carrasco grande e corpulento. Pde entender ento, como os traumas atormentaram Guy por toda a sua vida, mesmo sendo um adulto equilibrado e bem-sucedido.
	Por que ele no me contou nada?  Chrissie perguntou, chorando.
	Quer mesmo saber?  Indagou Laura.  Ele  um homem.
	Laura estacionou o carro, e elas entraram no jardim das cavalarias. 	A feira de antiguidades era um espetculo deslumbrante. Era como entrar no sculo dezenove, com todas aquelas cenas, sons e traos de uma feira vitoriana em andamento.
	Msicos vestidos a carter tocavam melodias alegres. Acrobatas e um malabarista talentoso entretinham a multido com suas momices. Um comedor de fogo fazia os seus nmeros perigosos, em um palco seguro e fora do alcance dos visitantes. O pasteleiro anunciava as suas mercadorias, em altos brados. Uma cigana e duas crianas a seu lado, vestidas a carter, lia a sorte de quem assim o desejasse.
	Chrissie imaginou ao atentar para aquelas feies, que deveriam ser membros da grande famlia Cooke. Tudo fora pensado e feito para recriar o ambiente do passado.
Chrissie parou maravilhada, ante a viso multicolorida e pitoresca.
	Foi Guy quem idealizou tudo isso?  Ela perguntou para Laura.
	Acho que sim. Ele gosta disso. Mas finge que no... Afirma que so apenas coisas necessrias para atrair a multido, mas no fundo... Na poca do Natal,  ele quem organiza as festas da famlia. Nem sei como lhe explicar. E uma espcie de representao, onde todos participam e se vestem com elegncia. No existe plateia pois cada um de ns trabalha com afinco e procede de acordo com o papel determinado por Guy.
	Deve ser muito, divertido  Chrissie admirou-se. Lamentou que seu filho no iria ver nem participar desses festejos. Ele tambm no teria a oportunidade de conhecer a alegria e o prazer de fazer parte de uma famlia to numerosa. Entristeceu-se.
	Viu um quiosque onde se vendiam jias art-deco. Era uma das paixes de sua me, e Chrissie se aproximou da barraca.
	Do lado oposto da tenda, uma carroa puxada por um cavalo grande descarregava barris de cerveja. Chrissie ouviu uma advertncia, mas no se deu conta do que seria, at que uma criana gritou. Um pesado barril se desprendera do carregamento e vinha rolando na direo dela.
	No conseguiu sair do lugar. Ficou paralisada pelo medo, ouvindo o barulho surdo do barril sinistro aproximando-se.
	Chrissie!
	Ela se virou na direo da voz de Guy, a tempo de v-lo correndo por entre a multido, desesperado.
	Guy  ela sussurrou, sentiu as pernas amolecerem e no viu mais nada. -
	Desmaiou.
	Chrissie abriu os olhos, sem entender muita coisa. Estava deitada na maca sobre o gramado. Virou a cabea com cuidado. Uma cala de homem... com um perfume familiar.
	Guy...  Ela tentou levantar, mas foi contida.
	Est tudo bem... No se preocupe  Guy afirmou, com gentileza.  Voc desmaiou.
	O que aconteceu?  Chrissie, atordoada, levou a mo  cabea. Lembrou-se do barril e da criana gritando. Comeou a tremer.  Meu beb!
	Seu beb est bem  algum lhe disse.
	Este  o Dr. Miles  informou Guy e apresentou-lhe um jovem mdico loiro, ajoelhado na grama ao lado dela.
	Chrissie percebeu que eles se encontravam num lugar que parecia um jardim particular.
	E o barril?  Ela perguntou.
	No se preocupe. Graas a Deus, Guy o pegou antes que voc fosse atingida. O desmaio foi devido a forte emoo, ao calor e  sua gravidez. Posso lhe garantir que voc e a criana esto muito bem. Contudo, deve fazer uma consulta com seu mdico, para prevenir esses desmaios ocasionais.
	Onde est Laura?  Chrissie perguntou, sem entender muito bem o que se passava.
	Foi buscar ch.
O mdico a preveniu que deveria esperar um pouco antes de se levantar, e se ergueu.
 Bom, agora vamos ver seu brao, Guy. Voc est com a vacina antitetnica em dia?
	Acho que estou.
Chrissie no pde distinguir o que acontecera com o brao de Guy, pois o mdico parara entre os dois, mas escutou-o gemer quando foi examinado.
	Hum... E um corte profundo e vai precisar de pontos  preveniu o Dr. Miles.  Fiz uma assepsia da melhor forma possvel e coloquei um curativo. Precisa ir ao pronto-socorro o mais cedo possvel, para dar os pontos.
	No posso me ausentar antes do trmino da feira. Irei  noite. Tenho obrigao moral com os exibidores e com lorde Astlegh. Ele s nos permitiu instalar a feira neste espao sob a minha palavra de que tudo correria sem incidentes.
	E se bem o conheo, prefere morrer de gangrena a no cumprir a promessa  Laura criticou, j de volta com o ch.
	Sem acreditar no que ouviu, Chrissie fechou os olhos. Guy se arriscara para salv-la!
	Guy, tenho certeza de que Jenny no se incomodar em ficar aqui, para voc ir ao hospital  Laura lembrou com determinao.  Ligue para ela agora, e eu os levarei at l. Onde est seu carro?
	Deixei no estacionamento privativo  ele disse. 	Pode deixar que vou buscar.
	Voc no vai a lugar algum  Laura protestou.
	Eu vou buscar o carro. Fique com Chrissie.
	Vou voltar para a sala de primeiros socorroso mdico explicou, e fechou a maleta.
	Depois que ambos se afastaram, Chrissie dirigiu-se a Guy, em voz baixa.
	Ainda no lhe agradeci pelo que voc fez. Aquele barril...
	No fiz nada demais. Qualquer um faria o mesmo. Afinal, sou responsvel pela total segurana da feira.
	Foi um acidente  Chrissie comentou.
	Mesmo sabendo disso, ela estremeceu s em pensar no que teria acontecido se o barril a atropelasse. Instintivamente abraou-se na altura do estmago. Guy percebeu e empalideceu.
	Meu Deus, o que foi... Onde est o mdico? Voc est...  ele perguntou, com voz rouca.
	Estou bem... estou bem, Guy.
	Ela o segurou pelo brao, para que no sasse  procura do mdico e o trouxesse  fora.
	No se preocupe, estava s imaginando que se algo acontecesse ao beb... Nem sei o que faria. Antes, nem cogitava em ter um filho... Talvez voc no entenda. No  a mesma coisa para um homem.
	No...? E o que pensa. Como acha que eu me sentiria se voc e o nosso filho se machucassem, e eu nada pudesse fazer para impedir?
	Mas voc impediu  ela lembrou.
	No queria mais continuar falando no assunto. Ela se sentia ridcula por querer confort-lo. Por que se incomodar com ele?
	Chrissie se virou e estremeceu ao ver a extenso do ferimento na testa de Guy e a mancha escura de sangue na manga rasgada de sua camisa.
	Ainda no experimentara essa unio de medo, choque, dor e angstia.
	Chrissie fitou o relgio da sala de espera do hospital. Ela j tivera alta e esperava que terminassem a sutura no brao de Guy. Laura fora conversar com um amigo no corredor. Chrissie corou, quando Guy saiu da sala de curativos.
	Est tudo... bem?  Chrissie indagou, temerosa.
	Parece que sim. Tiraram as lascas que estavam no brao, e me garantiram que no haver problemas. Chrissie, preciso lhe falar...  Guy comeou, muito srio.  Vamos tentar... comear novamente?
	Ele estendeu o brao sadio na direo de Chrissie.
	Hoje de manh... Senti pavor de... No acha que devemos mostrar ao nosso beb que nos preocupamos com ele?
	E... acho que sim  ela sussurrou.
	Ns tivemos a sorte de ter pais maravilhosos. Fizemos parte de uma famlia. No que um pai	ou me solteiros no possam desempenhar bem a tarefa, mas...
	Entendo o que est querendo dizer.
	Chrissie suspirou, tentando disfarar o aperto na garganta e as lgrimas que deslizavam por seu rosto.
	Uma criana precisa de pais que se amem... que se respeitem...
	Sinto muito no ter-lhe dito sobre tio Charles  ela se desculpou, com dignidade.  Eu tinha essa inteno, mas tive medo.
	Chrissie estava emocionada. Naquela manh, deitada na grama e ouvindo a conversa do mdico sobre a ferida do brao de Guy, ela compreendeu o quanto o amava, e soube que nunca deixaria de am-lo. Porm, ele gostava de Jenny e ainda havia o caso da mesinha.
	Ns poderamos tentar  Guy lhe assegurou.
	Talvez  ela concordou e fixou-lhe um olhar temeroso.  E se o nosso filho se parecer com o tio Charles? Voc ainda vai querer essa criana?
	Voc o amaria, se ele se parecesse comigo?  ele perguntou.
Chrissie fechou os olhos. Claro que sim... Com certeza.
	Isso no importa, Guy. Entre ns haver sempre uma mesa e o fato de Charles ter sido meu tio... Eu serei somente uma substituta para a mulher que voc realmente amou, e voc se casaria comigo pelo bem da criana. Imagino que no haver mulher que tome o lugar de Jenny...
	Chrissie!  Ele gritou, no momento em que Laura voltava para a sala de espera.
Ela notou a irritao de Guy e a tristeza de Chrissie.
 Pelo jeito, vocs j esto prontos para ir embora. Se quiser, posso deix-lo em casa, Guy.
	Guy acendeu o abajour, praguejou e procurou o vidro de analgsicos receitados pelo mdico. O brao latejava muito, mas no foi por isso que acordara. Tinha sonhado com Chrissie, e ela estava bem na direo do maldito barril. Ele ficara esttico por alguns segundos, antes de conseguir pular. Transpirava. Cansado, passou a mo nos cabelos. A ferida na testa era dolorida e a cabea doa.
	Lembrou-se daqueles momentos de pavor, querendo saber se Chrissie estava bem, se nada havia acontecido, no s ao beb... S ento teve conscincia de que, nem Charles, nem a mesinha, tinham a menor importncia.
	S o amor por Chrissie o interessava. Precisava convenc-la de que a amaria pelo resto da vida. Tinha certeza de que ela o amava. Percebera a angstia de Chrissie ao saber que ele tinha se ferido. No conseguira esconder seus sentimentos, na frente do homem que amava. E o comentrio sobre Jenny! Na manh seguinte, procuraria esclarecer tudo.
	Onde estariam aqueles analgsicos? Pegou o frasco, mas derrubou o vidro com os antibiticos, que tambm deveria tomar. Deixou para pegar o vidro depois. Podiam ficar no cho, quem se importava?


CAPTULO IX

	Na manh seguinte, deitado na cama, inconsciente, febril, Guy murmurava no silncio do quarto. O corpo e os cabelos estavam ensopados de suor. Debaixo do curativo, o brao inchara e latejava muito. Uma linha vermelha escura se espalhava do brao, em direo  axila.
	Como vai, Jon. Voc parece cansado  Ruth saudou o sobrinho, ao se encontrarem na rua.
	Hum... Um pouco. Tive de me desdobrar esta manh, pois Jenny precisou ir novamente a Fitzburgh Place, no lugar de Guy. Ele deveria chegar por volta das oito horas. O telefone dele no atende. Devem t-lo segurado no hospital essa noite.
	Hospital?  Ruth se espantou.
	E. Houve um pequeno acidente ontem, na feira. Parece que um barril caiu de uma carroa. Se Guy no interviesse, a jovem Chrissie teria se machucado muito.
	Coitado. Mas acho que ele no est no hospital. Eu vi quando Laura o trouxe para casa ontem. Chrissie estava com eles no carro. Quem sabe voltaram s boas...
	Seria timo.
	Namorados brigam e fazem as pazes.
	Essa no  uma simples briga de namorados. H o problema da mesa. Guy diz que pertence a Ben, e Chrissie afirma que  da famlia dela.
	Eu sei.
	Desculpe, Ruth, mas estou com pressa. Daqui a dez minutos, tenho hora marcada com um cliente.
	Jon se desculpou, abaixou a cabea e a beijou.
	A manh estava radiosa. Ruth prosseguiu em seu caminho, refletindo sobre o absurdo da situao de Guy e Chrissie. Tinha certeza de que ambos se amavam, e uma simples e nem to valiosa mesinha os afastava daquele amor.
	Ela no era Salomo e no poderia resolver o problema, cortando a mesa em duas partes. Duas partes... Duas mesas... Desde que ficara sabendo daquela confuso, cismou que havia algo errado.
	O que est fazendo aqui?  Ben perguntou de mau humor.
	Vim ver como est passando  respondeu Ruth, ignorando a carranca do irmo.  Ah... tambm preciso procurar um documento na biblioteca.
	O que ?
	Nada de importante  ela desconversou.  Pedi  Sra. Brookes, para trazer um bule de ch.
	Hum... Ch. No aguento mais. Piora o meu reumatismo.
	Nunca ouvi dizer que o ch tivesse tal efeito  retrucou Ruth, sabendo que o culpado era o vinho do Porto que Ben tomava todas as noites.
	Todavia, quando a Sra. Brookes trouxe o ch ele ficou satisfeito.
	Ben andava com dificuldade. Depois da operao, ele poderia voltar a andar com mais segurana. Depois da segunda xcara de ch, Ruth avisou que iria at a biblioteca e depois iria embora. Ela sabia exatamente o que procurar. Fechou a porta, e foi at o armrio onde estavam guardados os livros de contabilidade de seus pais. Demorou a encontrar o que procurava, pois no sabia qual o ano de referncia. Precisou pesquisar em vrios livros. Quando encontrou, deu um abafado grito de satisfao. 
	Claro como o dia, na elegante caligrafia de seu pai. "Pagamento... Para Thomas Berry, marceneiro, duas libras, dez xelins e seis pence cada, pela confeco de um par de mesinhas iguais em pau-amarelo."
	Duas... Um par! Ela estava certa. Ento, teve certeza de que eram duas. Seu pai era um perfeccionista. No mandaria fazer uma cpia apenas, das duas mesas da famlia Chester.
	Tanto Guy quanto Chrissie estavam certos. Como uma delas estava nas mos da famlia de Chrissie?
	Estava fechando o livro, quando ouviu a porta se abrir, e Ben entrou.
	Ainda aqui?  Ele resmungou.  O que est fazendo com isso?
	Estava procurando alguns dados  Ruth respondeu calmamente.
	Voc no tem o direito  ele comeou a esbravejar.  Voc...
	Ben, eu sou sua irm. No pode falar comigo deste jeito. Tambm tenho direitos. Agora... me diga uma coisa. Aquela mesa roubada... ou melhor, as duas mesas...
Ele sentou-se com dificuldade em uma poltrona.
	No sei de que est falando  ele declarou com voz insegura, tornando a mentira evidente.
	Ah! Sabe, sim. Sabe muito bem a que me refiro. Por que voc no contou para a polcia que eram duas mesas?
	Eu no podia. Dei a palavra a papai que jamais contaria o nosso segredo.
	Eu no fiz nenhuma promessa, e vou contar. O que importa, Ben? Qualquer pessoa vai deduzir a verdade, quando Rose Oldham comprovar a identificao da mesa que est em poder da polcia. Vamos... conte-me o que aconteceu.
	Ben respirou fundo.
	Preciso saber da verdade, Ben  Ruth advertiu o irmo.  E vou ficar aqui at voc me contar. Sei que nosso pai mandou fazer cpias das duas mesas que pertenciam aos Chester. Como uma delas foi parar nas mos da famlia Platt?
	Ben carrancudo, cruzava e descruzava as pernas.
	Papai deu uma delas  menina Platt, como dote... um presente de casamento. Ela trabalhava aqui como bab.
	Papai deu a uma empregada, um objeto que ele mandou fazer sob encomenda? Papai no era um homem de posses. E no faria isso, se no tivesse um motivo muito forte.
	No sei de nada...  Ben tentou disfarar.  Talvez tenha roubado ou...
	Bem. Podemos esperar at a me de Chrissie voltar. Ela saber dizer como a mesa foi parar nas mos de sua famlia.
	No, ela no sabe. A menina era esperta. E o velho Platt tambm no contaria nada. Deve ter levado o segredo para o tmulo.
	Ben... Sinto muito, mas no estou entendendo
	Ruth interrompeu.
	No estou sendo claro?  Ben se lastimou.  A mocinha casou-se com o velho Platt, que era vivo e no tinha filhos. Ele ficou feliz em casar-se com ela, que estava grvida. Mas insistiu que ela merecia uma indenizao e ameaou fazer um escndalo. A moa, por outro lado queria a mesa...
	Indenizao? No est insinuando que a bab, bisav de Chrissie estava grvida de nosso pai? E ele a casou com Archie Platt, dando a mesa em pagamento?
	Era o que ela queria!  Ben defendeu o pai. 	Alm de um marido,  claro.
	Uma empregada!  Ruth protestou.  No deveria ter mais de dezessete ou dezoito anos. Pobre menina. Vai ver que o amava.
	Quem? Archie Platt? Duvido. Ele tinha o dobro da idade dela...
	No. O papai  corrigiu Ruth.  Ento Chrissie  tambm uma Crighton. Maravilha!
	Voc no vai contar para ningum? Dei a minha palavra. 
	Ruth descobriu, ento, de quem Charles Platt herdara algumas de suas caractersticas. Egosmo e cobia eram claramente visveis nos homens da linhagem Crighton. Traos negativos presentes no carter de David, irmo gmeo de Jon, no de Max, filho mais velho de Jon, e no de seu prprio pai. Charles apenas os herdara de modo exacerbado.
	Chrissie e Guy precisavam ser comunicados, assim como polcia. Diante daquela necessidade de esclarecer tudo, nem queria pensar na reao de Ben.
	Ruth era uma pessoa sensata e experiente. No acreditava que a reconciliao deles fosse instantnea, apesar dos fatos. O agravante fora a desconfiana, e no a propriedade da mesa em si. 
	Guy e Chrissie tinham medo de confiar um no outro. Ela esperava que, para o bem da criana que ia nascer, eles resolvessem seus problemas. No pela necessidade, mas pelo amor. No acreditava em um relacionamento sem amor e sinceridade. Talvez fosse um pensamento fora de moda, mas era uma verdade.

CAPITULO X

	Chrissie acordou de repente, assustada e ansiosa. Apertou o estmago com as mos. O corao batia forte, e ela no conseguia atinar com o motivo de ter despertado to bruscamente de seu sono profundo. Fora dormir razoavelmente tranquila aps terem deixado Guy em casa. No tivera pesadelos e estava se sentindo muito bem. Compreendeu aliviada, que a sua ansiedade no se relacionava com o sopro de vida palpitante em seu ventre. O instinto materno lhe dizia que tudo corria normalmente. Por que despertara sentindo tanto medo e aflio?
	Ainda era muito cedo, mas podia ver o sol iluminando o quarto atravs das cortinas. O ambiente do quarto de hspedes da casa de Laura era confortvel e repousante, causando uma sensao de bem-estar. A decorao era feita com mveis de bom gosto.
	Refletindo sobre os acontecimentos da vspera, ela chegou  concluso que tivera muita sorte. Se no fosse... Guy... Sentiu o corao dar um salto de encontro ao peito, como se houvesse levado um grande susto.
 Levou as mos ao rosto, e sem saber exatamente como, compreendeu que algo errado acontecera com ele. O pressentimento a fez pular da cama, entrar correndo no quarto de Laura para acord-la.
	O que foi, Chrissie? Alguma coisa com o beb?  Laura murmurou, esfregou os olhos e viu Chrissie curvada sobre a cama.
	No, eu... est tudo bem  ela assegurou.   Guy.
	Guy?  Laura comeava a espreguiar-se e parou.  Mas como... O que aconteceu?
	No tenho certeza, e nem sei como explicar, Laura  Chrissie falava exaltada e aflita.  Mas sei que h alguma coisa errada. Sinto isso...
	O que a faz pensar assim?  Laura duvidou, j bem acordada.  Voc levou um choque ontem, e uma mulher em suas condies...
	Laura tinha razo. Ela tambm preocupava-se com o seu estado, mas a sua ansiedade nada tinha a ver com o beb que esperava, como Laura insinuara. Era o amor que sentia por Guy que lhe dava essa clarividncia.
	Por favor, Laura  Chrissie implorou, apontando o telefone ao lado da cama.  Ligue para ele. 
	Tudo bem, farei isso. Mas duvido de que ele ficar muito feliz ao ser acordado a essa hora da manh!
Chrissie no se importou. Ela tinha certeza de que acontecera algo muito grave e no poderia ignorar o seu sexto sentido.
Observou Laura discar o nmero e aguardou...
	Ele deve estar to dopado com os remdios que lhe receitaram, que nem ouve o telefone  Laura afirmou e recolocou o fone no gancho.  Sei que voc est preocupada, mas os mdicos nos garantiram que ele estava bem, lembra?
	Laura... por favor...  Chrissie implorou novamente, com a voz trmula pela emoo.  Sinto que est acontecendo algo. No sei precisar o que
	Aonde voc vai?  Laura perguntou, quando a viu saindo do quarto.
	Vou me vestir e ir at a casa dele!  Chrissie avisou e ouviu Laura suspirar.
	Tudo bem... Espere, vou com voc  Laura concordou.  Estou lhe avisando, ele no vai receb-la de braos abertos ou agradecer, por estar sendo incomodado to cedo.
	Sentiu uma sensao inusitada ao sair de casa numa manh to linda e refrescante, mas ainda assim sentir-se angustiada. Em outras circunstncias, Chrissie teria adorado o frescor da manh, o clarear do dia, o contato com a natureza, o mundo ao seu redor, a viso do casal de gansos nadando no pequeno lago. A preocupao com Guy era grande, e ela nada admirou.
	Para quem diz que no gosta dele, voc parece ansiosa demais  Laura comentou, enquanto rodavam pelas ruas vazias de Haslewich.
	Eu... eu o amo  Chrissie admitiu.  Mas no posso casar com um homem que no me respeita e nem acredita em mim...
Ela parou de falar, incapaz de controlar as lgrimas, e sacudiu ligeiramente a cabea.
	Desculpe, no quis mago-la  Laura se desculpou.
	No  voc.  que estou mesmo aborrecida.
	Veja, chegamos.
	Chrissie estava aflita. As cortinas de cima estavam fechadas, e as inferiores, abertas.
	Laura bateu  porta e tocou a campainha.
O barulho estridente pareceu ainda mais forte no silncio da rua.
	Esta sineta parece um carrilho!  Laura zombou.
	Esperaram alguns minutos, e no se ouviu nada.
	 melhor tocar de novo.  Chrissie estava impaciente.
	Tenho uma ideia melhor  Laura anunciou, abriu a bolsa e tirou um molho de chaves. Fazendo muito rudo, escolheu uma delas. 	Guy me deu uma chave para eu abrir a casa, quando ele estava viajando.  Laura explicou.  Vamos.
Laura colocou a chave na fechadura, abriu a porta, e elas entraram.
	Chrissie se arrepiou. No se ouvia o mnimo som. S os passos das duas. Subiram a escada, Laura na frente. A porta do quarto de Guy estava fechada. Laura, receosa de incomodar, chamou-o pelo nome e cuidadosamente abriu o trinco.
	Oh, meu Deus!
	Laura, o que foi?
	Chrissie no enxergava, pois Laura estava parada  porta, bloqueando a viso da cama.
	Parece que est com septicemia  afirmou Laura, afastando-se para Chrissie entrar. 
	Ela pde ver, mesmo na obscuridade do quarto, o brao de Guy muito inflamado e vermelho, e a reveladora linha vermelha que ia at a axila.
	Guy... Guy!  Laura chamou, mas ele no respondeu. Laura mexeu-lhe nos ombros, mas ele s murmurava palavras desconexas, sem abrir os olhos. 
	Enquanto esperavam a ambulncia, nos dez minutos seguintes, Chrissie agradecia a Deus, por terem seguido a sua intuio. Guy foi submetido a uma cirurgia, que durou quatro horas, para extrair uma lasca de madeira. Enquanto permaneciam na sala de espera, esperando o trmino da cirurgia, Laura compreendeu quanto Chrissie amava seu irmo. Se tivesse de testemunhar e apontar uma mulher profundamente apaixonada, com certeza aquela mulher seria Chrissie. Jamais esqueceria seu empenho em seguir o pressentimento que tivera. Chrissie salvara a vida de seu irmo.
	Guy j havia retornado do centro cirrgico, e elas estavam  porta do quarto, esperando autorizao para entrar.
	Chrissie, receosa, pediu  Laura que entrasse primeiro e esta concordou.
	Ol, querido!  Laura percebeu o olhar de expectativa se transformar em desiluso.  Ainda bem que pode receber mais de uma visita.
	Chrissie entrou. Ele no conteve a enorme satisfao em v-la se aproximar da cama.
	Chrissie! Que bom ver voc. 
	Como... como vai?  ela perguntou, a garganta seca pela emoo.	 
	Dolorido,  mas feliz por estar so e salvo.
	Guy, meu irmo, Chrissie lhe salvou a vida  Laura afirmou, ignorando a muda repreenso de Chrissie.  Preciso confessar que no acreditei quando ela me acordou muito cedo esta manh, aflitssima, dizendo que voc estava doente. A sua tenacidade acabou me convencendo.
	Chrissie sentiu-se recompensada no olhar de Guy, transbordante de ternura.
	Mas como voc soube...?  ele balbuciou.
	Chrissie,  melhor se sentar  Laura aconselhou.  Voc passou quatro horas andando de um lado para outro, na sala de espera. S de v-la, eu fiquei cansada. Descanse um pouco, querida. Desculpem, volto logo... Preciso telefonar.
	Laura saiu, e Chrissie virou-se para segui-la.
	Chrissie, por favor, no v!
	Ela voltou e veio para perto da cama.
	Oh, Deus! O que estamos fazendo um com o outro? Em que confuses nos metemos? E voc me salvou a vida... O mdico me falou que devo me considerar um felizardo, por estar vivo. Mais algumas horas de septicemia poderiam resultar em uma amputao do brao, ou coisa pior... Antes de perder a conscincia, eu pensava que se eu morresse... voc jamais saberia quanto eu a amo e quanto desejei que esse lamentvel episdio da mesa jamais houvesse ocorrido. Tambm lamentei esse meu preconceito idiota sobre seu tio...
	Guy, sua irm me contou o que ele fazia quando voc ainda era um menino  Chrissie interrompeu.  Ele procedia da mesma forma com a minha me, que era mais velha que ele. Em uma ocasio, quando mais uma vez desabafava suas desiluses com tio Charles, ela me contou que chegava a se sentir culpada por odi-lo tanto.
	No deve ter sido fcil para ela, tambm. Mas nada justifica o mal que eu lhe causei, Chrissie.
	De repente, estavam de mos dadas, dedos entrelaados, os coraes transbordando de amor.
	Voc vai ter um filho meu...  Guy murmurou.  Quero compartilhar do milagre de seu nascimento e proteger vocs dois... Quando o mdico me falou de que eu escapei, tive pavor de pensar que nosso filho poderia nascer sem que eu o conhecesse... Chrissie, eu quero viver, no s pelo beb, mas por voc, por que a amo mais do que a minha prpria vida.
	Oh, Guy! Eu tambm o amo muito.
Chrissie comeou a chorar. Guy se ergueu, abraou-a com o brao livre, beijou-a no rosto e a confortou. Ela encostou a cabea em seu peito e chorou  vontade, de emoo e alegria.
	Sei que temos problemas  ele admitiu.  Mas acharemos as solues para todos eles e viveremos felizes.
 	Guy sorriu com muito amor e afastou-lhe os cabelos molhados do rosto.
	Nunca mais deixarei de lhe contar a verdade  ela sussurrou.
	No diga nada  ele pediu com energia.  No foi o fato de voc ser sobrinha de Charles que me magoou. Achei que no confiava em mim o suficiente para contar. Por isso me comportei como uma criana, censurei e acusei sem motivo.
	Eu no lhe contei por que tinha medo de perd-lo  Chrissie respondeu.  Minha me me aconselhou a esperar um pouco antes de revelar a verdade, pois voc j me havia dito que no gostava dele. Por outro lado, fiquei muito magoada por voc no ter contado sobre... o seu relacionamento com Jenny.
	Tem razo... No fui completamente honesto, mas...
	Talvez no queira confessar que a amou muito, no ?  Chrissie completou.
	No!  Guy protestou com veemncia, ergueu o brao operado e gemeu.  No lhe contei por me envergonhar de ter sido um fraco, achando que, em determinada poca da minha vida, a mulher de outro homem resolveria meus problemas. No ntimo, sempre soube que no ramos feitos um para o outro. Queria me apaixonar por algum, estabelecer-me e constituir famlia. Como isso no acontecia, pois no me sentia atrado por ningum, acabei acreditando que a felicidade no poderia existir para mim pois me apaixonara por uma mulher casada, feliz com seu marido e sua famlia.
	Chrissie escutava com ateno, e se convenceu da sinceridade de Guy.
	Na realidade acho que nunca amei Jenny, e ela  muito inteligente e sempre soube disso. Chrissie, eu no queria que voc tivesse conhecimento dos meus erros. No conheci um amor grande e verdadeiro at lhe encontrar. Gosto muito de Jenny, somos muito amigos, mas voc  o amor de minha vida.
	Mesmo achando que eu menti sobre a mesinha?  Ela perguntou.
	No sei o que dizer.  Ele suspirou.  Somente sei o que eu vi.
	Entendo Chrissie abaixou a cabea, soltou-se dos braos de Guy e caminhou em direo  porta.
	Chrissie...  ele a chamou, desesperado.  Por Deus! No me importo com aquela mesa. S me importo com voc. Se quiser, posso vender minha parte na sociedade, poderemos mudar e comear a vida onde voc quiser...
	Voc faria isso por mim?
	Faria qualquer coisa por voc. Faria tudo. Quando eu sair deste hospital, vamos planejar o nosso futuro e o de nossos filhos.
	Ele a puxou com o brao livre, e a beijou. Laura abriu a porta e os viu abraados. Sem fazer barulho, voltou para trs.
	Ns trs seremos muito felizes  Guy sorriu para ela.
Mesmo ouvindo Guy falar em sair de Haslewich e comear vida nova em outro lugar, ela temia que a distncia da famlia dele o entristecesse.
	Ruth Reynolds, uma das minhas vizinhas, convidou-nos para tomar um ch  Guy anunciou, quando viu Chrissie entrando na sala de estar.
	Ele havia sado do hospital no dia anterior, com a condio de ter algum cuidando dele. Laura no pde se comprometer, pois seu marido j estava de volta. Alm disso, tinha de cuidar dos cavalos..
	Laura afirmara, com segurana, que no havia nenhum motivo para Chrissie no se incumbir daquela tarefa.
	Chrissie prometeu, e estava cuidando do enfermo.
	Irei com prazer  Chrissie confessou.
	Que prazer receb-los!  Ruth cumprimentou, efusivamente, ao abrir a porta para Guy e Chrissie.  Entrem, por favor.
	Entraram e foram com ela at a bonita sala de visitas.
	Convidei Jon para tomar ch conosco  Ruth avisou, para surpresa deles.   importante que ele esteja aqui, no s como testemunha, mas tambm para confirmar o que tenho a dizer. Bom, estou me precipitando. Como est se sentindo, Guy?
	Muito melhor. Graas a Chrissie  ele falou com ternura, e sorriu para a amada.
	Jon cumprimentou a ambos, com alegria. Perguntou pela sade de Guy e Chrissie.
	Ruth soubera da reconciliao por Jenny. Era maravilhoso saber que haviam superado as diferenas e que o amor sara vitorioso.
	Sentem-se. Chrissie, poderia servir o ch para ns? Tenho uma histria bem interessante para contar a vocs.
	Chrissie ficou intrigada. Foi at a mesa, pegou o bule e serviu a todos.
	Fiquei bastante intrigada e preocupada com o problema da mesa encontrada na casa de Charles Platt. Achei que seria interessante fazer algumas pesquisas... Jon sabia que meu pai mandara fazer uma cpia das mesas da famlia Chester. Um par
de mesas foi dado como presente de aniversrio s gmeas da famlia Chester. Meu pai no mandaria fazer apenas uma cpia, sendo que havia duas originais. Por isso resolvi investigar...
Ruth fez uma pausa, abaixou-se e ergueu um pesado livro que estava no cho, ao seu lado.
	Esse  o livro de contabilidade do ano em que a mesa foi confeccionada. Ou melhor, deveria dizer "as mesas".
	Houve alguns minutos de silncio como se todos estivessem digerindo a notcia.
	Voc disse que havia duas mesas!  Guy exclamou.
	 verdade, duas idnticas, justamente como o par da famlia Chester.
	Mas isso no esclarece como uma delas foi parar nas mos de minha famlia.
	No, no explica. A contabilidade apenas mostra o que foi pago por elas.
	Tem certeza de que minha bisav no adquiriu uma das mesas?  Chrissie indagou, confusa.  Quem sabe...
	No, Chrissie, no comprou  Ruth assegurou, trocando olhar cmplice com Jon.  Nosso pai, meu e de Ben, foi casado duas vezes. Nossa me morreu logo depois que eu nasci quando, ento, uma jovem foi contratada como bab.
	Ruth suspirou, distendeu um pouco os ombros para relaxar e continuou.
	Essa jovem era a sua bisav, Chrissie. Ela e meu pai se envolveram emocionalmente. Ela ficou grvida, e foi convencida a se casar com um dos
arrendatrios de meu pai, tambm vivo e sem filhos.
	Chrissie e Guy ouviam a histria, quase sem piscar.
	Acertaram que a criana seria registrada como filha do fazendeiro, que era um homem de meia-idade e louco por dinheiro. Deve ter ganho uma boa soma. A pobre menina deveria estar apaixonada por meu pai. Tanto que implorou para levar para sua nova casa, uma lembrana dele. Escolheu a mesinha.
	Voc tem certeza de que essa histria  verdadeira?  Chrissie perguntou, chocada.  Parece to...
	 a mais pura verdade, Chrissie  confirmou Jon, com sua autoridade de advogado.
	Por que minha me nunca me contou?
	Duvido de que ela soubesse. Eu e Ben tambm no sabamos. Meu irmo tomou conhecimento da histria, pela confisso, na hora da morte de nosso pai. Ele fez Ben jurar que no contaria o segredo para ningum. Ben somente me disse a verdade, quando ameacei contar para a polcia que havia duas mesas.
	Ainda no posso acreditar, Ruth  confessou Chrissie, chorando.  Voc nem pode imaginar como estava aflita para minha me voltar e reconhecer o pequeno mvel.
	Posso entender, querida.  Ruth a consolou.
	Guy ainda no comentara nada. Levantou-se e comeou a andar pela sala.
	Como no pensei nisso antes? Duas mesas originais e "duas" cpias!
	Voc no poderia adivinhar.  Ruth consolou.  Afinal, voc viu s uma, e no havia nenhuma evidncia de que pudesse haver duas.
	Mas eu poderia ter pensado nisso... Chrissie!
	Tudo bem, Guy. Ruth est certa. Ningum poderia imaginar que houvesse tambm duas cpias  Chrissie afirmou e segurou a mo de Guy.  Em seu lugar, eu teria pensado o mesmo.
	Apaixonados, ambos se entreolharam, com emoes e sentimentos intensos. Ruth desviou o olhar, para preservar a intimidade do momento.
	Voc  muito generosa  retrucou Guy, com amor. 
	Chrissie ficou emocionada com as revelaes de Ruth.
	Que histria incrvel!  Chrissie balanou a cabea, em sinal de dvida.   tudo to... inesperado.
	Bom  comentou Ruth, bem-humorada.  Isso ajuda a explicar de onde vieram os genes trapaceiros de Charles. Sabe Chrissie, infelizmente na famlia Crighton h caractersticas inerentes aos ancestrais, que se traduzem em traos de um carter irregular, como egosmo e falta de responsabilidade moral...
	Ruth se levantou, veio at Chrissie e a abraou. 
	Minha querida, bem-vinda  famlia Crighton. Porm ns entenderemos se no quiser nos reconhecer como parte da famlia.
	Imagine s! Obrigada, Ruth, pelo que fez por ns! O que minha me vai dizer disso tudo?
Ela e Guy se levantaram para sair.
	Acho que voc e Guy, diante dos fatos, tm muito o que conversar  afirmou Ruth. Acariciou o rosto de Chrissie e deu-lhe um forte abrao.
	Jon tambm os abraou, demonstrando muito carinho.
	Ruth  extraordinria!  afirmou Chrissie, quando estavam a ss na casa de Guy.
	Guy foi preparar um drinque na cozinha, e ela comeou a chorar. Ele veio correndo ver o que tinha acontecido.
	No  nada! Apenas estou feliz que tudo tenha terminado bem. Tinha tanto medo de que no confiasse em mim!  Ela o abraou e soluou em seu ombro.
	Guy abaixou a cabea, para beij-la. As desculpas dele foram abafadas pelo calor dos lbios de Chrissie contra os seus, aliviando um pouco a dor de seu remorso e de sua culpa.
	A primeira coisa que vamos fazer amanh cedo,  voar para Amsterd  Guy assegurou, assim que conseguiu falar.  No comprarei s um anel de noivado. Quero um anel que seja o smbolo da eternidade de nosso amor.
	Oh, Guy...
	Posso ver seu anel?  Perguntou Bobbie, nora de Ruth.
	Chrissie e Guy saiam debaixo de uma chuva de ptalas rosas, jogadas por alguns dos convidados do casamento. Chrissie estendeu a mo para mostrar o anel.
	O anel de noivado, com um diamante em forma de corao, fora escolhido por Guy. Ficara extasiada pelo brilho surpreendente da jia, montada em uma aliana de diamantes pequenos e duas de ouro. Era um anel triplo, moderno, com desenho exclusivo, mandado fazer num dos joalheiros mais famosos de Amsterd.
Ela achara muito grande, mas Guy e o joalheiro a convenceram de que era maravilhoso.
	Os trs se entrelaam, como ns trs  Guy dissera a Chrissie, quando aprovaram o desenho da jia.
	O vestido de noiva tinha sido confeccionado em Chester, o corte simples realado pela riqueza do cetim de cor creme, disfarando o incio da gravidez. Chrissie escolhera um vestido de corpo inteiro sem recortes, combinado com uma capa do mesmo cetim e uma pequena cauda.
	No me importo de casar grvida  Chrissie orgulhosa, dissera  me.  S no acho apropriado um vestido de noiva convencional.
	Voc vai ficar linda, minha querida  Rose disse, aprovando o modelo.
	Muito mais que linda  disse Guy.
	Chrissie sorriu, chamando-lhe a ateno para a me e Laura, que conversavam animadamente.
Laura fizera questo de hospedar os pais de Chrissie, ignorando as reservas de sua me quanto  opinio das pessoas sobre o irmo.
	Voc  uma pessoa ntegra, independente de quem possam ser seus parentes. Pode ter certeza de que os outros a julgaro pelo que voc   a nova amiga afirmara, convicta.
	De fato, a recepo  sua me fora das mais calorosas, por parte das antigas amigas de colgio. Chrissie percebeu a influncia de Laura, mas nem comentou com a me para no lhe estragar o prazer. Do mesmo modo, a famlia de Guy e os Crighton, lhes haviam recebido com muita simpatia e cordialidade. Apenas Natalie se manteve a distncia, mas Chrissie no deu a menor importncia ao fato.
	Chrissie ficara muito feliz ao ouvir sua me dizer a Jenny, que ela e o marido pretendiam se mudar para o sul, depois da aposentadoria.
	Assim ficaremos perto de nossa filha, genro e netos.
	Estou quase achando que voc vai preferir ficar por aqui, em vez de irmos para Barbados  Guy caoou, enquanto observavam a pequena e feliz multido.
	Quase?  Chrissie gracejou.  Oh, Guy,  to maravilhoso fazer parte de uma famlia grande! Saber que nossos filhos crescero no meio de tantas pessoas que os querem bem. Mas nada  to extraordinrio como ter certeza de que voc me ama. E quanto  viagem...
	Barbados. Eu deveria ter reservado uma suite no hotel Grosvenor, em Chester.  Guy beijou-a.  Sabe quantas horas so de vo at l?
	E ainda temos que ficar na recepo, antes de acomodarmo-nos no quarto.
	Espere at eu lhe pegar de verdade  Guy a preveniu, rindo.
	Guy, mudando de assunto, fiquei contente por terem pego os ladres responsveis pelo roubo.
	Eu tambm  ele acrescentou.  Nem imagina como me censuro por ter pensado que voc pudesse estar envolvida naquela confuso.
	Esquea.  Chrissie colocou-lhe os dedos sobre os lbios. 
	Pensativa, Madeleine Crighton observava o casal rindo e trocando juras de amor. Aquele amor era to intenso que quase se materializava.
	Na gravidez de seus dois filhos, Max a tratara com violncia, lembrando sempre que no desejava filhos e na verdade, nem a amava. Ela caminhou at onde se encontravam Jenny, sua sogra e as crianas. Refletia sobre Max e seu casamento. Alis, que casamento? Uma simples folha de papel, um documento legal. Ela comeava a acreditar que Max jamais a amara. Ao lado dele se sentia intil, indesejvel, mal-amada. At gostava do fato de Max trabalhar na Espanha. Com aquela distncia, ela se sentia melhor, mais tranquila.
	Hum... Isto aqui  um paraso!  Exclamou Guy. Haviam alugado uma vila em Barbados e estavam deitados na cama, com o ventilador girando no teto, para refrescar a noite quente.
	Valeu a pena esperar?  Chrissie perguntou, brincando.
Guy se ergueu sobre um brao, encostou-se nela e passou-lhe o dedo nos lbios. Ento abaixou lentamente a cabea e beijou-lhe o busto nu.
	E como!  Murmurou em tom satisfeito, depois de os desejos terem sido saciados.
	Chrissie observou-o levantar-se da cama e andar pelo quarto. O corpo de Guy brilhava na obscuridade. O calor da temperatura local e o suor resultante do amor intenso, deixavam uma fina camada de gotculas por sobre a pele de seus fortes msculos. Ela continuava a desej-lo.
	Antes, ns nunca tivemos tempo para isso  Guy anunciou ao pegar a champanhe.
	A garrafa ainda estava no balde de gelo, e ele quis tomar o lquido espumante em comemorao aos votos que haviam feito um ao outro. Ele abriu a garrafa e serviu.
Chrissie no conseguia desviar o olhar de Guy, de sua postura masculina, levemente arrogante e autoritria. Ele chegou at a cama, trazendo as taas de champanhe. Brindaram, com os braos entrelaados, entreolhando-se com muito amor e desejo.
A mo de Guy resvalou nela e algumas gotas do lquido espumante caram sobre o corpo de Chrissie. Ela fez meno de enxugar, e ele segurou-lhe a mo. Abaixou a cabea e, delicadamente, lambeu as gotas douradas. Aos poucos alcanou os mamilos eretos.
	Hum...  ele murmurou, com prazer.
	Guy colocou a taa no cho, tomou-lhe o seio como se fosse uma flor, e roou-lhe os contornos com a lngua quente. Em seguida, sorveu-lhe os botes firmes com volpia.
	Chrissie se contorcia, a excitao pulsando em seu corpo, gemendo a cada carcia mais intensa e exigente.
	Ela abriu os olhos, molhou os dedos no champanhe e passou no corpo msculo. Ele a fitou intensamente, enquanto ela abandonava a taa na mesa-de-cabeceira. 
	Chrissie queria saborear o gosto da pele de Guy, sentir-lhe o desejo se manifestando. Acariciou e beijou cada centmetro do corpo musculoso e dourado. Sentiu um grande deleite em ouvir-lhe os grunhidos de satisfao, quando ela o tocava com os lbios e lngua.
Uma alegria sensual, ao mesmo tempo divina, de tanto amor e desejos plenamente satisfeitos.
 Chrissie, meu amor, o que acha de mais trs semanas de lua-de-mel?
Eles sorriram e finalmente adormeceram.
 
FIM

DICAS

DICAS
CUIDADOS COM O BEB
A ALIMENTAO
Uma das primeiras decises que voc e seu marido tero de tomar  se o beb vai ser amamentado no seio ou com mamadeira. Voc sabe que o leite materno fornece ao beb tudo de que ele necessita e, alm disso,  de fcil digesto. Mas a mamadeira no significa nenhum prejuzo para o beb. A amamentao deve constituir um ato de prazer e no um desafio. Portanto, no haver prazer se voc der o seio por achar que deve ou dar mamadeira sentindo culpa. Se, por instinto, voc preferir dar a mamadeira,  bom adiar essa deciso para depois do nascimento. No h substituto para o colostro que os seios produzem nos primeiros dias, e, dando-o ao beb, voc vai fornecer-lhe valiosos anticorpos para combater infeces nos meses iniciais. Voc no poder amamentar seu filho depois de j ter comeado a usar a mamadeira, pois, no tendo o estmulo da suco dele, seus seios param de produzir leite. Seja qual for o mtodo que voc adote, lembre-se de que amor, colo e ateno so to importantes para o beb quanto o leite.

PEITO OU MAMADEIRA
Voc  quem decide como vai alimentar seu beb. Se quiser dar o peito e tiver ajuda profissional, com certeza vai conseguir. Contudo, mesmo que j tenha decidido pela mamadeira,  bom pensar um pouco mais sobre as vantagens e desvantagens de sua escolha e ouvir os comentrios e conselhos de outras mes. Lembre-se de que a deciso vai afetar voc, seu marido e seu beb pelos prximos meses.
O leite materno contm substncias que ajudam a proteger o beb contra infeces at o sistema de imunizao dele se desenvolver completamente, o que  importante se houver casos de alergia na famlia. O leite de vaca e o leite em p no oferecem essas duas protees.
Amamentar no seio toma mais tempo nas primeiras mamadas, seja porque o beb demora mais em sua mamada, seja porque ele simplesmente gosta de ficar sugando. Sugar  uma necessidade e um prazer diferentes da necessidade de comer. Porm preparar as mamadeiras tambm toma tempo e a repetio dessa tarefa se torna cansativa com o passar do tempo.
As viagens so mais fceis se voc amamentar. No h mamadeiras para esquentar nem perigo de guard-las fora da geladeira.
Cansao, doena ou tenso s vezes diminuem o leite materno, mas no afetam o beb que toma mamadeira.
Com mamadeira  mais fcil confiar no apetite do beb, de modo que voc pode aliment-lo em excesso e fazer com que fique muito gordo.

AMAMENTAO
At aproximadamente os quatro meses, voc vai ficar alimentando seu beb somente com leite. Depois disso eleja pode comear a experimentar alguns slidos. Como vai ser sua alimentao a partir de ento? At quando voc vai amamentar? Dos seis meses at completar um ano as mamadas nos seios vo diminuindo aos poucos e o beb estar treinando com a caneca que voc lhe d. Entre os nove meses e um ano, ele provavelmente j ter largado o seio, sem que voc tenha de for-lo., A essa altura j ter chegado  idade de receber seu alimento e aconchego de outras maneiras.
Como ser a rotina das mamadas?
Para um beb amamentado s no seio, a rotina deve ser como segue:
Trs meses: cinco mamadas durante o dia e mais duas  noite
Quatro/cinco meses: quatro a cinco mamadas durante o dia e algum alimento slido seis meses: duas mamadas por dia, de manh e  noite nove meses: mamada s na hora de dormir

A VOLTA AO TRABALHO
Continuar a amamentar aps voltar a trabalhar s ser possvel se voc tiver condies de tirar o leite, em seu local de trabalho, nos horrios em que o beb costuma mamar, para estimular a produo de leite.
Habitue o beb  mamadeira, antes da volta ao trabalho. Pea a algum para dar as primeiras, pois assim ele no vai sentir o cheiro de seu leite.
Voc precisa de um equipamento esterilizado e um lugar sossegado para tirar o leite durante o dia, alm de uma geladeira para guard-lo at o fim do expediente. Transporte-o para casa numa caixa de isopor com gelo.
Ao sair de casa, deixe separadas as mamadeiras com o seu leite.
Pea a quem cuida do beb que no d a mamada do final da tarde para que ele mame no seio quando voc chegar em casa.
Se necessrio, aumente sua produo de leite dando mamadas extras ao beb durante a noite.

QUANDO PARAR DE AMAMENTAR?
Querendo, voc pode continuar a amamentar at o segundo ano. Mas pode tambm desmanar o beb antes dos 12 meses. H bebs que largam o peito por conta prpria, entre os nove meses e um ano de idade. O fato de o beb morder o seio no  motivo para parar de amamentar: diga-lhe severamente que di e ele logo entender.
No pare de amamentar de repente. Deixe que a produo de leite v se reduzindo aos poucos por algumas semanas, fazendo com que o sistema de oferta e procura funcione o contrrio. Tire uma das mamadas e d um intervalo de trs dias antes de eliminar a outra. No tire leite dos seios para eliminar a sensao de estar cheia: o leite ser reabsorvido gradualmente em poucos dias.

A LTIMA MAMADA
A maioria dos bebs dorme mais calmamente se tiver uma mamada antes de ser colocado no bero, de forma que essa  a ltima a ser cortada. Perto do final do primeiro ano, v reduzindo aos poucos a durao dessa mamada. Depois corte-a de vez e compense o beb com muita ateno e carinho. Oferea algo de beber num copo na hora de dormir.

O QUE DAR AO BEB EM VEZ DE LEITE MATERNO?
Se voc parar de amamentar antes dos seis meses, vai precisar dar algum tipo de leite de vaca modificado na mamadeira. Se voc amamentar at pelo menos seis meses, a partir da deve acostumar o beb a tomar na caneca. D leite modificado at os nove meses e, depois, leite de vaca.
Ele vai dormir melhor se voc der uma mamadeira na hora de dormir.


COMO PREPARAR O LEITE
Nas primeiras semanas, voc vai precisar manter na geladeira um estoque de mamadeiras prontas para servir ao beb. At pelo menos nove meses, convm dar a ele um leite em p prprio para bebs, que  um leite de vaca modificado. O pediatra vai ajudar voc a escolher o mais adequado. O beb pode ficar perturbado com o uso de leites diferentes. Por isso no troque de tipo sem antes consultar o pediatra.

PARA PREPARAR O LEITE
O leite para bebs  mais comumente encontrado em p e em lata, sendo preparado conforme a necessidade. As instrues escritas no rtulo da lata indicam o nmero correto de colheres de p a ser adicionado a cada medida de gua.  importante seguir essas instrues. Se voc puser muito p, o leite vai ficar muito concentrado, o beb engordar demais e poder ter problemas nos rins. Se voc, ao contrrio, puser p de menos, o aumento de peso do beb ser muito lento. Desde que o leite esteja preparado corretamente, deixe o beb tomar o quanto quiser. Prepare o leite do beb com gua corrente fervida somente uma vez. H alguns tipos de gua que nunca devem ser utilizados para se preparar mamadeiras:
-gua que foi fervida mais de uma vez ou que estava sobrando na chaleira.
-gua de torneira com filtro pois os filtros podem concentrar bactrias perigosas.
-gua mineral pois o sdio e minerais presentes neste tipo de gua podem fazer mal ao beb.
H dois mtodos para preparar o leite em p: misturar o p diretamente nas mamadeiras ou preparar vrias medidas numa jarra. O uso da jarra  recomendado para o caso de voc usar mamadeira com revestimento descartvel.

QUANTO LEITE DEVO DAR?
O apetite do beb varia muito de um dia para outro. Durante as primeiras semanas, coloque 100 ml de leite em cada uma das seis mamadeiras, e veja se isso corresponde ao apetite dele. A medida que ele for aumentando de peso, vai tambm querer mais no fim de cada mamada. Aumente aos poucos a quantidade de leite que voc pe na mamadeira. Quando seu beb tiver seis meses, estar tomando cerca de 200 ml em cada mamada. E uma regra geral que todo beb precisa de 150 ml de leite por quilo de peso a cada 24 horas.

O QUE DEVO DAR ALM DE LEITE?
Depois de seis meses tomando o leite modificado, o beb vai precisar de suplementos de ferro, vitamina D ou de um leite mais "forte". Deixe isso por conta do pediatra. No adicione nada, farinhas ou coisas assim, no leite de seu beb.
Como o leite em p para bebs  leite de vaca modificado, ele pode provocar algum tipo de alergia, como um eczema ou problema digestivo. Se puder, volte a amamentar no seio, ou fale com o pediatra.
H bebes que aceitam bem o leite de soja em p, mas s passe a us-lo com superviso mdica. Se suspeitar que seu beb est tendo uma reao alrgica, procure o mdico imediatamente.
COMO DAR A MAMADEIRA
A coisa mais importante que voc pode fazer por seu beb  amament-lo. Mas no caia no erro de pensar que receber leite na mamadeira  tudo que ele precisa ou que "qualquer" um pode aliment-lo. O amor, o aconchego e a ateno so to importantes quanto o alimento. Segure-o sempre bem perto de voc, sorria e fale com ele, como se estivesse dando o seio. Nunca deixe o beb sozinho com a mamadeira, pois ele pode engasgar.
Desde o incio, interfira o mnimo nas mamadas, deixando que o beb d o ritmo, faa pausas para ficar olhando em volta, mexa na mamadeira ou pegue seus seios quando quiser. As vezes ele pode levar at meia hora para terminar, se estiver querendo brincar. Mais que tudo, deixe que ele decida o quanto quer mamar. Para dar de mamar, escolha uma posio confortvel, ponha um babador nele e tenha sempre um pano limpo por perto para quando for faz-lo arrotar.

OS PRIMEIROS ALIMENTOS SLIDOS
Entre trs e seis meses de idade, seu beb j est pronto para comer alguns alimentos slidos. Voc comea a perceber que, mesmo aps uma boa mamada, ele ainda parece ter fome. E talvez at queira uma mamada extra por dia. A partir do
primeiro contato com os slidos, o processo de mudana da alimentao  gradual, e ele passe a comer cada vez mais das novas comidas nas refeies, at que, por volta do primeiro aniversrio, no precise mais do peito ou da mamadeira. V introduzindo a mxima variedade de alimentos que puder, para que ele se acostume com uma dieta diversificada, sem estranhar gostos e consistncias desconhecidas. Dessa forma, voc evita problemas mais tarde. Permita que ele coma de acordo com seu apetite e tire prazer de suas refeies. Elas so parte importante da vida de uma famlia e no somente o momento de comer. Se voc deixar o beb participar desde cedo, vai ajud-lo a aprender boas maneiras  mesa, estimulando sua sociabilidade precoce.

COMO CONSERVAR A COMIDA DO BEB
Tenha sempre  mo uma comida nutritiva, feita em casa, congelando as papinhas. Faa a papinha, de frutas ou verduras, e esfrie-a colocando a tigela em um recipiente com gua. Despeje a papinha em bandejas de fazer gelo, cubra com plstico e congele. Depois de congelar, ponha os cubos em sacos plsticos separados, com identificao e data na etiqueta. No guarde no freezer por mais de um ms. Meia hora antes da refeio, descongele os cubos numa tigela. No incio, um cubo ou dois sero suficientes, coloque a tigela em gua quente para amornar e mude a papinha para a tigela do beb.
A papinha pode ficar na geladeira at 24 horas, mas sempre coberta. Depois das refeies, jogue fora a comida que tiver sido tocada pela colher do beb, mesmo as papinhas compradas, se voc deu para ele direto do potinho.

AS COMIDAS DO BEB
As melhores comidas para dar ao beb so as que voc mesmo prepara.
Consistncia: D  comida uma consistncia fcil de digerir.  normal ver pedaos inteiros de alimentos nas fezes do beb, mas, se acontecer seguidamente, volte a amassar a comida por mais algumas semanas. A comida deve ser muito mida e fcil de engolir. Umedea comidas em papa, amassadas ou modas com gua fervida, leite materno, leite em p preparado, suco de frutas, a gua usada no cozimento (sem sal), ou iogurte (a partir de seis meses).
Temperatura: Deixe a comida esfriar at ficar morna.
Como dar uma comida nova: Toda comida nova deve ser dada separadamente. Espere 24 horas para ver como o beb reage. Havendo diarreia, enjoo ou irritao de pele espere alguns meses para tentar novamente.
Temperos: No use. O sal pode fazer mal aos rins, e o beb no se importa com comidas sem tempero.
O que evitar: At os quatro anos, evite comidas com muito tempero, salgadas ou gordurosas, e as industrializadas. Nada de frios, como salame e bacon, de creme de leite e queijos picantes.

SEU BEB E OS NOVOS SABORES
Com quatro meses de idade  provvel que seu beb j esteja disposto a comer alguma coisa slida. Se ele no aceitar, espere at os cinco ou seis meses. Mas lembre-se de que nas primeiras semanas ele vai estar s entrando em contato com a ideia de comer coisas novas com uma colher. Toda a nutrio necessria  dada pelo leite. No comeo, d os slidos de manh ou na hora do almoo. Evite d-los no fim da tarde, porque se o beb tiver problemas com a comida, voc e seu marido tero uma noite intranquila. O melhor  o beb poder saciar a fome mamando um pouco no peito ou na mamadeira. Uma boa prtica  dar uma colherinha de papa de arroz ou de frutas antes da segunda parte da mamada. O processo todo pode durar uma hora.

COMO O BEB APRENDE A COMER SOZINHO
Seu beb vai querer comer sozinho bem antes de saber como fazer. Por mais baguna que ele faa e por mais demoradas que se tornem as refeies, anime-o o quanto puder. Esse  seu primeiro passo para a independncia. Esteja preparada para ver a comida no rosto, na roupa e no cabelo do beb, sem falar da sujeira no cho. Encare as refeies de seu filho com tranquilidade, pois, fazendo-as da maneira que tiver vontade, ele as achar divertida e voc ter menos problemas com a alimentao dele no futuro.

A ALIMENTAO AOS DOIS ANOS
Por volta dos dois anos de idade seu filho provavelmente estar pronto para deixar o cadeiro e sentar-se  mesa com a famlia. As refeies sero situaes sociais importantes, e aprender a participar delas como membro da famlia  parte vital da sociabilizao da criana. Sua alimentao tambm  importante, desde que voc lhe d o suficiente e o deixe decidir o que vai comer. Ele no vai morrer de fome e sabe de quanta comida precisa.
Evite problemas nas refeies
O segredo para se evitar problemas na hora de comer  manter a calma e o bom senso. Desde o comeo, mostre a seu filho que comer  uma forma gostosa de matar a fome. E um erro brigar por causa da comida. Voc se irrita mais do que a criana e, da prxima vez, ele vai recusar mais deciso. Em vez disso, encare a questo como algo que pode ser agradvel para ambos.
D  criana uma dieta variada, abrindo-lhe opes. Logo voc vai saber do que ela gosta ou no.
No a recompense por comer algo que voc imps nem a castigue por ter recusado. Dizendo "coma as cenourinhas se quiser brincar com o carrinho", por exemplo, voc est fazendo a criana pensar que h algo de errado com as cenouras, j que ela precisa ser recompensada para com-las.
	No perca muito tempo preparando comidas especiais para seu filho: voc s vai ficar mais aborrecida se ele no quiser comer.
	Se ele demorar para comer, no o apresse.  natural que demore mais que voc para comer. E se espera que seu filho fique sentado  mesa, esperando que voc termine de comer, faa o mesmo por ele quando a situao  inversa.
No tente faz-lo comer mais do que ele quer. Deixe-o decidir o que  suficiente. Com certeza ele no deseja passar fome e, se estiver crescendo normalmente,  porque est comendo o suficiente.
A dieta certa
A variedade  o que mais importa numa dieta. Se voc oferecer grande variedade de comidas durante a semana, pode ter um razovel grau de confiana na sade de seu filho. Voc s deve se preocupar se ele passar muito tempo comendo demais apenas alguns tipos de comidas como doces, biscoitos, bolos e alimentos industrializados, como salsichas e hambrgueres.

LANCHES E DOCES
Seu filho vai precisar geralmente de um lanchinho para ter energia entre as refeies. Em vez de biscoitos, d-lhe coisas mais nutritivas, como po integral e uma ma, cenoura ou banana. Se ele no tiver fome na refeio seguinte, j ter suprido suas necessidades nutricionais.
A questo dos doces pode ser um problema, mas cabe a voc fazer as regras. No  justo nem realista abolir os doces por completo: ele vai desej-los ainda mais. De fato, os doces tm poucos nutrientes alm das calorias e estragam os dentes. Controle a vontade de seu filho possa ter de comer doces reduzindo ao mnimo a quantidade deles ou de outros alimentos adoados:
	D frutas ou iogurte sem acar nas refeies. Queijo tambm  bom: neutraliza o cido que ataca o esmalte dos dentes.
	Escolha doces para comer, no para chupar ou mascar.
	S deixe seu filho comer doces depois das refeies.
Oferea suco de frutas diludo, em vez de refrigerantes, e somente nas refeies. Quando ele quiser lquidos nos intervalos, d-lhe leite ou gua.
No use doces para recompensar ou punir a criana, pois isso acaba por valorizar ainda mais a quebra das regras e dificulta o controle.


PENNY JORDAN  articulista do Sunday Times e New York Times, com uma srie de best-sellers publicados. Entre eles: Jogos do poder, Legado cruel, Para melhor, para pior e Brincar de poder.
